domingo, 21 de janeiro de 2018

94 ANOS DA MORTE DE V.I. LENIN : RESGATAR O LEGADO DO MARXISMO LENINISMO PARA A AÇÃO REVOLUCIONÁRIA DAS MASSAS


Hoje (21/01/2018) completa- se 94 anos da morte de nosso grande chefe Bolchevique, Lênin, o dirigente Marxista que lançou as bases do partido revolucionário centralizado como um exército do proletariado para demolir violentamente as instituições do estado capitalista. Ganhou o justo ódio da burguesia mundial que o rotulou como um "verdadeiro demônio da classe operária". Também nas hostes da esquerda internacional Lênin granjeou a fúria de todos os reformistas e revisionistas que o enxergam como um " ditador autoritário ". Nós da LBI prestamos este pequeno tributo ao nosso chefe "eterno", o maior de todos os revolucionários que já povoaram nosso planeta. Passados 94 anos de sua morte suas estátuas continuam a serem derrubadas, como recentemente ocorreu na Ucrânia, pelo ódio de classe dos inimigos viscerais da revolução socialista, como símbolos de que o Leninismo continua vigente e seu legado deve ser combatido sem trégua. Quando aconteceu a destruição imperialista de sua maior obra, a URSS, pensavam as hienas da reação que o Leninismo havia sido tombado junto com suas estátuas, crasso engano. Lênin está mais vivo agora, quando as novas gerações "descobrem" acidamente que não pode haver revolução vitoriosa sem a construção do partido bolchevique como vanguarda das massas. Quando a crise do capital financeiro mundial atingiu seu "pico" em 2008, não nos cansamos de repetir que a tarefa fundamental era construir o partido Leninista, e que sem a existência desta ferramenta do proletariado o capitalismo conseguiria recompor suas bases de acumulação. Passados cerca de dez anos do crash financeiro internacional, a história novamente deu razão a Lênin! Como afirmou Trotsky, discípulo de Lênin, quando soube da morte do grande chefe: Perdemos Lênin, mas sem o Leninismo não somos absolutamente nada!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

LULA E BOULOS: MAIS DA MESMA “MERDA” PROGRAMÁTICA DE CONCEDER SUSTENTABILIDADE A ECONOMIA CAPITALISTA


O PSOL e suas tendências internas corrompidas ideologicamente tentam maquiar candidatura de Guilherme Boulos como sendo uma oposição a “conciliação de classes do PT”, um engodo para iludir ingênuos e incautos que ainda acreditam no PSOL como algo diferente politicamente da Frente Popular. Boulos e sua plataforma “Vamos”, que não por acaso une programaticamente PSOL e PT, representa o velho ideal social democrata de reformar o regime capitalista. Lula é “apenas” mais descarado quando se alia abertamente as oligarquias burguesas que deram o golpe parlamentar contra o governo Dilma buscando se postar como uma sólida candidatura de colaboração de classes que amplia abertamente seus vínculos com os representantes da classe dominante. O PSOL, mais “discreto”, mantém seus acordos com o DEM e o Rede de Marina Silva, como vemos por exemplo na prefeitura de Macapá. Ambos, PT e PSOL, são “farinha do mesmo saco” na tentativa de imprimir um rosto “humano e social” a crise estrutural do modo de produção capitalista (diferenças de grau). Nesse sentido, a plataforma “Vamos” é a base do programa de Boulus e do PSOL para 2018 como deliberou o congresso do partido realizado no final de 2017, programa que guarda grande identidade com o que defende a Frente Popular de Lula. Vejamos como pensa o “Vamos” no seu principal tópico, o econômico: “Nossa economia precisa se voltar para o desenvolvimento nacional e para servir aos interesses populares. Queremos um modelo de desenvolvimento que possibilite alimentos saudáveis e baratos, saúde e educação pública, moradia e transporte de qualidade, queremos uma economia organizada com base na solidariedade, no cooperativismo, na sustentabilidade e na integração regional do Brasil”. Não há sequer um mínimo “retoque” da velha e surrada tese socialdemocrata do “capitalismo sustentável”, ou como os reformistas do PSOL e do PT preferem, “A democratização do capital”. Por sua vez, no terreno político, Boulus e o “Vamos” apregoam a necessidade de “Fazer uma reforma política que amplie a democracia e aumente a participação das pessoas nas decisões do Estado”, convocando a vanguarda a se mobilizar para “ampliar os processos de participação popular, com consultas, plebiscitos e referendos, e também conferências abertas e conselhos”. Esses conceitos “reformistas” (no sentido clássico do termo) comum entre PSOL e PT são incompatíveis com a luta do proletariado para impor seu próprio poder de Estado (Ditadura do Proletariado), logicamente não pela via eleitoral e sim no combate direto da classe operária pela Revolução Socialista. Por essa razão Boulus, assim como o PT de Lula, limita-se a articular uma “alternativa” eleitoral para implementar as chamadas “políticas públicas” de inclusão social. Em resumo trata-se de radicalizar a democracia burguesa e as instituições de seu Estado (parlamento, justiça, polícia...), a velha tese da socialdemocracia reciclada pelo PSOL e sempre saudada pelo PT em dias de festa. Com este engodo pretendem utopicamente “democratizar” as instituições burguesas que não passam de sustentáculos da ditadura do capital contra os trabalhadores. Por isso as categorias teóricas de ambos, PT e PSOL... Lula e Boulus, não passam de mais da mesma “merda” programática de conceder sustentabilidade a economia capitalista. Não podem admitir a violência revolucionária de uma classe para subjugar a outra e muito menos reconhecer o Estado como um comitê gestor dos negócios da classe dominante. Diante da proposta do “vamos democratizar a política e o Estado” defendida pelo PT e PSOL os Marxistas Revolucionários combatem pela destruição violenta do Estado burguês com a ação direta e revolucionária do proletariado!  O Estado burguês não pode ser democratizado, é um instrumento centralizado de dominação capitalista que deve ser colocado abaixo pela via da Revolução Proletária. Os explorados devem sim lutar pela nacionalização dos bancos, indústrias, portos e aeroportos sob o controle dos trabalhadores, forjando Conselhos Operários para lançar as bases para a construção de um poder de novo tipo, proletário e socialista, um Estado Operário, forjando uma alternativa revolucionária trabalhadores da cidade e do campo! Como se observa, o PT e PSOL... Lula e Boulus são apenas graduações políticas do mesmo programa socialdemocracia, que em sua essência são partes integrantes das inúmeras variações políticas das classes dominantes que estão conduzindo o planeta para a porta da barbárie da economia mercantil. O que o movimento operário necessita não é de uma frente da “esquerda socialista”, leia-se frente dos reformistas de “esquerda”, é de uma genuína Frente dos Marxistas Leninistas que organizem as massas a combater com os métodos da violência revolucionária do proletariado as instituições do estado burguês. Demolir radicalmente o decadente arcabouço do capitalismo com a Revolução Socialista, e não reformar suas podres estruturas do “sagrado” mercado! A única alternativa para escapar da catástrofe capitalista anunciada continua a ser o Marxismo Revolucionário!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

48 ANOS DO COVARDE ASSASSINATO DO COMANDANTE MÁRIO ALVES: UM VALENTE HERÓI DO GLORIOSO COMBATE CONTRA OS GENOCIDAS DO REGIME MILITAR!


