quinta-feira, 30 de novembro de 2017

“NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO” DEFINHA E VIRA “TRANSIÇÃO SOCIALISTA”... MELHOR SERIA “REAÇÃO CAPITALISTA”: EM NOME DE COMBATER O PT NASCE COMO DEFENSORES DO JUDICIÁRIO E DA ULTRA-PRIVILEGIADA MÁFIA DE TOGA 


O grupo Negação da Negação (cujos raros membros vivem defendendo nos atos da CSP-Conlutas a “Prisão de Lula Já!”) ... anunciou que agora chama-se “Transição Socialista”. Ao definhar, avaliou que era melhor trocar de embalagem: “Mudamos de nome também, é inegável, para virar certas páginas, incorporar certos balanços e corrigir certos erros do passado”... No final da década passada, NN tentou legalizar-se como partido político e seu "esforço" redundou em um profundo fracasso! Novo rótulo, velha política de apoio as mais reacionárias e privilegiadas instituições do regime político burguês, como o Judiciário. Se antes, como NN, aplaudiam as ações da PF contra o PT, agora saem em defesa do Judiciário e pasmem, apoiam os super-salários da máfia de Toga (no Brasil recebem mais de 100 mil reais por mês, como é o caso de Moro) em nome da “autonomia dos poderes”! Melhor seria um novo nome de “batismo”...“Reação Capitalista”!  Sob o pretexto de combater o PT, os palhaços do “Transição” ou melhor “Reação” caem nos braços do fascistóide Juiz que comanda a “República de Curitiba”! Transitam a adoradores da famigerada Lava Jato e suas ações de perseguição política que avançam para o estabelecimento de um regime de exceção no Brasil, onde o Judiciário em parceria como o Ministério Público prende quem bem entende (sem necessidades mesmo de provas apenas das chamadas “delações premiadas”), servindo diretamente os interesses do imperialismo! Vamos transcrever literalmente a “pérola” que escreveram no artigo “Mais uma vez: RJ como retrato da nação” (TS, 27.11): “O judiciário é o último fio de sustentação do regime democrático-burguês, que está sendo solapado pela inepta proto-burguesia nacional e seus representantes corrompidos. Ao atacar o judiciário nesta conjuntura, PT e asseclas aceleram o estouro de um dos últimos fios de sustentação do regime democrático-burguês e criam as condições para um regime mais violento. É digno de nota, aliás, que o fato de os juízes serem assalariados é uma conquista democrática da luta da classe trabalhadora sob a ordem capitalista.... O fato de os juízes serem assalariados, não faz, é claro, com que sua instituição exista para agir a favor da classe trabalhadora — os juízes seguem leis democrático-burguesas dentro de um Estado burguês. Mas o fato de serem assalariados produz, numa democracia-burguesa, uma relativa autonomia do poder judiciário diante dos demais poderes do Estado. Essa relativa autonomia, amparada materialmente num setor com interesses salariais-corporativos próprios — que é parte dos funcionários públicos —, permite haver dentro dela ressonâncias da luta de classes, algumas a favor do proletariado”. Pasmem, mais esses canalhas se dizem de “esquerda”, balbuciam inclusive o nome de Trotsky! Alegam que o Judiciário é um sustentáculo, um bastião do regime democrático, reproduzindo como papagaios o discurso de Moro e Delagnoll, quando na verdade é a mais reacionária instituição da república burguesa (ao lado das forças de repressão) servindo para perseguir os trabalhadores e suas lideranças políticas, independente das diferenças que tenhamos com elas. Por mais divergências que tenhamos com Lula e o PT sabemos que não são os sinistros órgãos de repressão do Estado burguês e o reacionário Judiciário que devem julgar o ex-presidente petista, na medida em que como marxistas não reconhecemos nestes organismos capitalistas o poder para perseguir e condenar lideranças oriundas do movimento operário, por mais degeneradas e corrompidas que sejam. Esta tarefa cabe ao movimento de massas e seus organismos políticos, como parte da superação da plataforma de colaboração de classes da Frente Popular. Em verdadeiro “Transi” contrarrevolucionário defendem a Lava Jato alegando que por “ressonâncias da luta de classes” esta casta burguesa ultra-privilegiada e reacionária, composta por Juízes como Sérgio Moro ou Marcelo Bretas, agem “a favor do proletariado”! Quem deveria passar por uma “ressonância” no cérebro são esses imbecis! Pior que ainda deformam Marx para dar ares “´teóricos” as suas piruetas políticas de apoio a máfia de Toga! Os genuínos trotskistas lutam pela destruição revolucionária do Estado burguês e para implodir sua justiça de classes em particular, amplamente conhecida pelos trabalhadores como um antro de nababos que negociam sentenças e servem aos patrões e aos governos burgueses para atacar o movimento de massas. Só estúpidos mentais como os membros da “Reação Capitalista” defendem essas teses próprias de adoradores mais empedernidos do Estado burguês! 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

ULTIMATO DOS PROCURADORES DA "LAVA JATO" ÀS ELEIÇÕES DE 2018: É NECESSÁRIO UMA MUDANÇA DO REGIME POLÍTICO, COM MORO NA CABEÇA DO PLANALTO


Ocorreu no último dia 27/11, segunda-feira, um inusitado encontro nacional sediado na "Cidade Maravilhosa", trata-se do encontro dos Procuradores Federais da famigerada "Operação Lava Jato". Com "forças tarefas" já bem estabelecidas com suporte logístico em três cidades do país (Curitiba, São Paulo e Rio), os Procuradores da "LJ" partem agora para criar sua própria "Liga da Justiça", ou seja, um aparato independente e autônomo no interior do próprio Ministério Público Federal. Esta nova "entidade" (paraestatal) tem como objetivo estratégico estabelecer uma parceria ideológica e política com os juízes federais focados supostamente na "faxina dos políticos corruptos" e que em última instância (pelo menos até mudarem a Constituição de 1988) é quem detém o poder condenatório e a maior visibilidade midiática para a opinião pública. O escolhido para ser o porta-voz da famigerada "Liga" não poderia ser outro a não ser o braço direito do "justiceiro" Sérgio Moro, o Procurador Deltan Dallagnol, uma espécie de pregador fanático messiânico com uma "missão divina" que lhe teria sido revelada pelo demiurgo: "Inicie uma santa cruzada contra tudo que lhe parecer ser de esquerda ou mesmo de direita mas que tenha se associado a esta em algum momento". Com esta missão gravada em sua mente, Dallagnol externou o objetivo central do tal encontro em forma de ultimato político:"2018 é a batalha final da Lava Jato porque as eleições de 2018 determinarão o futuro da luta contra a corrupção do nosso país. Deputados federais e senadores que determinarão se existirão ou não retrocessos na luta contra a corrupção e se existirão reformas e avanços que possam nos trazer um país mais justo com índices efetivamente menores de corrupção e de impunidade". Obviamente Dellagnol negou que qualquer um dos Procuradores da "Liga" tenha qualquer objetivo eleitoral para 2018, mas a afirmação sutilmente não excluiu Moro, que é juiz e não membro do MPF. A primeira pergunta que pode vir à tona feita por qualquer leigo ou o mais ingênuo dos cidadãos brasileiros: por que membros do complexo judiciário do país lançam um manifesto político para as eleições gerais do ano que vem? A resposta também é única: pretendem se imiscuir no processo eleitoral, de uma forma ou de outra! Sob o manto do "combate a corrupção" a instituição mais corrupta do país, o "poder judiciário", pretende assumir as rédeas institucionais do Estado diante da falência da república burguesa e da crise dos seus mecanismos de representação parlamentar. A este fenômeno político, os Marxistas chamamos de Bonapartismo de toga, ou um regime de exceção democrática sob as bênçãos do judiciário. Lógico que tais pretensões políticas dos "ilibados" membros da justiça devem estar em consonância com os interesses econômicos do imperialismo, que na impossibilidade conjuntural de impor um regime militar no país (como fez em 1964), agora sonha em implantar uma "Ditadura da Toga" totalmente alinhada com o ajuste rentista já em pleno curso no Brasil. A ode que os Procuradores da "Liga" fizeram em favor das "reformas" soa como boa música nos ouvidos dos "investidores internacionais" (rapineiros do capital financeiro) sediados em Wall Street. Porém a mudança de um regime político, como a nossa paródia democrática, ou se dá através de um golpe militar (recurso de última instância para a burguesia neste momento) ou pelos próprios mecanismos eleitorais. Para esta mudança ocorrer é necessário como primeiro passo ocupar o governo central e a partir daí, com a legitimidade das urnas, instaurar um novo ciclo autoritário que substitua o colapso histórico da chamada "Nova República". Nesta direção a burguesia nacional, associada ao imperialismo, já tratou de retirar do cenário eleitoral os personagens fadados a um fiasco eleitoral diante do enorme potencial de Lula. Foram previamente "eliminados" da corrida ao Planalto, "fakes" como Doria e Hulck, ficando no terreno das possibilidades apenas o tucano Alckmin. Mas todos sabem que o PSDB, sujo até a medula no antro do governo Temer, não é páreo para o PT.  Resta a "alternativa Moro", um casamento perfeito entre uma vitória eleitoral contra Lula e na sequência a imposição de um novo marco constitucional regressivo, por meios de PEC's ou mesmo pela convocação de uma nova assembleia constituinte. É verdade que Moro resiste pessoalmente a ideia de ser candidato à presidência, muito em função de suas características toscas, mas se for "convocado" pelo Departamento de Estado dos EUA (onde foi treinado para atacar o PT) não hesitará em assumir a tarefa. Resta ao movimento de massas estar preparado politicamente para enfrentar na próxima etapa a ofensiva reacionária da toga contra suas conquistas sociais, não no campo do inimigo de classe e sim no terreno da ação direta revolucionária.
DO GOLPE “CONSTITUCIONAL” DE 2009 A MAIS UMA TENTATIVA DE GOLPE “ELEITORAL” EM 2017: HONDURAS É PALCO DE UMA NOVA FRAUDE PARA IMPEDIR A VITÓRIA DO CANDIDATO DA CENTRO-ESQUERDA BURGUESA, SALVADOR NASRALLA NA “ALIANÇA” APOIADA POR MANUEL ZELAYA


As feridas do golpe “constitucional” cívico-militar contra o presidente Manuel Zelaya, deposto em junho de 2009 pouco antes da realização de um referendo para a mudança na Constituição do país que entre outros temas abordaria a possibilidade da reeleição presidencial, estão mais abertas do que nunca em Honduras. Os resultados oficiais das eleições presidenciais ocorridas neste domingo, 26 de novembro, indicam um empate técnico entre as duas principais candidaturas a presidência de Honduras, o neoliberal presidente Juan Orlando Hernández e o representante da centro-esquerda burguesa Salvador Nasralla, apoiado pelo ex-presidente Manuel Zelaya deposto em 2009. Ambos se declararam vencedores das eleições de domingo. Essa realidade é expressão de uma grotesca fraude eleitoral para impedir o candidato “Aliança” apoiado pelo Partido Libre (Liberdade e Refundação) que Zelaya seja proclamado presidente. A mafiosa cúpula do TSE claramente manipulou os resultados da apuração para permitir que o candidato à reeleição Juan Orlando Hernández, do PN (Partido Nacional) se declarasse antecipadamente eleito, tentando assim impor um fato consumado. A longa espera alimenta as suspeitas sobre o órgão eleitoral que, sob o argumento de aguardar para ter um maior número de votos apurados, tenta fazer uma virada de mesa na apuração que índica uma pequena diferença em favor de Nasralla que vem diminuindo com o passar dos dias. Os candidatos também decidiram colocar mais pressão e ambos se declararam ganhadores mobilizando seus seguidores. “Ganhamos as eleições, é o que dizem as pesquisas de boca de urna”, disse o atual presidente, Juan Orlando Hernández. Ele concorreu à reeleição graças a uma decisão tomada pela Corte Suprema em 2015 permitindo sua candidatura, apesar dos protestos da oposição, que considera a medida inconstitucional. No lado oposto, as imagens também eram de teatral alegria. “Houve fraude, não é possível que haja seções onde temos zero votos”, protestou o candidato Salvador Nasralla que se apresentou diante dos hondurenhos ao lado da esposa, a quem chamou de “primeira-dama”. Segundo seus dados, ganhou por por uma diferença de mais de 100.000 votos. “É preciso ser descarado para fazer o que estão fazendo”, disse. “Ganhamos as eleições. Temos mais votos que Juan Orlando Hernández. Em 2013, a fraude contra Xiomara Castra esteve nas urnas, mas desta vez não se pode ocultar”, denunciou o ex-presidente Manuel Zelaya, que disse ter tido acesso às 3.000 urnas apuradas. Apesar da fraude, o embaixador da França, integrante da delegação de mais de 600 observadores internacionais coordenados pela famigerada OEA, endossou a limpeza do processo e disse que a votação foi realizada com “calma” e “transparência”, o que revela a posição do imperialismo de legitimar o “golpe eleitoral”. O candidato Salvador Nasralla concorre pela Aliança de Oposição contra a Ditadura. A coligação, que inclui o partido de Zelaya, Liberdade e Refundación (Livre), foi formada após a decisão do supremo que permitiu a reeleição de Juan Orlando. Pela mesma legenda concorre a uma vaga no Congresso a candidata Olivia Zúñiga Cáceres, filha da ecologista Berta Cáceres, assassinada em março de 2016. Nasralla convocou protestos contra a “fraude eleitoral”. Aos Marxistas Leninistas cabe mais uma vez a tarefa de denunciar a fraude desatada pelo governo golpista, o TSE e o imperialismo, demonstrando que a oposição democrática burguesa encabeçada por Salvador Nasralla, Zelaya e sua “Aliança”, tragicamente colaboraram para a consolidação da estratégia da oligarquia golpista e da Casa Branca, sabotando a reação operária em favor de negociações sob os auspícios da Casa Branca. Para barrar efetivamente a fraude faz-se necessário que os trabalhadores saiam às ruas para derrotar seus inimigos de classe. Mas desgraçadamente não é esta a política de Zelaya e Salvador Nasralla.  A perspectiva revolucionária passa fundamentalmente por construir uma alternativa de poder dos trabalhadores, forjando no interior da vanguarda classista o embrião de um autêntico partido revolucionário. Nesse combate, é necessário ter como estratégia a defesa de um Governo Operário e Camponês em Honduras, única via capaz de libertar o país da dependência econômica norte-americana, parido como parte da luta pela revolução proletária mundial, que exproprie a burguesia em todas as suas facetas e derrote o imperialismo no continente!
HÁ 1 ANO DO DESASTRE AÉREO, CONFIRMOU-SE PLENAMENTE O QUE A LBI DENUNCIAVA: CARTOLAS DA CHAPECOENSE, CBF E CONMEBOL SÃO OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS PELA TRAGÉDIA... FAMILIARES ABANDONADOS PELA DIREÇÃO DO CLUBE, ALÉM DE NÃO RECEBEREM AS INDENIZAÇÕES E SEGUROS!


29 de Novembro de 2016, há exatamente um ano ocorreu o desastre aéreo com o avião do time da Chapecoense. Enquanto a mídia capitalista explorava a tragédia, sem denunciar os verdadeiros responsáveis pela morte dos jogadores, a LBI denunciava que os cartolas que controlavam a equipe de futebol de Santa Catarina e seus “parceiros” da CBF e CONMEBOL eram os verdadeiros culpados pelo desastre, ao contratarem um aeronave sem condições de vôo para economizar os custos. Só as famílias dos 19 jogadores mortos receberam um seguro e, mesmo assim, ainda esperam as indenizações ao lado dos familiares das demais vítimas que não receberam nada até agora. Eles tampouco sabem quem são os responsáveis pelas negligências que levaram a aeronave a ficar sem combustível e despencar nas montanhas colombianas porque a “Justiça” da Colômbia, Brasil, Venezuela e Bolívia encobre que são os verdadeiros donos do “Jumbolino” e “empurra com a barriga” as apurações. Contratada pela Chapecoense para fretar o voo a Medellín, onde o time de Santa Catarina enfrentaria o Atlético Nacional, na final da Copa Sul-Americana, a empresa boliviana LaMia se encontra em um “deserto jurídico”, de acordo com a definição especialistas que acompanham o caso. Cinicamente, no Brasil, a única conclusão do Ministério Público é de que a Chapecoense não tem culpa pelo acidente. Familiares alegam que o clube teria sido imprudente ao contratar a LaMia para transportar a delegação em rotas internacionais. A seguradora Bisa, que tinha contrato com a LaMia, se recusa a pagar integralmente o valor da apólice do seguro, estipulada em 80 milhões de reais (20,8 milhões de euros), por entender que uma falha humana – do piloto, que errou o cálculo de combustível – causou o acidente. Na última reunião com representantes das vítimas, a Bisa ofereceu um acordo em que pagaria 645.000 reais (168.000 euros) a cada família. A proposta foi rejeitada. Como obsevamos os interesses capitalistas estão acima da vida, tanto dos jogadores falecidos no desastre, como da sobrevivência de seus familiares!

DIREÇÃO DO TIME DA CHAPECOENSE É A RESPONSÁVEL DIRETA PELA TRAGÉDIA AO FRETAR A BAIXO CUSTO UM AVIÃO (JUMBOLINO) SEM AS MENORES CONDIÇÕES TÉCNICAS VOAR PARA A COLÔMBIA

(Blog da LBI, 30 de Novembro de 2016)