Mário Alves ingressou no PCB, aos 15 anos na Bahia, em pleno Estado Novo de Getúlio Vargas. Nesse primeiro período participou das lutas estudantis e das lutas populares contra o nazifascismo, impulsionando a campanha do "Partidão" pela exigência da participação do Brasil na guerra ao lado das forças imperialistas aliadas. Passada a II Grande Guerra, por sua destacada participação nas frentes de batalha, particularmente com a derrota que o proletariado e o Exército Vermelho da URSS infligiram ao exército de Hitler, os stalinistas fortalecem sua influência política no Brasil. O PCB foi legalizado e Mário Alves eleito para o comitê regional do Partido na Bahia.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

HÁ 90 ANOS DA DEPORTAÇÃO DE LEON TROTSKY: O “REVOLUCIONÁRIO SEM PASSAPORTE” DEFENDE A REVOLUÇÃO MUNDIAL, SENDO PERSEGUIDO IMPLACAVELMENTE PELO STALINISMO

Em 16 de janeiro de 1928, há exatos 90 anos, Leon Trotsky foi deportado para Alma-Ata (no atual Cazaquistão), um remoto lugar na Ásia Central soviética. Ali viveu um exílio interno durante 12 meses antes de ser banido definitivamente da União Soviética por Stálin. Acabou por ser expulso da URSS, em janeiro de 1929, sendo enviado de Odessa para Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) por barco. O Blog da LBI transcreve trechos em que Trotsky, no livro “Minha Vida”, no capítulo “A Deportação”, descreve detalhadamente esses acontecimentos dramáticos a partir das linhas escritas por sua companheira Natália Sedova.


“Sobre minha a minha deportação para a Ásia Central transcrevo integralmente a narrativa de minha mulher no seu diário:

‘16 de janeiro de 1928. Estamos fazendo as malas desde o amanhecer. Tenho febre, e um pouco por isso e um pouco devido à fraqueza, gira-me a cabeça na confusão dos objetos trazidos do Kremlin para cá e das coisas que devemos levar conosco. Um caos de móveis, roupa branca, livros e uma infinidade de visitas, amigos vem despedir-se. Nosso médico, F.A. Guetier aconselha-me ingenuamente a adiar a viagem devido ao meu resfriado. Ele não tem ideia clara do que seja a nossa viagem e do significaria adiá-la. Espero, antes, restabelecer-me durante a viagem, pois com o alvoroço dos ‘últimos dias’, em casa, isso não seria fácil. Vejo diante de mim muitas caras novas, algumas que nunca vi antes. Abraços, apertos de mãos, gentilezas, votos de felicidade. A confusão aumenta pois trazem-nos flores, livros, doces, roupas de lã, etc. O último dia de agitação chega ao fim. As bagagens já estão na estação. Os amigos também já estão lá, a nossa espera. Afinal chegamos e nos assentamos na sala de refeição, prontos para partir. Só esperamos os agentes da GPU. Consultamos o relógio...nove, nove e meia...não aparece ninguém. Dez. A hora da partida da trem. Que haverá? Mudaram de ideia? O telefone tilinta. Da GPU comunicam que a viagem foi adiada...Diante do vagão destinado a nós concentrava-se uma multidão agitada. Os jovens amigos haviam colocado sobre o teto do carro faixas e cartazes com dizeres altamente elogiosos e entusiásticos. O trem bufou, avançou, recuou e parou. Os manifestantes tinham corrido para a frente da locomotiva, outros agarraram-se aos vagões. Fêz-se o trem parar. A multidão gritava Trotsky. Na estação reinava uma confusão indescritível. Houve enfrentamentos com os agentes da GPU. Feridos de ambos os lados. Depois de algum tempo tornaram a trazer nossas bagagens da estação. Era mais de meia noite, quando nos recolhemos. Extenuados da agitação dos dias anteriores, dormimos até as 11. Nem chamado telefônico nem toque de campainha. Calma e silêncio...Mas mal acabávamos de almoçar, bateram à porta...E a casa se encheu de agentes da GPU, à piasana e fardados. Entregaram a Trotsky a ordem de prisão e de partida imediata para Alma-Ata....Soube-se mais tarde que Bukharin estava encarregado da “direção política” da “expedição Trotsky”. Realmente era bem uma maquinação de Stálin... Chegamos a estação deserta. Os agentes levaram Trotsky carregado. Liova grita aos poucos ferroviários presentes ‘Camaradas, vejam como levam o camarada Trotsky’”...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

HÁ 99 ANOS DO COVARDE ASSASSINATO DE ROSA LUXEMBURGO: UMA MODESTA HOMENAGEM DA LBI A COMUNISTA QUE DEU SUA VIDA PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA!


Em 15 de janeiro de 1919, a coronhada do rifle de um soldado a mando de um governo reformista esmagava a mais brilhante e corajosa cabeça do movimento operário revolucionário alemão depois de Marx e Engels. Há 99 anos atrás, este acontecimento trágico, por ter abortado a melhor oportunidade de uma revolução socialista em uma nação capitalista avançada, foi como uma tragédia de grandes proporções sobre o futuro da luta do proletariado mundial até os nossos dias. Três dias após o assassinato de Rosa e Karl, Trotsky escreveu: “De constituição pequena, débil e enferma, Rosa surpreendia por sua poderosa mente. Já falei certa vez que estes dois líderes se complementam mutuamente. A intransigência e a firmeza revolucionária de Liebknecht se combinam com uma doçura e meiguice femininas, e Rosa, apesar de sua fragilidade, era dotada de um intelecto poderoso e viril. Ferdinand Lasalle já escreveu sobre o esforço físico do pensamento e a tensão sobrenatural de que é capaz o espírito humano para vencer e superar obstáculos materiais. Esta era a energia que comunicava Rosa Luxemburgo quando falava da tribuna, rodeada de inimigos. E tinha muitos. Apesar de ser de estatura pequena e aspecto frágil, Rosa Luxemburgo sabia dominar e manter a atenção de grandes auditórios, inclusive quando eram hostis as suas idéias. Era capaz de reduzir ao silêncio aos seus mais irascíveis inimigos mediante o rigor de sua lógica, sobretudo quando suas palavras se dirigiam as massas operárias." (Karl Liebknecht - Rosa Luxemburgo, 18/01/1919). Rosa Luxemburgo viveu no período compreendido entre a Comuna de Paris e o primeiro ano de existência do governo bolchevique. Nasceu em 05 de março de 1871 num vilarejo perto de Lublin, na Polônia controlada pelo Império Russo. Era a quinta filha de Eliasz Luxemburg III, um judeu comerciante de madeira, e Line Löwenstein. Uma artrose no quadril a prostrou na cama até os cinco anos de idade, ocasionando que tivesse uma perna menor que a outra, fazendo-a mancar por toda a vida. Muda-se para Varsóvia para estudar e conclui os estudos secundários numa escola feminina em 1887. Aos 15 anos, ainda como secundarista, inicia sua militância política fazendo parte de uma célula do Partido Proletário (PP), fundado em 1882 e aliado do movimento populista russo na luta contra a opressão czarista. Mas logo o partido é massacrado e quatro de seus líderes são condenado à morte. Para escapar do cerco policial, Rosa foge para a Suíça em 1889. Ingressa na Universidade de Zurique juntamente com outros exilados socialistas como Anatoli Lunacharsky e Leo Jogiches, que viria a ser seu companheiro por mais de 15 anos. Assim começa a militância revolucionária de Rosa Luxemburgo que viria a ser assassinada em 1919 pela social-democracia alemã, convertida a guardiã da ordem capitalista contra o proletariado.

sábado, 13 de janeiro de 2018

NOS DUZENTOS ANOS DO NASCIMENTO DE NOSSO MAIOR MESTRE: UM BREVE ENSAIO DA GÊNESE DO PROGRAMA DE MARX SOBRE A ECONOMIA CAPITALISTA