Os verdadeiros responsáveis pelo acidente aéreo que vitimou 71 pessoas, quase a totalidade do time de futebol da Chapecoense e os jornalistas que iam cobrir o jogo da Copa Sul-Americana na Colômbia são os cartolas da Chapecoense, da CBF e da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol). Os dirigentes do clube catarinaense em nome do baixo custo de locação da aeronave optaram por contratar uma companhia “aeropirata” (LaMia) cujo avião tinha péssimas condições de uso, basta saber que havia deixado de ser fabricado em 2002, há 17 anos. O piloto, um venezuelano, era o proprietário da própria empresa familiar, proibida de voar na Venezuela por questões de segurança, mas que conseguiu uma licença para operar na Bolívia como “operador de pequeno porte”. Por se tratar de uma verdadeira “sucata aérea” o aluguel do Avro RJ-85 (popularmente conhecido como Jumbolino) custou R$ 500 mil enquanto especula-se que as outras companhias aéreas brasileiras (TAM e GOL) cobraram 4 vez mais, R$ 2 milhões para fazer o trajeto Guarulhos-Medellín de forma mais segura e menos desgastante. Na Copa Sul-Americana (promovida pela CONMEBOL) os times pagam as despesas com deslocamento e hospedagem, recebendo suas “cotas” depois das partidas, o que gera ainda mais pressão pela redução dos custos com viagens e hotéis. Como a ANAC não permitiu o vôo da LaMia no Brasil, a direção do time decidiu irresponsavelmente em função da ânsia de reduzir custos, que os jogadores da Chapecoense (que estavam em São Paulo devido a partida de domingo com o Palmeiras) voariam em avião de carreira para Bolívia (Santa Cruz de la Sierra) e de lá embarcariam rumo a Colômbia (Medellín) na companhia “aeropirata” venezuelana, dona do avião que caiu. Aqui prevalece de forma cristalina a lógica capitalista da busca da maior taxa de lucro, sacrificando a segurança dos jogadores e da comissão técnica, os trabalhadores do futebol. Não por acaso, o presidente da Chapecoense, assim como o prefeito da cidade paranaense não embarcaram na temerária aeronave. Mesmo sem grandes conhecimentos técnicos em aeronáutica, fica evidente que o jato apelidado de “Jumbolino” não possuía condições mínimas de transporte em longas distâncias, sem maior reserva de combustível e com lotação e peso máximo a bordo. Um avião fora de linha e “remontado” por outra empresa representa sempre um risco de vida a sua tripulação e passageiros, mas foi fretado levando em conta seu baixo custo. A fabricante inglesa chegou a vender quase 500 aeronaves deste modelo, porém a grande maioria destes jatos já estão “aposentados”, a cartolagem da Chapecoense fretou uma das poucas unidades em atividade que tinha tradição em transportar equipes de futebol na América do Sul justamente porque os dirigentes do continente desejam sempre reduzir os custos de deslocamento. Nossa solidariedade com a família dos jogadores, da comissão técnica e dos jornalistas soma-se a necessária denúncia vigorosa dessa conduta venal da cartolagem do futebol que ceifou a vida de 71 pessoas, mortes que poderiam ser evitadas, mas foram sacrificadas em nome de reduzir custos com os vôos e garantir para os capitalistas empresários-investidores do futebol e donos do clube uma parcela maior das cotas milionárias que receberiam devido a Chapecoense que receberiam devido a Chapecoense ser finalista da Copa Sul-Americana.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

90 ANOS DA ÚLTIMA CARTA DE ADOLF JOFFE, DIRIGENTE DA OPOSIÇÃO DE ESQUERDA, PARA LEON TROTSKY: UMA DENÚNCIA DRAMÁTICA DA BUROCRATIZAÇÃO DA URSS PELO STALINISMO


A carta que o Blog da LBI reproduz abaixo foi escrita pelo camarada Adolf Abramovichf Joffe em Novembro de 1927 e dirigida a Trotsky, completando nesse mês exatamente 90 anos. A vida de Joffe foi toda até o seu último minuto consagrada à causa da libertação do proletariado. Morreu aos 44 anos de idade. Ocupou no Partido e no governo soviético os postos de mais responsabilidade. Bolchevique desde 1900, foi depois de uma deportação na Sibéria, Presidente do Conselho Militar revolucionário em 1917, depois tomou parte com Trotsky nas negociações de Brest-Litovsk. Em 1918 foi nomeado embaixador dos Sovietes em Berlim, dirigiu com Tchitcherine a comissão para as negociações com a Polônia e em seguida a delegação soviética na Conferência em Gênova. Foi o primeiro embaixador soviético em Pequim e depois no Japão. Foi quem assinou o tratado de paz entre o Japão e a União Soviética, quem dirigiu em Xangai (China) as negociações com Sun-Yat-Sen (o fundador do Kuomitang) e participou das negociações entre a Inglaterra e a URSS.  Adolf Joffe se manteve firme à Oposição de Esquerda, grupo liderado por Trotsky que enfrentou e denunciou a burocracia da camarilha contrarrevolucionária de Stálin. Diante disso, o Comitê Central já burocratizado, utiliza sua fragilidade na saúde para o jogar fora das fileiras do Partido. Joffe, recomendado pelos médicos do Partido a se tratar, não vê alternativas dentro da Rússia Soviética (como no caso remédios que antes eram facilmente disponibilizados para ele). Então, condenado silenciosamente por se colocar contra o caminho que o Partido tomava, e com todos seus atos públicos abafados, vê que nada mais resta fazer do que um grande e único protesto, que chocaria toda a direção nacional do partido soviético, mas que também denunciaria as atrocidades cometidas contra Trotsky e outros membros da Oposição de Esquerda. Seu protesto seria o suicídio, o mesmo que dois anos antes o poeta Serguei Iessienin fez, e poucos anos mais tarde, Vladimir Maiakóvski, o poeta da revolução, faria. Um suicídio contra a censura, a burocracia, a perseguição política e, não menos importante, a violência que Stálin e seus cúmplices faziam ao futuro da revolução socialista. Reduzido por uma polinevrite a uma invalidez quase completa, impossibilitando-o de tomar parte ativa nas lutas políticas de então. Joffe não viu outro meio de ainda servir à causa da Revolução – do que se matar, dando a sua morte uma significação precisa de protesto contra a exclusão de Trotsky do Partido e o regime de perseguição pessoal, adotado pela direção na sua campanha contra a oposição. A sua carta foi encontrada logo após sua morte sobre sua mesa. Não chegou, porém, às mãos de seu destinatário. Os seus funerais em Moscou, no dia 19 de Novembro tiveram um caráter comovedor. Apesar de realizados nas horas de trabalho, compareceram milhares e milhares de operários, camaradas do Partido, delegações do exército Vermelho. Tchitcherine falou oficialmente em nome do governo. Depois falaram diversos camaradas da oposição, Rakovsky, entre outros, disse sobre seu túmulo, “ele partiu, quando compreendeu que era esta sua suprema maneira de servir ao Partido”. Por último falou Trotsky que, no meio de uma emoção e de um silêncio indizíveis, terminou seu adeus dizendo: “Como tu, nós juramos ir até o fim sem fraquejar, sob as bandeiras de Marx e de Lênin!”. Infelizmente a carta nunca chegou às mãos de seu destinatário, que treze anos mais tarde seria covardemente assassinado por um agente de Stálin. Mas, talvez sem Joffe saber, a angústia e tristeza de um revolucionário, que teve a pior das condenações aos que lutam, “ser impedido de lutar”, serve às futuras gerações para continuar lutando, e sabendo que, mesmo com toda a tristeza e depressão promovida por esse sistema, sempre a luta será a luz do farol que conduzirá a todos revolucionários na luta pela construção de um novo Partido Bolchevique. Outros Outubros Virão para honrar a luta e a vida de Joffe!

A LEON TROTSKY 
(NOVEMBRO 1927) 

Caro Leon Davidovitch:

Em toda minha vida sempre pensei que o homem político deve saber ir embora a tempo, como um ator deixa a cena, e que é melhor fazê-lo cedo demais do que tarde demais.

Adolescente, ainda verde, defendi a correção da conduta de Paul Lafargue, e sua mulher Laura Marx, quando auleidaram-se, o que tanto barulho fez nos partidos socialistas. E me lembro que repliquei asperamente a Augusto Bebel, muito revoltado por este suícido, que só é admissível discutir-se, a idade escolhida pelos Lafargue (pois não se trata aqui dos anos mas da utilidade possível do indivíduo), não se pode em caso nenhum contestar o princípio, para um homem público de deixar a vida no momento em que tem consciência de não poder ser mais útil à causa que seria.

Há mais de trinta anos que fiz minha esta filosofia de que a vida humana só tem sentido na medida e enquanto está a serviço de um infinito que para nós é a humanidade, porque, sendo o resto limitado, trabalhar pelo resto é desprovido de sentido.

Se mesmo a humanidade deve ter um fim, este sobreviverá então uma época tal que, para nós, a humanidade pode ser considerada um infinito absoluto. E se tem como eu, fé no progresso, pode-se muito bem conceber que, mesmo em caso de perdição de nosso planeta, a humanidade encontre os meios de habitar outros mais jovens e prolongue por conseguinte sua existência; e então, tudo que for feito em seu bem em nosso tempo se refletirá também nos séculos longínquos, quer dizer dará a nossa existência a única significação possível.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

SUBMARINO ARGENTINO NÃO EXPLODIU PORQUE ERA UMA “SUCATA”: FOI SABOTADO PELA CIA-OTAN PARA QUE O IMPERIALISMO E SUAS EMPRESAS DE PETROLÉO ESCANEASSEM UMA DAS ÁREAS MARÍTIMAS MAIS RICAS DO PLANETA, SOB OS OLHOS “PASSIVOS” DO ENTREGUISTA NEOLIBERAL MACRI