Em homenagem ao bicentenário do nascimento do maior mestre do proletariado mundial, Karl Marx, este artigo procura reconstruir "modestamente" os estudos de economia política que nosso cânone revolucionário realizou em Paris, Manchester e Bruxelas entre 1843 e 1847 e que culminaram na publicação de "A miséria da filosofia", considerando historicamente o destino político e pessoal de Marx durante as revoluções de 1848 e o primeiro período de seu posterior exílio em Londres.Também nessa época, ele consolidou sua convicção de que uma nova revolução social só poderia surgir a partir de uma crise econômica mundial. Entretanto a economia política não foi a primeira paixão intelectual de Marx, tratava-se de uma disciplina que acabava de surgir na Alemanha de sua juventude e seu interesse por ela só apareceu depois de diversos outros assuntos. Nascido em Trier em 1818, numa família de origem judaica, Marx iniciou sua vida acadêmica em 1835 estudando direito nas universidades de Bonn e Berlim. Em seguida, interessou-se pela filosofia (particularmente pelo hegelianismo dominante na época) e acabou se graduando na Universidade de Jena em 1841, com a tese "A diferença entre as filosofias Demócrita e Epicurea da Natureza". Ele decidiu, então, iniciar uma carreira acadêmica, mas a filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel deixou de ter apoio oficial quando Friedrich Wilhelm IV subiu ao trono na Prússia e Marx, tendo sido membro da Juventude Hegeliana, teve de mudar de planos. Entre 1842 e 1843 ele se dedicou ao jornalismo, cobrindo assuntos contemporâneos, e trabalhou para o "Rheinische Zeitung", o diário da cidade de Colônia (Alemanha) do qual ele logo se tornou o jovem editor chefe. Entretanto, pouco após ter aceitado o posto e começado a publicar seus próprios artigos sobre questões econômicas, embora apenas em seus aspectos legais e políticos a censura atacou o jornal e o obrigou a pôr fim na experiência, “retirando-se do palco público para os estudos”. Ele então prosseguiu com seus estudos sobre o Estado e as relações legais (áreas nas quais Hegel era uma autoridade reconhecida) e em 1843 escreveu o manuscrito que foi postumamente publicado como "Crítica da filosofia do direito de Hegel", no qual desenvolveu a convicção de que a sociedade civil formava a base real do regime político, apresentando suas primeiras reflexões sobre a importância dos fatores econômicos na formação da totalidade das relações sociais. Marx iniciou então um “estudo crítico rigoroso da economia política”, apenas depois de se mudar para Paris. A partir desse momento, suas reflexões, que haviam sido basicamente de uma natureza filosófica, histórica e política, se voltaram para a nova disciplina que constituiria o cerne de sua pesquisa futura. De fato, na universidade Marx havia adquirido o hábito de compilar resumos de obras, frequentemente acompanhados por reflexões que elas lhe sugeriam. Os chamados "Manuscritos de Paris" são especialmente interessantes. Ao mesmo tempo em que fazia esses estudos, Marx fez anotações em três cadernos que seriam publicados postumamente como "Manuscritos econômico-filosóficos de 1844", no qual ele dá atenção especial ao conceito de trabalho alienado. Em direção oposta dos principais economistas e do próprio Hegel, Marx viu esse fenômeno por meio do qual a produção do trabalhador se opõe a ele como “algo estranho, como um poder independente do produtor” e não como uma condição natural ou imutável, mas como característica de uma estrutura específica de relações sociais: O modo capitalista de produção e o trabalho assalariado. Algumas das pessoas que visitaram Marx nesse período dão testemunho da intensidade do seu ritmo de trabalho. O jornalista radical Heinrich Bürgers escreve no final de 1844: “Marx iniciou investigações profundas no campo da economia política com um projeto de escrever uma obra crítica que iria refundar a ciência econômica”. Entusiasmado com a esperança de um levante social iminente, Friedrich Engels, que conheceu Marx em Paris no verão de 1844 iniciando com ele uma relação de amizade e uma solidariedade teórico-política que duraria pelo resto de suas vidas, insistiu na primeira carta de uma correspondência que duraria quarenta anos, que Marx publicasse seus textos econômicos o mais rápido possível: “Tome providências para que o material que você coletou seja publicado logo. Já está mais do que na hora!” (Engels a Marx, início de outubro de 1844). Mas o sentimento de inadequação que Marx tinha em relação ao seu conhecimento o impediu de completar e publicar seus manuscritos. Entretanto, ele escreveu com Engels "A sagrada família", uma tirada polêmica contra Bauer e outras figuras do movimento da esquerda hegeliana do qual Marx havia se afastado em 1842. Tendo publicado esse trabalho, Engels lhe escreveu novamente no início de 1845, insistindo para que o amigo completasse o trabalho em preparação. Mas a insistência foi inútil. Marx ainda sentia a necessidade de continuar seus estudos antes de dar forma final aos rascunhos que havia escrito. De qualquer modo, ele estava certo de que logo poderia publicar e no dia 1o de fevereiro de 1845 , depois de ter sido expulso da França por ter colaborado com o "Vorwärts!", um jornal publicado em alemão por trabalhadores, ele assinou um contrato com o editor Karl Wilhelm, da Darmstadt, para a veiculação de um trabalho em dois volumes a ser intitulado “Crítica da política e da economia política”. Em fevereiro de 1845 Marx se mudou para Bruxelas, onde conseguiu permissão para fixar residência desde que “não publicasse nada sobre a situação política atual”. Ele permaneceu ali até março de 1848 com sua esposa Jenny von Westphalen e sua primeira filha, Jenny, nascida em Paris em 1844. Durante esses três anos, especialmente em 1845, ele progrediu de modo frutífero em seus estudos de economia política. Em março de 1845 Marx iniciou o trabalho em uma crítica, que nunca chegou a completar, do livro do economista alemão Friedrich List sobre “o sistema nacional de economia política”. Ao mesmo tempo, Marx aprofundou-se em questões associadas à maquinaria e à indústria de larga escala. Já em Manchester, Marx examinou a vasta literatura em inglês sobre economia, uma tarefa essencial para o livro que tinha em mente. Compilou nove cadernos de citações, os "Cadernos de Manchester", nos quais novamente as principais referências eram de manuais de economia política e livros sobre a história da economia. Ainda na capital belga, além dos estudos sobre economia, Marx trabalhou em outro projeto que considerou necessário diante das circunstâncias políticas. Em novembro de 1845 ele teve a ideia de escrever com Engels, Joseph Weydemeyer e Moses Hess uma “crítica da moderna filosofia alemã como exposta por seus representantes, Feuerbach, Bruno Bauer e Stirner, assim como do socialismo alemão como exposto por seus diversos profetas”. O texto final, foi publicado postumamente com o título de "A ideologia alemã". Para rastrear o progresso da “Economia” em 1846, é novamente necessário analisar as cartas de Marx a Leske. Em agosto ele informou ao editor que “o manuscrito do primeiro volume” já estava praticamente pronto “há muito tempo”, mas que ele não “queria publicá-lo sem uma nova revisão, tanto na questão do conteúdo quanto do estilo”. Ele continua: “É claro que um escritor que trabalha sem parar não pode, no final de seis meses, publicar exatamente aquilo que escreveu seis meses antes”. Entretanto, Marx procuraria concluir o livro no futuro próximo: “A versão revisada do primeiro volume estará pronta para publicação no final de novembro. O segundo volume, de natureza mais histórica, virá logo depois”. Mas esses relatos não correspondiam ao estado real de seu trabalho, já que nenhum de seus manuscritos poderia ter sido descrito como “praticamente pronto” na medida em que o editor ainda não havia recebido nem sequer o primeiro esboço no início de 1847, decidindo assim anular o contrato. Esses atrasos constantes não deveriam ser atribuídos a qualquer tipo de descuido da parte de Marx. Ele nunca abandonou a atividade política nesses anos e na primavera de 1846 promoveu o trabalho do “Comitê de Correspondência Comunista”, cuja missão era organizar uma aliança entre as várias ligas de trabalhadores na Europa. Entretanto, o trabalho teórico sempre foi sua prioridade, como testemunham as pessoas que o visitavam regularmente nesse período. Suas notas de trabalho e seus escritos publicados fornecem provas adicionais de sua diligência. Entre o outono de 1846 e setembro de 1847 ele completou três grandes cadernos com citações, em geral relacionadas à história da economia. Em dezembro de 1864, depois de ter lido o "Système des contradictions économique ou Philosophie de la misère", de Pierre-Joseph Proudhon, que ele achou “muito fraco”, Marx decidiu escrever uma crítica diretamente em francês, para que seu oponente, que não lia em alemão, fosse capaz de entendê-lo. O texto ficou pronto em abril de 1847 e publicado em julho com o título de "Misère de la philosophie: Réponse à la Philosophie de la misère de M. Proudhon". Tratava-se do primeiro escrito publicado por Marx sobre economia política, que expunha suas ideias sobre a teoria do valor, a abordagem metodológica apropriada para uma compreensão da realidade social e o caráter historicamente transitório dos modos de produção. Enquanto os conflitos sociais se intensificavam na segunda metade de 1847, as atividades políticas exigiam mais tempo de Marx. Em junho, a Liga Comunista, uma associação de trabalhadores e artesãos alemães com filiais internacionais, foi fundada em Londres; em agosto, Marx e Engels estabeleceram uma Associação de Trabalhadores Alemães em Bruxelas; e, em novembro, Marx se tornou vice-presidente da Associação Democrática de Bruxelas, que se dividia entre uma ala revolucionária e uma parte democrática mais moderada. No final de 1847, a Liga Comunista deu a Marx e a Engels a tarefa de escrever um programa político. Pouco tempo depois, em fevereiro de 1848, esse texto foi publicado com o título de "Manifesto do Partido Comunista". Suas palavras iniciais: “Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo”, estavam destinadas a marcar o verdadeiro temor de classe da burguesia em relação à revolução socialista.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ELEIÇÕES GERAIS NO NEPAL: POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES PAVIMENTA VITÓRIA DOS MAOÍSTAS QUE ENCABEÇAM GOVERNO DE PACTO COM A BURGUESIA