“Nos Mintieron”! Assim denunciaram os familiares dos 44 marinheiros mortos diante da conduta canalha do neoliberal Macri e do entreguista alto-comando das FFAA que anunciaram neste dia 23 de novembro de forma surpreendente a “explosão” do Submarino argentino ARA San Juan ocorrida no último dia 15, quando anteriormente alegavam uma “falha leve” para o sumiço da embarcação via falha de baterias. Desgraçadamente nossos piores prognósticos, diante da sabotagem do programa naval argentino, se confirmaram: a Marinha reconheceu que todos os tripulantes já estavam mortos há alguns dias em função de uma aparente “grande explosão” que levou o submarino ao fundo do mar. Ele foi construído no final dos 70 na Alemanha e lançado ao mar em 1983 chegando a Argentina em 1985, mas sofreu uma reparação de “meia-vida” nos governos Kirchener em 2009, 2013 e 2014. Durante todo o tempo das buscas o alto-comando da armada argentina e o canalha Macri já sabiam da dimensão da tragédia mas tentavam passar que estavam fazendo “todos os esforços” para salvar os 44 marinheiros...um embuste completo, “una trampa” como dizem popularmente os nossos irmãos portenhos! O engodo, porém, vai além... Envolve os reais motivos do naufrágio do San Juan e a própria “missão secreta” que ele fazia na área econômica argentina no Oceano Atlântico próximo as Ilhas Malvinas controladas pelo imperialismo inglês. Tanto que a Juíza que acompanha o caso declarou que sua missão era “Segredo de Estado” e o próprio Submarino era uma “caixa preta” apontando que não tem qualquer informação segura sobre o tema. Sabe-se que a Argentina desde o ultra-neoliberal Menem tem um acordo militar privilegiado com os EUA para “colaboração” conhecido como relações carnais, pacto que incluía o San Juan e seus oficiais, facilitando o acesso as instalações argentinas, seus submarinos e de espiões ou infiltrados. O principal elemento é que a embarcação pode ter explodido não em função da velhice do Submarino e sim por sabotagem da CIA-OTAN, que permitiu as potências capitalistas aproveitarem a tragédia criada com a sabotagem para mapear o Atlântico sul na costa argentina onde antes não era permitido pelo governo Cristina, uma região estratégica na geopolítica mundial. O interesse das transnacionais ianques, francesas e britânicas devido a existência de muito petróleo nesta região do mar do Sul é enorme além de servir para a Inglaterra reforçar sua base militar nas Ilhas Malvinas, historicamente reivindicadas por Buenos Aires. O entorno onde afundou o Submarino é uma das regiões marítimas mais ricas do planeta em minerais e petróleo, a velhice da embarcação é apenas uma cortina de fumaça. Tanto que a Total francesa em parceria com a BP britânica com o apoio de forças da OTAN trouxeram tecnologia de ponta para “resgatar” o Submarino e paralelamente escanear a riqueza mineral da área onde ocorreu o naufrágio, inclusive com submarinos, navios e aviões com radares e sensores ultra-modernos de várias nações imperialistas, incluindo obviamente os EUA, mapeando completamente a área, na medida que o espaço aéreo e marítimo estão abertos para a cooperação internacional. Mesmo os mais velhos Submarinos são bastantes seguros, em 2014 o governo Cristina tinha mandado reformar o San Juan pela última vez e a embarcação náutica estava em boas condições de navegação. Como o Submarino era dos anos 80 toda a “opinião pública” tende a pensar que explodiu porque era “ferro velho” e não por sabotagem da CIA-OTAN. Por outro lado, a explosão serve para que a Marinha argentina não envie mais Submarinos para esta região deixando-a livre para a frota imperial. O programa de Submarinos da armada argentina “vai a pique” literalmente. O impacto da explosão também afeta o Brasil que está à beira de ter um possante submarino nuclear de ponta, que não agrada o imperialismo ianque e nem a Inglaterra. As Marinhas da Argentina e Brasil são o setor das FFAA menos sucateados, em relação ao exército e aeronáutica. Portanto todos esses elementos indicam que a “explosão” foi um golpe do imperialismo para atrasar ainda mais as Marinhas dos dois países latino-americanos. Fica evidente que o neoliberal Macri e o entreguista alto-comando da Marinha argentina são diretamente responsáveis pela tragédia em todos os seus sentidos políticos, humanos e logísticos, por negligência ou colaboração direta. A luta pela soberania nacional deve ser empunhada pelos trabalhadores como parte do combate revolucionário contra o imperialismo. A defesa de uma FFAA forte e equipada deve ser empunhada como parte da luta transicional contra o Estado burguês e pela liquidação do modo de produção capitalista substituindo-o por um poder proletário de novo tipo, como ocorreu na URSS e na edificação do Exército Vermelho e não para reforçar os vínculos dos países semicoloniais com seus amos imperialistas. Por sua vez, o controle dos recursos minerais como o petróleo somente pode ser alcançado com a ruptura dos acordos comerciais e militares que subordinam as nações atrasadas as potências capitalistas! Nesse sentido, coloca-se na ordem o dia a luta por um Governo Operário e Camponês parido da liquidação do Estado burguês e das corruptas instituições do regime político capitalista. Este novo poder não virá pela via eleitoral como a patrocinada pela esquerda argentina e a FIT (PO, PTS, IS) em particular, que celebra como uma "vitória histórica" a eleição de alguns poucos deputados no parlamento enquanto o neoliberal Macri, fortalecido na recente disputa parlamentar, avança no ataque aos trabalhadores (reforma laboral) e na entrega das riquezas nacionais ao imperialismo!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O "PUTSCH" COMUNISTA DE 23 DE NOVEMBRO DE 1935: 82 ANOS DE UM FRACASSO DA FASE ULTRA ESQUERDISTA DO STALINISMO MUNDIAL


O PCB após a ascensão de Vargas em 1930 buscava um caminho de oposição ao rumo fascista que o novo regime vinha se inclinando cada vez mais. Em março de 1935 foi criada no Brasil a Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política cujo presidente de honra era o futuro secretário geral do PCB, Luis Carlos Prestes. Inspirada no modelo político das frentes populares de colaboração de classes que surgiram na Europa, teorizadas pelo dirigente máximo da III Internacional Georgi Dimitrov, para impedir o avanço do nazi-fascismo, a ANL defendia uma plataforma nacionalista burguesa que tinha como uma de suas principais bandeiras a luta pela reforma agrária e as liberdades de organização partidária. Embora liderada pelos comunistas, a ANL conseguiu congregar os diversos setores democráticos da sociedade e rapidamente tornou-se um movimento de massas que se estendeu pelo país. Muitos militares simpáticos a Prestes, socialistas e liberais de esquerda e até membros do clero, desiludidos com o rumo do processo político iniciado em 1930, quando o caudilho Vargas, pelo impulso industrial da burguesia nacional assumiu a presidência da República, aderiram ao movimento da ANL. Com amplas sedes espalhadas em diversas cidades do país e contando com a adesão de milhares de simpatizantes, em julho de 1935, apenas alguns meses após sua criação, a ANL foi posta na ilegalidade pelo governo Vargas, que temia o rápido crescimento da influência do PCB. Ainda que a dificuldade para mobilizar militantes tenha aumentado, mesmo na ilegalidade a ANL continuou realizando comícios e divulgando boletins diários contra o regime. Em agosto, a organização intensificou os preparativos para um movimento armado com o objetivo de derrubar Vargas do poder e instalar um governo nacional e popular chefiado por Luís Carlos Prestes. Iniciado com levantes militares em várias regiões, o movimento deveria contar com o apoio do proletariado dos principais centros urbanos do país. que desencadearia greves em todo o território nacional. Porém os planos da III Internacional não se baseavam na realidade política do movimento operário e sim em informações ufanistas de Prestes, que ainda estava impregnado com o militarismo do movimento tenentista. O primeiro levante militar foi deflagrado no dia 23 de novembro de 1935, na cidade de Natal. No dia seguinte, outra sublevação militar ocorreu em Recife. No dia 27, a revolta eclodiu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Sem contar com a adesão da classe operária , e restrita as três cidades, a rebelião militar foi rápida e violentamente debelada. A partir daí, uma forte repressão se abateu não só contra os comunistas, mas contra todos os opositores do governo Vargas. Milhares de pessoas foram presas em todo o país, inclusive deputados, senadores e até mesmo o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista. Os dirigentes da III internacional que estavam no Brasil foram presos e barbaramente torturados, como Berger, Arthur Ewert e sua companheira, mas Prestes foi preservado vivo na prisão sem ser submetido a nenhuma violência física. A despeito de seu estrondoso fracasso político e militar, o chamado "levante comunista" forneceu forte pretexto para o fechamento do regime varguista. Na verdade a "revolução" pretendida pelo PCB, não passou de um putsch de vanguarda, que sequer contou com o suporte dos militares de baixa patente, como assim esperava Prestes. Depois de novembro de 1935, o Congresso Nacional passou a aprovar uma série de medidas que cerceavam seu próprio poder de parlamento, enquanto a cúpula do Catete ganhava poderes de repressão praticamente ilimitados. Esse processo culminou com um novo golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que fechou o Congresso, cancelou eleições e manteve Vargas no poder por quase dez anos depois. Instituiu-se assim um regime fascistizante no país, o chamado "Estado Novo", que se estendeu até 1945, quando a derrota mundial do nazismo na Grande Guerra Mundial inviabilizou as pretensões de permanência de Vargas, mesmo este tendo apoiado o imperialismo Ianque já quase no final do conflito militar. Após a queda de Vargas, Prestes é libertado da prisão e ganha uma enorme popularidade nacional como o grande "mártir" do "Levante Vermelho" de 35. Os Trotskistas da LCI, não apoiaram a aventura militar do PCB em 35, embora estivessem na linha de frente combatendo ombro a ombro com os militantes comunistas a brutal repressão desencadeada por Vargas e seu braço nazista, Felinto Müller.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

22 DE NOVEMBRO DE 1910: A REVOLTA DA CHIBATA COMO EXPRESSÃO DA LUTA DOS TRABALHADORES NEGROS CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA

Publicamos em comemoração da Revolta da Chibata o artigo elaborado pela LBI em 2010, quando o levante dos marinheiros negros completou 100 anos. O debate sobre a luta dos explorados negros dentro da sociedade de classe brasileira está mais vivo do que nunca, na medida que a burguesia ataca e explora o conjunto da classe, em especial os trabalhadores negros que são também alvo de racismo. Entretanto, os Marxistas Revolucionários compreendem esse combate como parte da luta da classe trabalhadora contra os capitalistas, para liquidar o modo de produção burguês na senda da Ditadura do Proletariado e não “apenas” como uma questão de raça ou cor. Nesse sentido, nos opomos pelo vértice a ideologia pequeno-burguesa do “empoderamento negro” dentro do capitalismo e como forma de “democratizar” as instituições senis deste regime político, como vem apregoando a esmagadora maioria da “esquerda” reformista e mesmo aqueles que se proclamam revolucionários. Os trabalhadores negros, ao lado de seus irmãos de classe brancos, mestiços e dos povos originários (“índios”) devem unir-se por seus interesses históricos e imediatos, que não estão limitados a questão da raça e da cor mas sim aos seus objetivos estratégicos socialistas enquanto trabalhadores e oprimidos pela classe dominante.


100 ANOS DA REVOLTA DA CHIBATA: HERÓICA BATALHA DOS MARINHEIROS NEGROS DESNUDA INCAPACIDADE DA REPÚBLICA BURGUESA DE LIQUIDAR A ESCRAVIDÃO MODERNA

(ARTIGO PUBLICADO PELA LBI 18/11/2010)

A Revolta da Chibata, insurreição dos marinheiros liderada por João Cândido completa cem anos neste 22 de novembro. Ao contrário da maioria dos levantes militares ocorridos durante a chamada República Velha (1889-1930), fruto das disputas políticas entre as frações oligárquicas ou dos anseios pequeno-burgueses do movimento tenentista, a revolta dos marinheiros em 1910 refletiu a luta das massas oprimidas pelo regime de exploração capitalista erguido sobre as estruturas remanescentes do período escravista, o latifúndio e a produção agrícola voltada para a exportação, herança de um país submetido à condição de semicolônia do imperialismo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

DIREITISTA PIÑERA VENCE 1º TURNO E CRISE NA GESTÃO NEOLIBERAL DE BACHELET (PS) PROVOCA FRAGMENTAÇÃO DA FRENTE POPULAR: SURGE A “FRENTE AMPLA”, UMA OPÇÃO SOCIAL-DEMOCRATA DE “ESQUERDA” NO CIRCO DA DEMOCRACIA DOS RICOS DO CHILE


Com uma altíssima taxa de abstenção de 53% dos votos dos chilenos em um sistema de comparecimento eleitoral facultativo, o primeiro turno das eleições presidenciais realizado em 19 de novembro deu a vitória a Sebastião Piñera (com apenas 36% dos votos quando as previsões eram 45%) derrotando o candidato apoiado por Michele Bachelet (PS), Alejandro Guillier (22%). O segundo turno ocorrerá em 17 de dezembro, tende a ser muito disputado porque a terceira força política, a chamada “Frente Ampla”, conquistou 20,5% dos votos e seus eleitores devem apoiar Guillier no segundo turno. A chamada “Nova Maioria” comandada pelo PS em em grave crise interna sofreu um racha, que a levou a disputar a eleição com três candidatos pela primeira vez em 30 anos. Guillier foi apoiado por todos os partidos da coalizão “Nova Força da Maioria”, inclusive o PC, com exceção do centrista Democracia Cristã, que, pela primeira vez em 30 anos, apostou numa candidata própria, a senadora Carolina Goic (6%). Esta declarou apoio a Guillier para o segundo turno. O fenômeno “novo” na conjuntura eleitoral até então polarizada entre a centro-esquerda burguesa comandada pelo PS e a velha direita pinochetista de Piñera, foi o surgimento da “Frente Ampla”, uma espécie de “nova esquerda” social democrata como o PSOL brasileiro e o PODEMOS espanhol, liderados por alguns grupos protagonistas da mobilização estudantil em 2011 (Revolução Democrática, Movimento Autonomista, Partido Humanista, Nova Democracia, Esquerda Autónoma, Poder Cidadão, Esquerda Libertária, Convergência das Esquerdas, Partido Ecologista Verde, Partido Igualdade). Em janeiro de 2016, a Revolução Democrática (RD), fundada pelo deputado Giorgio Jackson, e a Esquerda Autônoma, do também deputado Gabriel Boric (ambos reeleitos no domingo), entregaram seus cargos no governo Bachelet, anunciaram um distanciamento da “Nova Maioria” e fundaram a “Frente Ampla”, escolhendo com candidata Beatriz Sánchez, uma conhecida jornalista, que conseguiu um resultado surpreendente. As pesquisas lhes davam 8%, mas conseguiu 20%. Segundo Gabriel Boric “Para nós, uma nova Constituição deve garantir os direitos sociais e recursos naturais que hoje foram violados e saqueados em nome do mercado. Deve reconhecer a plurinacionalidade de nosso país, a pré-existência dos povos indígenas como nação e suas formas de organização territorial. Deve delimitar claramente os limites entre a política e os negócios. E enfim, o importante é que o Chile necessita uma Constituição legitimada, nascida em democracia, voltada aos desafios do século XXI”. Com esse programa socialdemocrata de “esquerda”, os votos da Frente Ampla são os mais desejados, porque tendem a ser direcionados para Guillier e assim evitar a vitória de Piñera.  Além do expressivo resultado na eleição para presidente, a Frente Ampla também conseguiu um bom número de cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo o Servel (Serviço Eleitoral do Chile), a FA elegeu um senador e 20 deputados, efetivamente se tornando a terceira força na Câmara Baixa (atrás da Chile Vamos, de Piñera, que terá 73, e da Nova Força da Maioria, que apoia Guillier, com 43). A centro-direita de Piñera e a extrema-direita do pinochetista ultraconservador José Antonio Kast (8%), uma espécie de Bolsonaro chileno, somam 44%. Ainda assim, Piñera pode buscar votos na Democracia Cristã e torcer para que parte dos eleitores da Frente Ampla não apoiem Guillier, representante política do governo neoliberal do PS. No momento, já está se costurando uma grande frente da centro-esquerda burguesa contra Piñera, em que Guillier não para de receber apoios, incluindo o do ex-presidente Ricardo Lagos, seu grande rival interno. Nestas eleições o candidato da “Nova Força da Maioria”, reproduz de forma ainda mais neoliberal o programa da “Concertação Democrática”, prometendo um alinhamento econômico preferencial com o bloco comercial liderado pelos EUA. Não será apoiando Alejandro Guillier dentro da institucionalidade burguesa, como pregam os stalinistas do PC e a maioria da “Frente Ampla” neste segundo turno, que a classe operária irá derrotar o atual regime neopinochetista de opressão às massas e seu candidato Piñera, herdeiro civil dos gorilas de farda. Assim como no passado, a política frentepopulista é a responsável pelas maiores derrotas impostas à classe operária em nome da institucionalidade e da ordem burguesa. Está colocada para a vanguarda classista a superação deste quadro de conciliação de classes, não só para derrotar a direita fascista, mas também para denunciar os partidos da “Nova Maioria” e seus satélites da “Frente Ampla” que apenas patrocinam ilusões no regime cívico-militar atual. Por esta razão, está na ordem do dia o boicote ativo à farsa eleitoral da democracia dos ricos como já fizeram mais de 50% da população no primeiro turno apontando a luta dos trabalhadores para o norte da revolução socialista, retomando o caminho de interrompido pelo chacal Pinochet e superando a política impotente de colaboração de classes da UP e da “nova esquerda” da Frente Ampla.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20 DE NOVEMBRO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: LUTAR CONTRA O RACISMO É LUTAR CONTRA O CAPITALISMO! NENHUMA ILUSÃO NA IDEOLOGIA BURGUESA DO "EMPODERAMENTO PRETO" DENTRO DA SOCIEDADE DE CLASSES! SOMENTE A REVOLUÇÃO SOCIALISTA PODE LIQUIDAR A EXPLORAÇÃO SOBRE OS TRABALHADORES E CRIAR AS CONDIÇÕES PARA ABOLIR O PRECONCEITO SOCIAL, DE GÊNERO, COR E RAÇA!


A população pobre e trabalhadora negra está entre a maioria dos presos, dos explorados, dos desempregados, dos analfabetos, dos que têm sua religiosidade perseguida, dos que são assassinados por grupos de extermínio e dos que possuem o salário médio mais baixo dentre todos os setores da sociedade brasileira. No governo golpista de Temer essa realidade aprofundou-se ainda mais! Não por acaso, a mesma acumulação originária do capitalismo que aprisionou o negro na África e o escravizou no Brasil, joga-o nas favelas e cortiços das cidades, explorando-o nas indústrias, utilizando-o como exército de reserva para pagar menores salários. Não por acaso a decisão de “libertar os escravos” no 13 de Maio de 1888 não passou de uma formalidade baseada em uma necessidade econômica capitalista, que manteve a terra nas mãos dos grandes proprietários que conseguiram mão de obra assalariada barata face à inexistência para o escravo de uma opção que não fosse vender sua força de trabalho aos antigos senhores. Hoje, como ontem, os trabalhadores negros continuam lutando ao lado de seus irmãos de classe pela verdadeira abolição da escravidão, que só pode vir pela liquidação do modo de produção capitalista e não pela via de sórdidas campanhas hipócritas patrocinadas pela classe dominante e suas abjetas celebridades. Para o capital é necessário que o racismo continue existindo para justificar a desvalorização extremamente lucrativa para o capitalista da força de trabalho negra e parda. Basta verificar que hoje no Brasil o salário dos negros e pardos é metade ou 60% do salário médio pago aos brancos. Isto não é um mero produto de resquícios dos preconceitos escravistas ainda presentes na mentalidade das pessoas. Essa profunda precarização das condições de vida da maioria da população pobre e negra, maquiada pelas pesquisas dos institutos oficiais e ONGs, é o fruto atual da bárbara recolonização imperialista no Brasil. Esta luta não diz respeito somente ao povo pobre e trabalhador negro, ela deve ser tomada por todo o proletariado, que aprendendo com a luta de Zumbi, deve lutar conseqüentemente por construir um instrumento capaz de conduzir a luta anti-racial e a quebra de todos os grilhões capitalistas, o partido revolucionário trotskista que deverá elevar o combate consciente da luta de toda a classe oprimida por varrer da face da Terra toda opressão e exploração imposta pelo imperialismo rumo à construção do socialismo.


sábado, 18 de novembro de 2017

REPUDIAMOS A AGRESSÃO COVARDE DO MEPR CONTRA MILITANTES DO PSTU NA UERJ: NÃO AOS ATAQUES FÍSICOS ENTRE CORRENTES POLÍTICAS QUE SE REIVINDICAM DA CLASSE OPERÁRIA! NENHUMA INGERÊNCIA DA REITORIA PRIVATISTA OU DA POLÍCIA ASSASSSINA NAS DISPUTAS DO MOVIMENTO DE MASSAS!