No final de 2017 uma coligação de partidos maoístas encabeçada pelos Partido Comunista Unificado do Nepal (PCN – UML) e o Partido Comunista (CPN), venceu as eleições gerais e indicou o primeiro-ministro, seu principal dirigente público, K.P. Sharma Oli. Segundo artigo publicado no site do PCB “Os comunistas venceram as eleições parlamentares e provinciais no Nepal. No Parlamento, a aliança comunista terá uma maioria de quase dois terços. O governo eleito terá cinco anos de mandato e, com essa maioria parlamentar, poderá reformar a Constituição de 2015 e aplicar seu programa político”. A vitória dessa “coligação maoísta” foi possível devido sua política de colaboração de classes, que vem de décadas, como já denunciava o artigo reproduzimos abaixo, elaborado em 2007, há dez anos atrás, mas que mantém toda sua atualidade, quando polezimamos com a Liga Operária (A Nova Democracia). Tanto que o texto divulgado pelo PCB, longe de apontar o caminho da ruptura revolucionária, afirma escandalosamente que “A aposta é que um governo estável atrairá investimentos e turistas ao Nepal e que os recursos possam ser utilizados no desenvolvimento da agricultura orgânica e na energia limpa (incluindo-se a energia hidroelétrica), o que aliviará o custo da importação de energia... É uma política que aponta para a conversão da agenda comunista em agenda nacional, e que vai pressionar as classes dominantes e castas superiores a não bloquear a política de desenvolvimento social. Trata-se claramente de um projeto nacional-desenvolvimentista, dentro de um processo de longa transição para o socialismo, tendo em vista as profundas contradições da sociedade nepalesa” (Comunistas vencem as eleições gerais no Nepal, 05.01). Ao contrário dos Maoístas, apontamos que as mais elementares tarefas democráticas pendentes (unidade nacional, abolição do latifúndio, liquidação do sistema monárquico) não podem vir pelas mãos de uma aliança dos comunistas com a autodenominada “burguesia progressista” e sim pela revolução proletária em ruptura com a ordem burguesa.

FRENTE POPULAR NO NEPAL: MAOÍSTAS INTEGRAM GOVERNO BURGUÊS DE UNIDADE NACIONAL

(HOME PAGE DA LBI 16/04/2007)

No final de março, o Partido Comunista do Nepal - Maoísta (PCN - M), que encabeçou nos últimos dez anos a luta armada no país, através do Exército Popular de Libertação (EPL), conquistando grande parte do território nacional, concluiu um acordo com setores da oposição burguesa, denominada Aliança dos Sete Partidos (ASP) e os partidos que apóiam a reacionária monarquia do Rei Gayanendra, sustentada pelos EUA, Inglaterra e Índia. O PCN-M passa a integrar um governo de unidade nacional interino até a convocação das eleições, previstas para 20 de junho, para uma assembléia nacional constituinte, que deverá pronunciar-se sobre o futuro da monarquia como forma de regime político no Nepal.

O acordo foi selado pelo líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Comandante Prachanda e o tradicional político monarquista do país, membro do partido Congresso Nepalense, Girija Prasad Koirala, três vezes primeiro-ministro. As negociações foram abertas após abril de 2006, quando uma greve geral de 18 dias colocou abaixo o estado de sítio proclamado pelo rei, com o objetivo de liquidar a guerrilha maoísta.

O PCN-M terá cinco ministérios em um gabinete provisório comandado por Koirala. Pelo acordo o PCN-M irá iniciar o processo de dissolução de sua guerrilha de 15 mil homens, entregando suas armas, que ficarão sob “vigilância!” de inspetores da ONU, em 14 depósitos localizados em quartéis de Katmandu, capital do país controlada pelo exército real.

POR QUE OS MAOÍSTAS TRAEM A LUTA PELO SOCIALISMO?

A resposta a esta questão reside na própria estratégia política do maoísmo, herdada do “arsenal” da velha teoria stalinista da revolução por etapas, ou seja, primeiro estabelecer uma unidade com a “burguesia nacional” em nome da “revolução democrática” e depois, muito mais tarde, com o amadurecimento do capitalismo nativo, impulsionar a revolução socialista. A “diferença” entre a teoria clássica estalinista e o maoísmo consiste que este acredita que esta “transição” por etapas deve ser sustentada por uma organização armada que rejeite a via das eleições, como se a tática militar fosse o antídoto para evitar o velho reformismo estalinista.

Os dirigentes do PCN-M estão convencidos de que, depois de anos de luta armada para forçar a queda da monarquia, estão dadas as condições da primeira etapa da revolução e que, para isso, precisam colaborar na construção de um estado capitalista moderno no Nepal.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

PF CHEGA A CONCLUSÃO QUE “ACIDENTE FATAL” QUE VITIMOU TEORI ZAVASCKI FOI PRODUTO DE “FALHA HUMANA”: O CAPÍTULO FINAL DA FARSA "FABRICADA" NAS ENTRANHAS DO PODER BURGUÊS


A manchete de hoje do Portal das Organizações Globo, o G1, é clara “Polícia Federal não encontra ‘ato intencional’ na morte do ministro Teori Zavascki, diz delegado”. O delegado que a matéria se refere é Rubens Maleiner, que substituiu seu colega assassinado justamente para o resultado final do inquérito chegar a essa conclusão um ano após a morte do Magistrado: Segundo a PF, “a hipótese de falha humana é a 'linha principal' das apurações. Os elementos que atingimos até agora todos conduzem a um desfecho não intencional e trágico naquele voo”. O primeiro delegado que investigava o caso foi assassinado em julho de 2017, Adriano Antonio Soares. Foi ele quem abriu o inquérito policial e iniciou a investigação dos motivos que levaram a queda do avião de Zavascki, tendo conhecimento das verdadeiras circunstâncias que levaram a morte de Teori. O assassinato do delegado da PF tratou-se de uma verdadeira "queima de arquivo" na medida em que o mesmo detinha informações que se viessem a público aprofundariam ainda mais a crise do regime político e do governo Temer. Por sua vez, Teori Zavascki foi literalmente abatido em pleno voo quando se dirigia da capital paulista para um final de férias em Paraty no litoral fluminense em janeiro de 2017, há exatamente um ano atrás. Nada melhor do que forjar uma “falha humana” de um piloto extremamente experiente, um acidente "perfeito" às vésperas do reinício dos trabalhos do judiciário, justamente quando as delações da Odebrecht viriam a ser reveladas publicamente. Lembremos que já naquele momento a mídia "murdochiana" não esperou sequer o aparecimento do cadáver, martelando que não havia espaço para especulação de uma "teoria da conspiração" segundo os arautos do golpe, tratou-se de mais um acidente aéreo "corriqueiro" como o que ceifou a vida do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos em 2014. Entretanto para os Marxistas que conhecem muito bem o "jogo bruto" das elites capitalistas quando a taxa de lucro ameaça declinar, não resta a menor sombra de dúvida de que Teori foi "removido" do campo de batalha que não tolera vacilações. O falecido ministro togado mesmo seguindo a linha geral golpista resistia em conceder um indulto pleno a máfia dirigente do PMDB, da qual Temer é historicamente o "capo", as delações da família Odebrecht não estavam agradando o Planalto, apesar da forte inclinação em criminalizar o PT. Nada melhor então do que nomear um novo ministro, com o aval da quadrilha de Renan no Senado, para "depurar" das delações os fatos vinculados aos caciques do PMDB. Velado o corpo com o "luto oficial" dos próprios assassinos, logo surgiu um nome "probo" para assumir o legado de Teori no STF, sem o incomodo de atingir a anturragem do golpista Temer. Para relembrar essa polêmica fundamental reproduzimos o artigo que a LBI elaborou há um ano (Janeiro de 2017) logo depois da morte de Teori Zavascki, polemizando com a esquerda que não denunciou a trama e em silêncio mais uma vez acusou que nossas corretas conclusões não passavam de “Teoria da Conspiração”.