No último dia 16 de novembro ocorreu na UERJ mais um “round” nas agressões físicas envolvendo o MEPR e o PSTU. Desta vez, os agressores são militantes da organização Maoísta. Segundo o PSTU “cerca de 30 militantes do MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário) encapuzados e armados com porrete, choque elétrico e soco inglês, atacaram violentamente militantes e simpatizantes do PSTU logo após a atividade do partido em comemoração aos 100 anos da revolução Russa. Na saída da atividade, enquanto algumas pessoas ainda se encontravam no hall do queijo, um grupo de pessoas visivelmente organizadas desceram as escadas da universidade, colocando os capuzes neste momento. Após isso, numa ação covarde, partiram para as agressões aos militantes que estavam no espaço deixando alguns feridos”. Desgraçadamente, esse cenário de ataques físicos entre correntes políticas que se reivindicam da classe operária no Rio de Janeiro vem se reproduzindo desde 2014, quando do ataque a sede do PSTU em que a direção Morenista acusou militantes da FIP (Frente Independente Popular) como responsáveis pela ação desastrosa. Posteriormente em 2015, também nas dependências da UERJ, militantes do PSTU e sindicalistas da Conlutas agrediram ativistas ligados a FIP. Em uma ação covarde e totalmente desproporcional, 50 militantes do PSTU atacaram 06 membros da FIP em uma sala da universidade, deixando vários feridos e com lesões graves. A conduta inadmissível do PSTU seria uma “resposta” ao fato de no mesmo dia alguns de seus militantes terem sido intimidados e mesmos expulsos de uma assembleia estudantil na UERJ por membros da FIP e do MEPR. Em resumo, a agressão perpetrada pelo MEPR agora em 16 de novembro é parte desse enfrentamento que envolve as duas organizações. Como nas ocasiões anteriores, agora também a LBI repudia de forma veemente que uma corrente política se utilize de agressões físicas covardes de caráter gangsteril contra uma organização adversária que se reivindica da classe operária, sejam quais forem as divergências políticas em debate. No caso atual, os fatos deixam claro que desta vez foi o MEPR o agressor e o PSTU a vítima, não há dúvidas. A LBI rechaça de público este método incompatível com a democracia operária. Ainda que a LBI tenha profundas divergências programáticas e ideológicas com o PSTU, repudiamos energicamente a agressão de seus militantes por parte do MEPR, do qual também não temos nenhuma afinidade política. Este ato gravíssimo deve ser repudiado incondicionalmente pelo conjunto da esquerda revolucionária e comunista porque representa um ataque à própria democracia operária, tendo em vista que tanto o PSTU como o MEPR são organizações que atuam no seio do movimento de massas e se reclamam formalmente socialistas e revolucionárias. Tal agressão se constitui em um perigoso precedente que apenas fortalece as tendências de recrudescimento do regime da democracia dos ricos sobre o conjunto do movimento de massas. Esta atitude intolerável pode abrir caminho para justificar a intervenção do Estado burguês nas disputas políticas no interior do movimento de massas. Tanto que o fato foi noticiado pelo reacionário Jornal O Globo (17.11) da Família Marinho, inimiga dos trabalhadores, em uma matéria onde pode-se ler que “Em nota, a reitoria da Uerj afirmou que vai seguir com ‘os trâmites e penalidades cabíveis na lei’”, ampliando assim as condições para a perseguição aos militantes do movimento de massas e de qualquer uma das organizações políticas envolvidas em enfrentamentos desta natureza por parte da reitoria privatista da UERJ ou mesmo da polícia. Mesmo nos solidarizando publicamente neste caso com o PSTU discordamos frontalmente da caracterização que esse partido tem do MEPR, acusando-o de ser um grupo fascista e comparando-o ao MBL, ou seja, um grupo de extrema-direita que deve ser esmagado fisicamente pelos revolucionários. Segundo o PSTU “É emblemático que há poucas semanas atrás, na mesma UERJ, outro evento sobre a revolução russa tenha sido invadido por militantes da direita ligados ao MBL. Ou seja, o MEPR e as organizações de direita estão juntos na tentativa de impedir os debates políticos. O MEPR repete o método fascista e da direita de pela violência física tentar cercear o direito das organizações de esquerda de expor suas ideias e opiniões. Lembremos que a ditadura militar foi quem tentou impedir a liberdade de expressão e de organização em nosso país. E reivindicamos a tradição do movimento operário de como se enfrentar as ações tipicamente fascistas”. O PSTU acusa o MEPR de fascista para justificar uma nova escalada de agressões como ‘resposta’ ao ataque físico perpetrado pelo MEPR. Como genuínos trotskistas repudiamos que o ‘ajuste de contas’ entre ambas as correntes se dê no terreno de novas agressões físicas, ainda mais utilizando como pretexto o fato do MEPR ser uma corrente “fascista” como o MBL. Todos sabemos que o MEPR é uma organização política de esquerda, Maoísta, uma variante do Stalinismo. Apesar de todas suas deformações políticas e de método que devem ser combatidas politicamente é uma corrente que está no campo do movimento operário, deve ser enfrentada nessa arena da luta de classes. O mais tragicômico é que o MEPR também acusa o PSTU de “social-fascista” para justificar as agressões em curso. Todos sabemos do caráter cada vez mais socialdemocrata da política do Morenismo, de completa integração a democracia burguesa pela via do sindicalismo vulgar, do economicismo, o que em nada se assemelha ao fascismo, acusação fantasiosa que o MEPR recorrentemente retira do receituário stalinista para atacar os “trotskistas” de uma maneira geral, uma herança maldita dos malfadados Processos de Moscou. Frente a disputa em curso, a LBI convoca as organizações políticas envolvidas no episódio e o conjunto dos lutadores a debater nos fóruns do movimento de massas suas diferenças políticas e programáticas, derrotando nas ruas o governo entreguista de Temer, a política de colaboração de classes do PT- PCdoB e o pacifismo pequeno-burguês nos combates contra o capital, a fim de enfrentarmos a burguesia e seu aparato repressivo que avança contra o movimento de massas e as organizações políticas e sindicais que contestam o regime da democracia dos ricos!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

“FIFA-GATE”: CAÇADA “MORALIZANTE” DA JUSTIÇA DOS EUA CONTRA CORRUPÇÃO NO FUTEBOL TEM COMO OBJETIVO COLOCAR ESSE NEGÓCIO BILIONÁRIO SOB O CONTROLE DO IMPERIALISMO IANQUE... ABAIXO A REDE GLOBO! POR UMA TV ESTATAL CONTROLADA PELOS TRABALHADORES! 