UMA POLÊMICA COM A ESQUERDA CRÉDULA NO REGIME: ASSASSINATO BEM ORQUESTRADO DE TEORI OU TEORIA DA CONSPIRAÇÃO?
 (BLOG da LBI, 20 DE JANEIRO DE 2017)

Enquanto a esquerda revisionista adaptada e crédula ao regime da democracia dos ricos fica em silêncio diante do “acidente” que matou o ministro do STF Teoria Zavascki (no máximo atuando como papagaios da mídia burguesa), alegando que não patrocina “Teorias da Conspiração” e desprezando o real funcionamento mafioso do Estado burguês e suas gerências de plantão, a LBI logo após a queda do avião apontou sem vacilar a ação como um assassinato planejado por Temer e sua antourragem palaciana (Jucá, Moreira Franco, Padilha, por “coincidência” os dois últimos ex-ministros da Aviação Civil...) para controlar o conteúdo das delações da Odebrecht. Esta esquerda revisionista que jura sua fidelidade aos ritos sagrados da democracia capitalista, entende que a burguesia não ousaria ultrapassar os limites das "tradicionais" manobras políticas existentes no "jogo do poder", portanto conspirações e assassinatos não poderiam fazer parte do "cardápio" das classes dominantes. A família Morenista, MAIS&PSTU etc..., devem afirmar que o "acidente" aéreo que matou o general Castelo Branco, o primeiro presidente do golpe militar, não passou de uma fatalidade e que somente "mentes poluídas" poderiam afirmar a existência de uma tal "Operação Mosquito". Voltando aos dias atuais agora a trama vai ficando ainda mais clara. Os comentaristas da Globo News vem dando suporte total a tese de que com o “acidente” o novo indicado por Temer para o STF irá necessariamente “herdar” a relatoria sobre a Lava Jato, como “manda o regimento da Corte”. No âmbito do Supremo, Gilmar Mendes já estaria articulando nos bastidores barrar qualquer medida para que houvesse uma redistribuição dos autos a outros ministros senão o indicado pelo canalha golpista. Trata-se de uma evidente operação para preservar Temer, Renan e os figurões PSDB, cujos nomes estavam em peso presentes nas delações da Odebrecht analisadas até então por Zavascki. A delação apontava os holofotes para os nomes mais importantes da gang palaciana como Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia além de ministros e parlamentares do PSDB, residualmente apontavam para nomes do PT. Vale salientar que antes do seu voo fatal nesta quinta-feira (19), Zavascki havia ido à Brasília um dia antes, na sala do terceiro andar da sede do STF, pegar os processos para análise e orientar seus auxiliares sobre a necessidade de sigilo. A sala onde foi trancafiada a delação da Odebrecht é vizinha ao gabinete da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. A viagem mortal para um hotel de luxo em Paraty ocorreu no dia seguinte a ele interromper suas férias para apressar a homologação do lote de delações da Odebrecht. Segundo o Valor Econômico (18.01, quarta-feira) “O relator da Lava-Jato, ministro Teori Zavascki, voltou nesta quarta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht. O ministro interrompeu as férias, iniciadas no fim de dezembro, quando começou o recesso do tribunal, para começar os procedimentos preparatórios para a homologação das delações. Atualmente parte do material já esta no gabinete de Teori. Mesmo durante o recesso, a equipe do ministro formada por juízes auxiliares e servidores de confiança, já havia começado a analisar o material”. O ministro estava em Paraty, viajou de quatro a cinco horas (Parati/SP/Brasília) no dia 18. Depois voltou para São Paulo, onde do Campo de Marte saiu o avião que logo veio a cair nas águas próximas a Paraty nesta quinta-feira (19). Não houve nenhum esforço do governo federal para resgatar os destroços do avião para investigação in loco, as buscas foram interrompidas por alegação de mau-tempo e somente horas depois Teori, seu “amigo-empresário” (que era réu no STF por crime ambiental) e o piloto foram retirados da água. Ordens superiores da Marinha atrasaram bastante o resgate. Imediatamente a FAB declarou que o avião que levava o ministro Teori Zavascki não tinha caixa preta, nem era obrigado a tê-la, portanto não há registro de vozes e dados do voo. Para fechar o cerco de encobrimento, a imprensa noticia que a equipe da Polícia Federal escalada para investigar a queda do avião que levava Teori é a mesma que (não) apurou o “acidente” com Eduardo Campos. Nada melhor do que forjar uma pane técnica no avião ou inabilidade do piloto diante da chuva que caia na região, um acidente “perfeito” às vésperas do reinício dos trabalhos do judiciário, justamente quando as delações da Odebrecht viriam a ser reveladas publicamente. Tem-se dito que o avião que caiu era novo e revisado, um Hawker Beechcraft King Air C90 prefixo PR-SOM, um bimotor pequeno e seguro, com um piloto experiente e com total domínio do trajeto SP-Paraty, feito quase diariamente pelo dono do avião, o empresário Carlos Alberto Figueiras. Obviamente que ocorreu uma sabotagem na aeronave, Teori não tinha nenhuma equipe de segurança que vistoriasse o bimotor e o avião era de um “amigo” particular, portanto de fácil acesso no Hangar em que ficava estacionado antes das viagens no Campo de Marte. O avião teve a ficha contendo as informações técnicas da aeronave acessada 1.885 vezes, nos últimos 16 dias. A informação foi passada por um investigador da Polícia Federal, que analisa se o avião estava sendo monitorado. Era sabido que Teori estava sendo monitorado pelo Planalto. O setor de inteligência do Supremo Tribunal Federal foi informado de que agentes secretos dispunham de detalhes dos hábitos e horários do ministro e iniciou investigação sigilosa para saber se o ministro teve telefones grampeados e que outros tipos de monitoramento era alvo. Vale registrar que o delegado da Polícia Federal Marcio Anselmo, um dos principais investigadores da Operação Lava Jato, utilizou seu perfil no Facebook para pedir uma investigação aprofundada sobre o acidente que resultou na morte do ministro Teori Zavascki. Em tom de dúvida sobre as causas do acidente, Marcio Anselmo afirma que “esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo”. Em seguida ele apagou a mensagem. Por sua vez, o filho do ministro, Francisco Prehn Zavascki, declarou que é preciso “investigar a fundo e saber se foi acidente ou não, que a verdade venha à tona seja ela qual for. Torço para que tenha sido um acidente, seria muito ruim para o país ter um ministro do STF assassinado”. Teori Zavascki não era “santo” como pretende vender a mídia e o seu séquito de bajuladores. Alertamos mais uma vez que o falecido ministro togado mesmo seguindo a linha geral golpista resistia em conceder um indulto pleno a máfia dirigente do PMDB, da qual Temer é historicamente o “capo”, as delações da família Odebrecht não estavam agradando o Planalto, apesar da forte inclinação em criminalizar o PT. Nada melhor então do que nomear um novo ministro, com o aval da quadrilha de Renan no Senado, para “depurar” das delações os fatos vinculados aos caciques do PMDB. Sem dúvida o assassinato de Teoria foi obra da anturragem palaciana de Temer, que logo indicará um nome para o STF comprometido com o Planalto e a máfia do parlamento para preservar sua gang golpista. De nossa parte não vemos nenhuma surpresa neste acontecimento, as mortes de acidentes aéreos de desafetos políticos são relativamente comuns. Por mais contraditório que possa parecer, os mais “crédulos” no funcionamento das instituições “democráticas” deste bastardo regime burguês são justamente as organizações da esquerda, incluindo neste bojo as que se reivindicam “reformistas ou revolucionárias”. Enquanto neste país a direita golpista conspira abertamente contra todos aqueles que “atravessem” seu caminho, inimigos ideológicos ou não, a esquerda jura obediência à institucionalidade, confiante na “probidade” de seus adversários mais reacionários. Os Marxistas Revolucionários da LBI alertam que o assassinato de Teori aponta para mais um acidente “fabricado” na entranhas do poder, assim como foi o acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos.Crimes e Assassinatos bem planejados são a especialidade das máfias burguesas que controlam os governos e seu aparato repressivo e de inteligência. Mas logo os “crentes” na democracia dos ricos nos acusarão de delírio, de estarmos acolhendo a mais nova versão da “Teoria da Conspiração” para atacar a famigerada Operação Lava Jato que tem o apoio da direita e de setores da esquerda como PSTU e PSOL. Para estes senhores tudo não passaria de uma mera coincidência sinistra. Estão sendo ainda divulgadas versões estúpidas que um oficial da Aeronáutica "filiado ao PT" teria orientado o piloto incorretamente para provocar o acidente no mar, tendo obtido posteriormente um habeas corpus no STF assinado por Levandovski (que estava de férias), uma versão claramente montada para desacreditar os que questionam seriamente o “acidente” que levou a morte de Teori. Não há espaço para especulação segundo esses idiotas úteis no interior da esquerda, trata-se de mais um acidente aéreo “corriqueiro” como o que ceifou a vida do ex-governador de Pernambuco em 2014 dando espaço para Marina Silva tentar derrotar a Frente Popular na disputa pelo Planalto. Por fim deixamos claro que o conjunto do STF é um colegiado serviçal dos grandes grupos econômicos capitalistas, os “ilustres” ministros desta instituição considerada o sustentáculo “ético” do atual regime na verdade tomam suas decisões em função das pugnas políticas existentes nas entranhas do poder republicano. Por isso declaramos: nenhuma ilusão nas instituições do regime político, no parlamento e no judiciário, lutemos por construir uma alternativa de poder operário e popular baseado na democracia operária dos trabalhadores em luta contra a direita e a Frente Popular!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

GREVE DOS POLICIAIS DO RN: OS MARXISTAS REVOLUCIONÁRIOS NÃO APOIAM A PARALISAÇÃO REACIONÁRIA POLICIAL POR “MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO” PARA DEFENDER A PROPRIEDADE PRIVADA E REPRIMIR OS TRABALHADORES! POR COMITÊS DE AUTODEFESA E MILÍCIAS OPERÁRIAS! GRUPO “MAIS” SEGUE A HERANÇA DO PROGRAMA MORENISTA E APOIA AS REIVINDICAÇÕES DO BRAÇO ARMADO REPRESSOR DO ESTADO BURGUÊS!


A Polícia Militar continua em greve no Rio Grande do Norte (RN) enquanto os Policiais civis decidiram voltar às atividades nesta terça (9). Os policiais reivindicavam o pagamento dos salários e melhores condições de trabalho. Dentre as dificuldades apontadas pelos PMs, estão a precariedade das viaturas, falta de munições e colete à prova de balas vencidos. No dia 4 de janeiro, os policiais militares entregaram um documento com 18 reivindicações ao comando da Polícia Militar e ao governador do estado Robinson Faria (PSD). No dia 6 de janeiro, o governador decretou calamidade na Segurança Pública. Segundo ele, o decreto iria facilitar a compra de equipamentos que melhorem as condições de trabalho dos policiais. Na verdade o quadro de barbárie social é resultado imediato da crise econômica capitalista e do ajuste neoliberal draconiano imposto pelo governo Robson Faria e a oligarquia local. A Força Nacional foi acionada e 120 homens foram enviados ao RN. Além disso, o governo federal enviou, no dia 30 de dezembro, 2,8 mil homens das Forças Armadas para reforçarem o patrulhamento das ruas. A permanência das Forças Armadas no RN termina dia 12 de janeiro. Não faltam as vozes na “esquerda” e do revisionismo trotskista em defesa da greve dos policiais no RN, os arautos do “tradeunismo” vulgar dizem que são “trabalhadores fardados” e nesta condição vítimas da exploração e arrocho salarial como os outros servidores públicos. O grupo “Mais” da ex-vereadora de Natal, Amanda Gurguel, é um dos mais destacados nesta defesa no RN. Para os militantes do MAIS, os reacionários policias são “trabalhadores do serviço público... seria correto apoiar suas reivindicações por melhores condições de trabalho”, como salários mais altos, viaturas novas, armas modernas, coletes, etc... Ao defender essas posições abjetas frontalmente contrárias ao Marxismo Revolucionário o grupo do Prof. Valério e de Amanda Gurguel , seguindo a herança morenista, choca-se com as posições de nosso mestre Trotsky que afirma claramente “O trabalhador que se torna um policial a serviço do Estado capitalista, é um policial burguês, e não um trabalhador.” (Leon Trotsky). Para o Marxismo, um policial mesmo em greve não é um aliado, não deve ser encarado como um simples “assalariado”, mas como um inimigo de classe que reivindica de seu patrão melhores condições para reprimir o povo trabalhador em meio a um período de crise econômica. Para além de um debate “teórico”, a posição do MAIS se choca com a realidade: os policiais civis e militares são nossos inimigos, uma categoria especial de “assalariados” que serve a classe dominante na repressão que seu Estado desfere sistematicamente contra os trabalhadores e a juventude, compõe uma instituição burguesa reacionária que não pode ser reformada e deve sim ser destruída em nossa luta pela Revolução Proletária. Por esta razão não devemos apoiar uma greve para que a polícia e seus membros tenham suas condições de trabalho melhoradas, seus salários aumentados e lhe dispor de mais armas para atacar o movimento de massas, os estudantes, os camponeses. A tentativa de dotar esta greve policial de alguma característica “progressiva” é absolutamente inútil. Por mais que se esforce em “glamorizar” a luta sindical dos policias, suas ações contra a classe trabalhadora, apenas reforçam o que esses “servidores públicos especiais” são treinados e pagos para fazer, ou seja, assassinar pobres e reprimir trabalhadores. Como definiu brilhantemente Trotsky, “A polícia é um inimigo cruel, inconciliável, odiado. Não há nem que se pensar em ganhá-los para a causa. Não há outro remédio que açoitá-los ou matá-los. Quanto ao exército é outra coisa...” (História da Revolução Russa, Capítulo VII, Cinco dias - 23 a 29 de fevereiro de 1917, 1930). Tentar transformar o legado teórico bolchevique, de cindir a base das forças armadas em uma etapa revolucionária a favor do proletariado, em apoio acrítico as greves reacionárias de policiais, não passa de uma “armadilha” do mais rasteiro sindicalismo vulgar praticado pelo MAIS e seus congêneres revisionistas. O “MAIS” também defende a “desmilitarização da polícia” alegando que desta forma a “população” teria o controle da corporação. Nada mais falso, como explicou o grande Bolchevique “Todas as polícias, executoras da vontade do capitalismo, do Estado burguês e de suas quadrilhas de políticos corruptos devem ser dissolvidas” (L.Trotsky, Um programa para a França). Enquanto os Marxistas Revolucionários defendem a destruição das polícias, o MAIS reivindica sua manutenção “sob o controle da população” dentro do sistema capitalista, omitindo que o Estado burguês e sua polícia são controlados pela burguesia contra a classe trabalhadora e não para defender os interesses da “população no abstrato”. Como se pode ver, a tese destes “mestres” do oportunismo choca-se totalmente com o Marxismo Revolucionário, tanto que chegam ao ponto de patrocinar ilusões de que no capitalismo e sob um regime político burguês os trabalhadores iriam controlar a assassina oficialidade policial através de reuniões democráticas! Ao se acreditar nesse “conto de fadas” o MAIS no fundo vende a ilusão de que não precisamos mais de uma Revolução Operária e Socialista violenta, do armamento proletário e da destruição das instituições burguesas para liquidar o Estado capitalista, bastaria votar na “esquerda”, “radicalizar a democracia” e eleger gerentes “éticos” como os candidatos do PSOL para se chegar “Socialismo”. Esse “Marxismo crítico” que o MAIS e o Prof. Valério defende em suas cátedras, tão simpático e domesticado, pode atrair os mais desavisados, corrompidos e adaptados a democracia burguesa, mas definitivamente são posições aberrantes que não tem serventia alguma no combate social, político e ideológico do proletariado e da juventude combativa para derrocar o Estado burguês e marchar na construção do Comunismo sob os escombros do Estado capitalista!