Um verdadeiro “frisson” tomou conta dos blogs “alternativos” no Brasil e das redes sociais na internet tão logo veio à tona mais um capítulo “tórrido” do escândalo envolvendo as negociatas entre os cartolas da FIFA, CONMEBOL e CBF com as grandes redes de TV do planeta e a odiada Rede Globo em particular. Até os blogueiros mais “progressistas” do esporte (Trajano, Juca Kfouri) e o ativismo democrático e de “esquerda” em geral começou a aplaudir em uma espécie de transi a ação “moralizadora” do FBI, dos Procuradores de New York e da “justiça” dos EUA em sua sanha de supostamente desvendar a corrupta rede de propinas e comissões que envolvem as tratativas obscuras em torno dos direitos das transmissões na televisão das competições internacionais do futebol (Copa do Mundo, Taça Libertadores...). O êxtase foi ao máximo quando ganhou manchete as negociatas operadas pelo então executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, forçando o Jornal Nacional preventivamente a noticiar o caso, com direito a uma patética nota da Globo lida por William Bonner e todos os apresentadores dos canais de TV globais, rádio, jornal e publicada no portal G1. Quando em 2015 estourou o escândalo, Pinto foi tirado de cena, recebendo uma bolada milionária da Família Marinho para sumir e ficar calado, um verdadeiro “arquivo ainda vivo” explosivo, já que na Argentina os “suicídios” encomendados já começaram. O bordão da blogosfera democrática pode ser resumido na máxima muito vista e ouvida nestes dias de “festa” diante de uma Globo defensiva no epicentro dos noticiários: “Os EUA não são o Brasil, lá a coisa é séria e a justiça funciona!... Que se cuidem os Marinho!”. Pasmem, conceitos básicos como imperialismo, conflitos de interesses econômicos dentro da própria classe dominante mundial e neocolonialismo parecem ter desaparecido do horizonte dessa gente “iluminada”, sem dúvida alguma bem-intencionada, mas carente de qualquer noção de Marxismo e materialismo dialético! O BLOG da LBI cobriu e analisou detalhadamente em meados de 2015 os primeiros passos do “FIFA-GATE” quando houve o afastamento do então todo-poderoso Joseph Blatter. Naquele momento denunciamos que não existem inocentes neste covil de bandidos, trata-se de uma feroz disputa interburguesa em que o FBI ‘entrou em campo’ a serviço de um dos lados, no caso em defesa dos interesses do imperialismo ianque e suas grandes empresas que desejam dominar política e financeiramente o negócio bilionário do futebol, até agora na mão dos seus pares europeus em conluio com as máfias regionais esportivas, particularmente da América Latina e África. Essa é exatamente a razão que levou a “justiça” dos EUA a colocar parcialmente a nu as negociatas envolvendo o submundo do futebol, inclusive com poder de prisão mundial, como é o caso da detenção do facínora José Maria Marín pela justiça ianque, sobre o pretexto da “extraterritorialidade” do delito. Fazendo um paralelo com o Brasil, o mesmo faz o juiz fascista Sérgio Moro. Os membros da “República de Curitiba” (não por acaso formados pela CIA e o Departamento de Estado dos EUA) levam uma caçada supostamente contra todos “políticos corruptos” tendo Lula e o PT como alvo principal para de fato liquidar a economia nacional e desmoralizar os partidos burgueses tradicionais a fim de ascenderem como salvadores da pátria em um regime de exceção neoBonapartista. A ação em curso do FBI, equivocadamente aplaudida pela esquerda e os “progressistas” seria uma espécie de “Lava Jato” do futebol mundial. Neste caso, as atuais máfias da FIFA, CONMEBOL e CBF, desmoralizadas e criminalizadas pelos procuradores e juízes dos EUA, agora apresentados como paladinos da ética, seriam substituídas por outra cepa “renovada” ligada ainda mais umbilicalmente aos interesses estadunidenses e suas grandes empresas transnacionais. Da mesma forma que denunciamos a Lava Jato, o fazemos mais uma vez diante da ação da Justiça ianque no “FIFA-GATE”. Quem conhece Wall Street e afirma que o FBI se move pelo combate à corrupção é cínico, ingênuo ou está ganhando muito dinheiro para passar essa versão. Só neófitos ou traidores conscientes não compreendem que as instituições capitalistas, em qualquer país do mundo, agem em estreita sintonia com os interesses nacionais estratégicos de sua burguesia. O futebol é um dos poucos mercados globais onde os EUA tem papel secundário. Tentou entrar via Jordânia, apoiando a candidatura do príncipe jordaniano à FIFA, mas foi derrotado. A próxima Copa será na Rússia, uma potência nuclear que vive contrariando interesses estratégicos dos EUA. Que tal implodir esse esquema e colocar outro no lugar à serviço dos interesses ianques? Muitos apaixonados pelo futebol estão comemorando a divulgação pública das negociatas envolvendo a odiada Família Marinho e celebrando a prisão de alguns poucos dirigentes da mafiosa FIFA, CONMEBOL e CBF, que sabidamente ganham bilhões em tramóias com o esporte, paixão nacional no Brasil e em grande parte do planeta. De fato, causa um certo regozijo popular ver estes cartolas presos e a Rede Globo desmoralizada ainda que por algumas horas. Ver o impávido Wiliam Bonner em pleno Jornal Nacional como cara de pastel lendo a nota cínica da Globo de que suas “investigações internas não indicaram nada de errado” realmente foi motivo de piada nos bares e botecos, para não falar nos estádios em plena reta final do Brasileirão! Como disse um camarada nosso “Desconfio que eles desconfiam de nossa capacidade mental”. Afinal estes senhores representam a elite corrupta que gerencia os jogos com ingressos caríssimos, impedindo o povo de ir aos estádios, compram com subornos e propinas os direitos de transmissão forçando jogos em horários absurdos para agradar as emissoras de TV e abocanham patrocínios segundo seus mais nebulosos interesses. Entretanto, passada a “euforia do gol” marcado (ou seria anulado como diz a música dos geniais João Bosco e Aldir Blanc), a realidade se mostra bem mais dinâmica, uma “caixinha de surpresas” no melhor do linguajar futebolístico. Os Marxistas Revolucionários alertam que como um bom jogo de futebol que tem que ser observado atentamente o mesmo desse ser feito diante do “FIFA-GATE” para a aparência não embotar a essência e a capacidade de análise. Na operação jurídico-policial armada pelo FBI, os EUA, que não tem tradição no futebol mas ganhou enorme peso econômico neste esporte em função dos patrocinadores (Coca-Cola, Red-Bull, Budweiser, Adidas...) assume através de sua Justiça e do FBI o papel de “xerife”, arbitrando em meio ao disputado jogo pelo controle da FIFA e do mercado ultra rentável do futebol.  Óbvio que todos os envolvidos são ladrões do “colarinho branco” que lucram em negociatas milionárias do futebol-mercadoria no capitalismo. Esta é a “regra do jogo”, aqui no Brasil, nos EUA, na Europa e no Oriente Médio. Mas porque justamente agora, só agora e pelas mãos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e executado pelo FBI é desencadeada tal operação midiática? Formalmente estes cartolas são acusados pelo recebimento de propina em uma corte federal em Nova York, mas tal realidade vem de décadas, o processo em si data do final dos anos 1990. Como se observa, há algo de pobre no reino dos...EUA! A ação de “xerife” da polícia federal norte-americana está a serviço de negociar uma transição interna na entidade para as mãos de uma aliança entre os cartolas da UEFA e da CONCACAF, a Confederação de Futebol das Américas Central e do Norte. Não por acaso, só dirigentes das confederações latino-americanas, foram presos e as redes de TV´s envolvidas são fundamentalmente de nosso continente (Globo, Televisa e a filial da FOX para a América Latina). Obviamente não estamos aqui defendendo canalhas como Blatter, Ricardo Teixeira, Marin, Del Nero e sua corja, muito menos a golpista Família Marinho e seus asseclas (Marcelo Campos Pinto, Galvão Bueno) que controla a Rede Globo, estes merecem ser banidos definitivamente do futebol e do controle das transmissões do esporte. Esta tarefa, entretanto, não pode está nas mãos do imperialismo ianque e sua “justiça”, indutor da mais profunda corrupção em todas as esferas do esporte e das negociatas nas bolsas de valores de Wall Street. Pelo que anunciou o FBI, o simples uso de bancos norte-americanos, mesmo fora do país, permitiu que as autoridades ianques investiguem e levem os acusados para serem processados nos Estados Unidos! A jurisdição do EUA coloca o país na condição de polícia do planeta! Note-se que esse é um recurso totalmente arbitrário que foi muito utilizado pela justiça norte-americana em casos de suposto “terrorismo”. Nestes casos, mesmo com a menor ligação com os Estados Unidos pode bastar, como o uso de um banco ou um provedor de internet estadunidense. O mais grave, porém, é a própria ação intervencionista da justiça norte-americana, tendo poder de prisão de qualquer pessoa em qualquer país. Se os EUA podem prender os dirigentes da poderosa FIFA, CONMEBOL, CBF e das empresas correntes as suas iguais estadunidenses, acusando-os de corrupção para melhor se passar com a “opinião pública”, imagina o que fazem e farão com seus verdadeiros inimigos, ativistas políticos de esquerda e militantes anti-imperialistas, comunistas-leninistas como nós da LBI? Como Marxistas Revolucionários e amantes de futebol somos pelo fim do esporte como mercadoria, do controle dos elencos pelos patrocinadores e pela abolição dos contratos bilionários que engordam as máfias da FIFA, CONMEBOL e da CBF. Estas instituições capitalistas não servem para o avanço do futebol como meio de educação e evolução cultural das massas, devem ser substituídas por entidades populares controladas por jogadores e torcedores. Nesse sentido, a tarefa de varrer os cartolas mercenários do futebol mundial, que são parte da decadente elite capitalista do planeta, deve está nas mãos do povo trabalhador. Tais decisões deveriam ser tomadas por meio de mecanismo da soberania popular. A defesa da estatização sob o controle dos trabalhadores das grandes redes de TV, como a da Rede Globo, Record, SBT e Bandeirantes, é uma tarefa que se coloca na ordem do dia! O imperialismo ianque e seus órgãos de repressão são inimigos do esporte não mercantil basta ver o combate que fazem contra Cuba via a tentativa de compra de seus atletas. O FBI não tem nenhuma moral para agir como “xerife” com o real objetivo de melhor defender os interesses das grandes empresas que patrocinam o esporte para gerar mais lucros sobre a miséria dos amantes do futebol. Somente os trabalhadores organizados e empunhando um programa revolucionário comunista podem realmente fazer justiça contra essa canalha capitalista corrupta que enlameia o mundo do futebol!  