Os policiais, como uma categoria social, realmente são assalariados (e na sua grande maioria de origem proletária) e nisto se resume seu único “denominador comum” com os trabalhadores. Como um destacamento de “serviços especiais” do Estado burguês, os policiais não fazem parte da classe trabalhadora, como demonstrou o próprio Lenin, em seu excepcional artigo sobre os serviços de “inteligência” do regime tsarista. A polícia cumprindo a função social de um destacamento armado para preservar a propriedade privada dos meios de produção, jamais poderia ser considerada parte integrante da classe trabalhadora, pelo menos para os que têm referência no marxismo. Do PT ao PSOL, passando pelo PSTU, MAIS e outros grupos revisionistas menores todos tem em geral a mesma posição de apoio a greve policial. Nós Bolcheviques Leninistas entendemos que as atuais greves da PM, estão muito distantes de assumirem uma feição de “motim”, contra a cúpula militar ou mesmo contra as “autoridades” constituídas. Não voltaram suas armas contra nenhum comandante ou governador, não tomaram quartéis ou sequestraram oficiais. Esta greve policial não “ousou” quebrar qualquer hierarquia substantiva e tampouco teve qualquer móvel democrático contra as próprias barbaridades cometidas diariamente pela tropa contra a população oprimida, com aval do alto comando militar e dos governos eleitos “democraticamente”. A “luta” dos policiais se limita ao eixo de uma recomposição salarial, fomentada pelos altos gastos orçamentários com a “segurança pública”, leia-se com a preservação da propriedade privada dos meios de produção, de uma elite corrupta e que cada vez mais concentra renda em nosso país e teme a “ira dos marginalizados” deste regime bastardo. A tentativa de dotar esta greve policial de alguma característica “progressiva” é absolutamente inútil. Por mais que a esquerda revisionista se esforce em “glamorizar” os cães raivosos das PMs, suas ações durante o movimento apenas reproduziram o que são treinados e pagos para fazer, ou seja, assassinar pobres e reprimir trabalhadores. Como definiu brilhantemente o “velho” bolchevique L. Trotsky, em uma polêmica com Stalinistas alemães, acerca do suposto caráter “proletário” dos policiais: “O fato de que a polícia foi originalmente recrutada em grande número dentre os trabalhadores social-democratas não quer dizer nada. Aqui também a consciência é determinada pela existência. O trabalhador que se torna um policial a serviço do Estado capitalista, é um policial burguês, e não um trabalhador...” (Questões vitais para o proletariado alemão, 1932). Os soldados e cabos da PM, nada tem a ver com os recrutas e militares de baixa patente das forças armadas, os primeiros são membros de uma instituição policial, militarizada ao gosto dos regimes autoritários, os segundos são militares de fato e pertencem ao exército nacional. Deixemos que o próprio Trotsky exponha esta questão: “A multidão demonstrava um ódio furioso contra a polícia. A polícia montada era recebida com vaias, pedras, pedaços de ferro. Muito distinta era a atitude dos operários com relação aos soldados... A polícia é um inimigo cruel, inconciliável, odiado. Não há nem que se pensar em ganhá-los para a causa. Não há outro remédio que açoitá-los ou matá-los. Quanto ao exército é outra coisa...” (História da Revolução Russa, 1930). Tentar transformar o legado teórico bolchevique, de cindir a base das forças armadas, em uma etapa revolucionária, a favor do proletariado, em apoio acrítico a uma greve reacionária de policiais, não passa de uma “armadilha” do mais rasteiro sindicalismo vulgar praticado pelo PSTU, MAIS, TPOR e seus congêneres revisionistas. Somente revisionistas mais decompostos podem acreditar que a função da polícia em uma sociedade de classes é cuidar da “segurança pública”, de todos os cidadãos independente de sua posição na cadeia produtiva. A verdadeira “proteção” da polícia é dada apenas à burguesia nos momentos em que se sente “ameaçada” de seus lucros pelas lutas do proletariado. Para Trotsky, “inclusive as frações mais avançadas (do exército) não passarão aberta e ativamente para o lado do proletariado até que vejam com seus próprios olhos que os operários querem lutar e são capazes de vencer (“Aonde vai a França?”). Ou seja, a unidade do proletariado mesmo com os setores mais avançados do exército só se dará em situações pré-revolucionárias. No entanto, na falta do proletariado em cena, os epígonos pseudotrotskistas seguem a reboque dos interesses reacionários dos oficiais da polícia capixaba. Por fim alertamos, os revolucionários não precisam apoiar a reacionária greve dos policiais, para defenderem as liberdades democráticas contra a fascistização do regime. É preciso opor-se às prisões e demais punições dos policiais grevistas pelo Estado patronal, porque tais medidas visam a fortalecer a repressão estatal, que mais tarde se voltará contra os trabalhadores. Apesar das greves das polícias objetivamente potenciarem um quadro de desagregação do Estado burguês, inclusive em um setor vital, como suas forças repressivas, não é apoiando as reivindicações da polícia a melhor forma de acelerar a fissura aberta no seio das próprias classes dominantes. Ao contrário de subordinar as organizações de massas à reacionária greve policial, como fazem os reformistas de todos os matizes, é preciso convocar a mobilização dos trabalhadores, rechaçar a repressão aos saques populares e incentivar a formação de comitês de autodefesa e milícias operárias, educando o proletariado para a necessidade da destruição do aparato repressivo do Estado burguês, única via que poderia inclusive forçar uma ruptura revolucionária na hierarquia militar.  