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

16 DE NOVEMBRO DE 1922 - NASCE O GRANDE ESCRITOR PORTUGUÊS: A CEGUEIRA QUE ACOMETEU O MILITANTE SARAMAGO
(ARTIGO DA LBI PUBLICADO EM 22/06/2010)


O escritor português José Saramago nascido em 16 de novembro de 1922 faleceu em junho de 2010 aos 87 anos na ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde foi viver em protesto contra o clericalismo do governo português. Durante o ano de 1991, em plena "democracia", seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi proibido de se inscrever representando Portugal na disputa pelo Prêmio Literário Europeu pelo governo do país, herdeiro da inquisição medieval e da ditadura de Salazar, por ser considerada uma obra "ofensiva para o catolicismo do povo português". Ao lado de Camões e Fernando Pessoa, Saramago posta-se como o terceiro maior escritor lusitano. Cumpriu um papel progressivo na luta contra o obscurantismo religioso em seu país e conta em favor dele que o jornal do Vaticano, em nota sobre seu falecimento, o amaldiçoe como "um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao fim numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo" (L'Osservatore Romano, 19/06). Mas, embora declarasse que "assim como tenho no corpo um hormônio que me faz crescer a barba, há outro que me obriga a ser comunista", as posições políticas do escritor, falsamente identificadas pela reação e reivindicadas pelo próprio como marxistas, revelam que seus "hormônios stalinistas", desde quando ingressou no PCP em 1969, o condicionaram a ser um escritor pequeno burguês, defensor da colaboração de classes desde a Revolução dos Cravos, do pacifismo, do mito da cidadania, além de atuar de acordo com a opinião pública democrática do grande capital.N ão por acaso, chegou a receber do imperialismo a condecoração maior dada a um escritor, sendo o único português a receber o Nobel de Literatura. Em seguida, condenou o Estado operário cubano por combater a espionagem imperialista e assim como o mais cego de seus personagens em "Ensaio sobre a cegueira" passou a ser garoto propaganda de Obama.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

GOLPE MILITAR CONTRA MUGABE NO ZIMBÁBWE ESTÁ A SERVIÇO DA DOMINAÇÃO DO IMPERIALISMO ANGLO-IANQUE NO CONTINENTE AFRICANO


O alto comando das Forças Armadas anunciaram nesta quarta-feira (15/11) terem assumido o controle do Zimbábwe e posto sob custódia o presidente Robert Mugabe, um dos mais longevos chefes de Estado do mundo, a frente do governo há três décadas, em um claro golpe militar. Veículos militares espalhados pela capital Harare, soldados no controle da TV estatal e um general divulgando um comunicado sobre a situação são a prova evidente do golpe. O discurso na TV foi feito pelo major-general Sibusiso Moyo. Segundo ele, o Exército assumiu o controle temporariamente para superar uma “crise política, social e econômica grave. Temos como alvo criminosos no entorno dele [Mugabe], que estão cometendo crimes que causam sofrimento social e econômico no país, a fim de levá-los à Justiça. Uma vez que completamos nossa missão, esperamos um retorno à normalidade”. Soldados e veículos blindados bloquearam o acesso ao Parlamento e a outros edifícios governamentais. A intervenção militar expressa a disputa pela sucessão de Mugabe, que tenta, no pleito de 2018, novamente uma reeleição, rechaçada pela Inglaterra  e os EUA. O representante militar exortou todas as forças de segurança a cooperarem com o Exército. Provocações seriam respondidas adequadamente, advertiu. Todos os soldados devem se apresentar imediatamente. Ao se dirigir ao Judiciário, Moyo disse “As medidas tomadas são destinadas a assegurar que você [a Justiça], como um ramo independente do Estado, possa exercer sua autoridade independente – sem medo de ser desativada”. A situação ainda é difusa. A sede presidencial em Harare e o Parlamento do Zimbábue estão inacessíveis e controlados por soldados. O próprio Mugabe ainda não falou publicamente. De acordo com testemunhas, houve pelo menos três grandes explosões na capital Harare. Também foram ouvidos tiros. Um residente disse à agência de notícias AFP que pouco depois das 2 horas da manhã (horário local) ter escutado o som de 30 a 40 tiros vindos da direção da residência de Mugabe. As embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido, assim como o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, alertaram seus cidadãos no Zimbábue a terem cautela devido à situação porém de forma alguma condenaram o golpe militar, ao contrário, o apoiam de forma velada tentando livrar-se definitivamente do incômodo e decadente dirigente nacionalista africano. A tensão no Zimbábwe se agravou depois que o chefe militar, o general Constantino Chiwenga, ameaçou publicamente o governo Mugabe, presidente do país desde 1987. Chiwenga afirmou que o Exército estava pronto para "intervir" diante da crise no país. Na semana passada, Mugabe destituiu seu vice-presidente Emmerson Mnangagwa, um aliado do líder militar Chiwenga. Os dois combateram juntos com Mugabe contra o regime de minoria branca na antiga Rodésia. Chiwenga criticou os planos de Mugabe de demitir outros políticos da velha guarda. "Isso tem que parar", exigiu o chefe do Exército. Ele também criticou que a situação econômica do Zimbábwe não tenha melhorado por anos devido a entreveros internos no partido governante União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica (Zanu-PF). O partido governante disse na terça-feira que as observações de Chiwenga são equivalentes à traição e ao incitamento à rebelião contra a ordem constitucional. Segundo a imprensa local, os militares capturaram os ministros das Finanças, Ignatius Chombo; o ministro da Educação Superior, Jonathan Moyo; e o ministro de Obras Públicas e Habitação e comissário político a nível nacional da ZANU-PF, Saviour Kasukuwere. Os três fariam parte do chamado grupo G40, uma facção do partido que, segundo os analistas, procura expulsar aos veteranos da guerra de independência – como o vice-presidente Mnangagwa – para abrir caminho para sua esposa, Grace Mugabe. Mugabe é o chefe de Estado mais velho do mundo, mais longevo da África e governa o Zimbábwe como presidente desde 1987 e primeiro-ministro de 1980 até 1987. Ele nasceu a 21 de fevereiro de 1924, perto de Kutama, a nordeste de Salisbury (agora Harare, a capital do Zimbábwe), no que era ainda conhecido como o território da Rodésia. Antigo professor primário, com sete graus universitários, Robert Mugabe começou por dar nas vistas depois de travar uma sangrenta guerra de guerrilha contra os governantes coloniais brancos, que o mantiveram preso durante 10 anos, acusado por ter feito o que foi considerado um “discurso subversivo", em 1964. Saiu em liberdade decidido a abalar a estrutura política da então Rodésia, apelando a uma onda de indignação popular contra os governantes racistas. Já casado com Ghanaian Sally Hayfron, que foi a sua primeira mulher (enviuvou em 1992), cruzou a fronteira para Moçambique e daí liderou uma guerrilha de oposição ao governo de minoria branca, lutando pela independência. A assinatura do acordo de paz de Lancaster House (em Londres) permitiu-lhe regressar. Voltou como um herói, aclamado pela maioria negra, tornando-se primeiro-ministro em 1980, já com o país independente e recém-renomeado como Zimbábwe. O decrepito Mugabe de hoje, alvo de golpe militar a serviço imperialismo, foi incapaz pela natureza de classe do nacionalismo burguês no Zimbábue e no continente africano de levar de forma consequente a luta contra o imperialismo, sendo agora apeado do governo pela alta cúpula das FFAA, após décadas de relação conflituosa com as potências capitalistas ocidentais, que atua sob as ordens de Washington e Londres. Sem nutrir nenhuma simpatia pelo governo Mugabe que vem sistematicamente pactuando com os antigos colonizadores brancos, os Marxistas Revolucionários rechaçam o golpe militar em curso e conclamam o movimento de massas a lutar contra a cúpula das FFAA, retomando o caminho do combate anti-imperialista que marcou as heróicas lutas do povo negro neste país africano!


terça-feira, 14 de novembro de 2017

BRUTAL CHACINA DE SEIS CRIANÇAS SOB A GUARDA DO ESTADO DO CEARÁ EM UM "CENTRO SOCIOEDUCATIVO" PARA MORRER : GOVERNADOR CAMILO SANTANA SEQUER EMITE COMUNICADO E MANDA O "SUB DO SUB" LAMENTAR CINICAMENTE A COVARDE MATANÇA QUE TEM AS "DIGITAIS" DE SUA POLÍCIA


Seis adolescentes (dois corpos ainda não reconhecidos) foram brutalmente assassinados quando dormiam a noite em um "centro socioeducativo" administrado pelo governo do Ceará. Homens fortemente armados de metralhadora entraram tranquilamente a noite no centro socioeducativo do Passaré (bairro de Fortaleza) e sequestraram seis jovens que estavam sob a guarda do Estado (Secretaria de Assistência Social). Os seis adolescentes foram levados a uma rua próxima ao centro socioeducativo e ali mesmo foram executados, destacar que os matadores não foram molestados pela segurança do tal "centro da morte" e nem se deram ao trabalho de se deslocar para muito longe. É evidente que os chacais tiveram a colaboração da polícia ou são estes mesmos os próprios assassinos. Diante da extrema gravidade do fato, o governador petista sequer emitiu um comunicado e muito menos seu secretário de assistência social, responsável pelo controle dos centros socioeducativos de todo o estado, mandou um "sub do sub" apenas lamentar cinicamente as mortes que claramente tem as "digitais" da PM. Esta repugnante chacina foi mais uma das crônicas anunciadas da morte de jovens pobres da periferia, neste caso específico as famílias das vítimas inclusive já tinham comunicado as ameaças as autoridades judiciais e policiais e nada foi feito, ou melhor, a chacina foi até facilitada pela negligência do governo do estado. O governo neoliberal do PT no Ceará, não promove só privatizações, desmonte dos serviços sociais e arrocho salarial contra os servidores públicos, também induz a repressão e morte da juventude pobre, negra e índia das regiões onde os "nobres" da oligarquia Ferreira Gomes não habitam. Do "enquadrado" PT não se poderia esperar outra postura de silêncio diante da barbara chacina, mas o surpreendente mesmo é que passadas 24 horas nenhum dirigente do PSOL denunciou publicamente a responsabilidade do governo no assassinato dos jovens que estavam sob a "guarda" do Estado. A única preocupação dos psolistas é com as eleições de 2018 e seu candidato Ailton Lopes a "vereador" (a postulação ao governo é apenas um trampolim eleitoral). A tarefa dos movimentos sociais e de direitos humanos do Ceará é convocar imediatamente uma mobilização de solidariedade com as famílias dos jovens vitimados, exigindo a apuração e severa punição dos culpados, assim como a renúncia do governador petista e toda sua equipe de cúmplices inertes.