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

8 DE JANEIRO DE 1996: MORRE FRANÇOIS MITTERRAND, O CHEFE DA FRENTE POPULAR FRANCESA QUE COOPTOU A OCI DE PIERRE LAMBERT


Em 8 de Janeiro de 1996 morria François Mitterrand, principal nome público do Partido Socialista francês. Ele foi candidato a presidente da França, em 1965, sendo derrotado por Charles de Gaulle. Formou em 1972 uma frente popular do PS com o Partido Comunista francês dirigido por Georges Marchais. Perdeu novamente as eleições para presidente em 1974, desta vez para Valéry Giscard d'Estaing. Venceu por fim em 1981, encabeçando um governo de colaboração de classes. Comandou o governo de Frente Popular na França durante 14 anos na função de presidente da República, começando em 1981 e finalizando em 1995, enquanto convivia com os partidos burgueses tradicionais que por várias vezes indicaram o primeiro-ministro. Sua longa gestão burguesa foi responsável por conter a luta de classes no país e cooptar dirigentes do Lambertismo como o ex-primeiro ministro Lionel Jospin e o deputado Cristophe Cambadélis, ambos corrompidos pela ascensão do governo pseudo “socialista” a partir do começo da década de 80. A OCI francesa, em meados dos anos 70, inicia um processo de “entrismo profundo” no interior do Partido Socialista. Com a justificativa de aproximar-se da classe operária, a corrente lambertista estabeleceu não só relações políticas com a social democracia, mas fundamentalmente vínculos materiais que a destruíram como organização trotskista. Quadros da OCI ascenderam na estrutura do PS francês, corrompendo ideológica e programaticamente o lambertismo até à medula. Nessa linha, Pierre Lambert apoiou a candidatura presidencial de Miterrand em 1981, política também seguida por Nahuel Moreno que depois rompeu com Lambert cinicamente acusando-o de fazer seguidismo aos “campos burgueses progressistas”, no caso, ao PS francês durante o governo social-imperialista de Miterrand. O agrupamento de Lambert liquidou-se como corrente trotskista a partir de sua capitulação vergonhosa ao governo de Miterrand, tornando-se a partir de então e em todas as partes, mero assessor de esquerda da social democracia, como a corrente OT no Brasil. A posição da posição da OCI diante da gestão burguesa da Frente Popular era de que “partir hoje da denúncia frontal do conteúdo burguês do governo Mitterrand-Mauroy seria abandonar o combate contra as ilusões no terreno das ilusões" (A Luta de Classe, nº 7, Revista da OSI, atual "O Trabalho"). Durante a gestão de Miterrrand, a corrente lambertista foi rebatizada com o nome de PCI e depois dissolve-se em um amálgama ultra-oportunista chamado nacionalmente de PT, em uma homenagem à “exitosa experiência do PT brasileiro”. No campo internacional, passam a apresentar-se como Acordo Internacional dos Trabalhadores, ACT, uma espécie de “entidade sindical” que abriga, inclusive, membros da reacionária AFL-CIO norte-americana. Como podemos ver, Miterrand além de comandar uma gestão burguesa de colaboração de classes, liquidou com o chamado “trotskismo” francês em suas mais diversas variantes.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

95 ANOS DO TESTAMENTO DE LENIN: "STALIN É DEMASIADO BRUTO...E DEVE SER REMOVIDO"


Na primeira parte do Testamento, Lenin avançou para a necessidade de fazer aumentar o efetivo do Comité Central impulsionando a entrada de operários e camponeses (50-100 dos membros), e também esboçou retratos de dirigentes do partido para os candidatos a sua sucessão. "Stalin concentrou um imenso poder como Secretário Geral" e Lenin interroga-se até que ponto ele saberá utilizá-lo com precaução suficiente. Leon Trotsky é apresentado como o dirigente mais capaz do Comité Central, mas "peca por um excessiva segurança e uma visão demasiado administrativa das coisas". Em seguida, vêm Zinoviev e Kamenev, cujos, Lenin, recorda que não é por acaso que se opuseram à tomada do poder em Outubro. Bukharin e Piatakov são mais notáveis dos jovens membros do Comité central. Mas o primeiro tem algo de "escolástica" nos seus raciocínios e as capacidades do segundo são mais de ordem administrativa do que política. A última adição ao testamento de 4 de Janeiro de 1923 Lenin é muito mais forte: “Stalin é demasiado bruto”. Lenin propõe, portanto, considerar maneiras de substituir o Secretario-Geral por um companheiro "mais tolerante, mais leal, mais educado e mais atento aos camaradas".

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

NENHUM APOIO ÀS MANIFESTAÇÕES PRÓ-IMPERIALISTAS NO IRÃ APOIADAS POR TRUMP, ISRAEL E ARÁBIA SAUDITA! DERROTAR A OPOSIÇÃO "MADE IN CIA" E CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA AO REGIME REACIONÁRIO DOS AIATOLÁS!


Pequenas e violentas manifestações ocorrem desde 28 de dezembro nas ruas de grandes cidades iranianas como Teerã, Mashhad, Isfahan e Rasht. O Presidente iraniano, Hassan Rohani, destacou que os protestos foram provocados não apenas por dificuldades internas, mas também por incitações do exterior. De acordo com mídia local, cerca de 21 pessoas já morreram em meio as manifestações. Tudo sugere que sejam o primeiro estágio de uma grande operação comandada pelo imperialismo ianque, Arábia Saudita e Israel com a ajuda de grupos de terroristas locais, como ocorreu na Líbia de Kadaffi e na Síria de Assad. Os protestos começaram em várias cidades no mesmo momento. Não é agitação local espontânea numa só cidade: claramente os movimentos são coordenados. Quando os trabalhadores estão em dificuldades, quaisquer poucos milhares de dólares bastam para criar multidões de ‘indignados’. Pequenos grupos especialistas causam agitação e tumultos que logo ganham destaque na mídia internacional. Como trotskistas sabemos muito bem que regimes nacionalistas burgueses não hesitam em atacar sua própria classe operária quando a questão em jogo é a eliminação socialista de seus privilégios de classe. Mas o que acontece agora no Irã não é a insurreição das massas contra um regime nacionalista decadente e sim uma ofensiva imperialista contra as conquistas das massas oriundas de um regime nacionalista. Por esta razão dizemos que cabe lutar em frente única com as forças do regime para derrotar o imperialismo e seus agentes internos, forjando nesta trincheira de luta as condições para construir um partido revolucionário e internacionalista capaz de agrupar o melhor da vanguarda para, depois de derrotada a ofensiva imperialista, marchar contra o regime burguês islâmico e reacionário que mantém intocável o modo de produção capitalista. Seguindo o legado de Trotsky e particularmente seus ensinamentos quando esteve exilado no México no final dos anos 30 sob o governo de Cuauhtémoc Cárdenas, a LBI honra neste momento o “velho” que soube de forma principista “andar sob o fio da navalha” ao denunciar a ofensiva reacionária da direita e do imperialismo, chamando a derrotá-la enquanto se delimitava programaticamente com o nacionalismo burguês mexicano. Trotsky presenciou diretamente nos últimos anos de sua vida várias manifestações “populares” reacionárias contra as nacionalizações feitas pelo governo burguês do general Cárdenas. Na época, a oposição pró-imperialista afirmava que Cárdenas era um “ditador”, a mesma cantilena que usaram contra Kadaffi, Maduro, Assad e mesmo os Aiatolás. Ainda assim o dirigente bolchevique se recusou a embarcar pela vereda fácil do falso radicalismo “ortodoxo”, sendo torpemente acusado de ter se “vendido” a Cárdenas, inclusive por dirigentes da própria Quarta Internacional. Fazendo um paralelo histórico, é a essa encruzilhada dramática que está submetido o Irã hoje. Nesse combate, os trotskistas da LBI, sem alimentar falsas ilusões no regime dos Aiatolás, lutam em unidade de ação com as forças do regime, com total independência política, para derrotar a contrarrevolução travestida de “democrática”.

120 ANOS DO NASCIMENTO DE PRESTES E 38 ANOS DO LANÇAMENTO DA "CARTA AOS COMUNISTAS": UMA CONTUNDENTE DENÚNCIA HISTÓRICA DA POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DO PCB


""Companheiros e amigos!

De regresso ao Brasil, pude nos meses já decorridos, entrar em contato direto com a realidade nacional e melhor avaliar os graves problemas que enfrenta o PCB, o que me leva ao dever de dirigir-me a todos os comunistas, a fim de levantar algumas questões que, em minha opinião, tornaram-se candentes para todos os que, em nosso País, de uma ou de outra forma, interessam-se pela vitória do socialismo em nossa Terra. E é baseado no meu passado de lutas e de reconhecida dedicação à causa revolucionária e ao PCB, que me sinto com a autoridade moral para dizer-lhes o que penso da situação que atravessamos.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

2018 ANO KARL MARX: DUZENTOS ANOS DE UMA VIDA E OBRA DEDICADAS AO PROLETARIADO MUNDIAL!


O genial Karl Heinrich Marx, foi o segundo de 9 filhos, nasceu no dia 5 de maio de 1818, em Tréveris (na época Reino da Prússia), em uma família judaica de classe média. Em 1830, mesmo ano em que eclodiram na Europa diversas revoluções, foi estudar na Liceu Friedrich Wilhelm, mais tarde, ingressou na Universidade de Bonn no curso de Direito, transferindo-se um ano depois para a Universidade de Berlim, tendo como professor e reitor o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Em Berlim, é preso por “perturbar a ordem com alarido noturno e bebedeira” e indiciado por “porte ilegal de arma”.