sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O DIREITO A INDEPENDÊNCIA NACIONAL DA CATALUNHA E A LUTA POR UMA ESPANHA OPERÁRIA E SOCIALISTA: UM MESMO COMBATE DA CLASSE OPERÁRIA E DOS POVOS!


Nos últimos dias as mobilizações dos catalães pelo direito de realizar o referendo em 01 de outubro para definir pela independência nacional ou não perante o Estado Espanhol ganhou as manchetes mundiais. A Catalunha, habitada por 7 milhões de pessoas e onde encontra-se a importante cidade de Barcelona, reivindica a separação e a formação de um “Estado nacional”. Essa reivindicação “uniu” todas as classes sociais da região, ainda que entre estas existam interesses completamente opostos e irreconciliáveis. A punjante burguesia catalã deseja fazer seus negócios independente do combalido Estado Espanhol, hoje gerenciado pelo governo direitista de Rajoy em parceria com uma Monarquia reacionária. Por sua vez, o proletariado e as camadas médias (pequena-burguesia) se movem em função tanto de sua identidade cultural como na esperança de verem-se em melhores condições de enfrentar a crise econômica que assola o conjunto da Espanha e a própria Europa. O direito democrático a separação da Catalunha é uma reivindicação que dever ser apoiada pelos Marxistas Revolucionários, ainda que no curso dessa luta devemos levantar bandeiras e consignas próprias da classe operária, que superam a simples defesa de um novo “Estado nacional”. Como Trotsky alertou no artigo “O problema nacional e as tarefas do Partido Proletário” (abril de 1935) “Os movimentos nacionais democráticos foram em si mesmos impotentes para acabar com a opressão nacional do czarismo. Foi apenas graças ao fato que os movimentos das nacionalidades oprimidas, bem como o movimento agrário do campesinato, terem dado ao proletariado a possibilidade de conquistar o poder e estabelecer sua ditadura, que a questão nacional, assim como a questão agrária, encontraram uma solução ousada e radical. Mas a própria combinação dos movimentos nacionais com a luta do proletariado pelo poder só foi possível politicamente porque o Partido Bolchevique, ao longo de sua história, tinha levado uma luta implacável contra os opressores grão-russos, e apoiado sempre e sem reserva, o direito das nações oprimidas à sua independência, até e inclusive a separação com a Rússia”. Em resumo, no caso em questão, a burguesia catalã por seu caráter de classe é incapaz de levar a frente plenamente essa reivindicação democrática, cabendo ao proletariado e o campesinato pobre a tarefa de lutar pela separação como parte do combate pela revolução socialista. Essa tarefa deve ser empunhada em unidade com seus irmãos de classes do Estado Espanhol, do País Basco e de outras regiões oprimidas, respeitando a vontade de cada povo ou região, que se chocam inclusive com os interesses das suas próprias burguesias nativas no curso da luta. No mesmo artigo, Trotsky pontuou que essa contradição de classe no interior do movimento pela independência nacional. O dirigente Bolchevique explicou “A política de Lênin diante das nações oprimidas não tinha, portanto, nada de comum com a dos epígonos. O Partido Bolchevique defendia o direito das nações oprimidas a disporem delas próprias, através dos métodos da luta de classe proletária, rejeitando claramente os blocos ‘anti-imperialistas’ charlatanescos com os numerosos partidos ‘nacionais’ pequeno-burgueses da Rússia czarista (o PPS, o partido de Pilsudsky na Polônia, os ‘dachnaki’ na Armênia, os nacionalistas ucranianos, os sionistas junto aos judeus, etc.). O bolchevismo desmascarou sempre impiedosamente nesses partidos, da mesma forma com os ‘social-revolucionários, sua dupla natureza e aventureirismo, e sobretudo a mentira de sua ideologia pretensamente acima das classes. Ele sequer suspendia sua crítica impiedosa quando as condições obrigavam a passar tal ou qual acordo episódico, estritamente prático, com eles. Não poderia ser questão de uma aliança qualquer permanente com eles, sob a bandeira do ‘anti-czarismo’. Foi apenas graças a uma política de classe implacável, que o bolchevismo conseguiu, nas condições da revolução, descartar os mencheviques, os social-revolucionários, os partidos nacionais pequeno-burgueses, e soldar em torno do proletariado as massas camponesas e as nacionalidades oprimidas”. A política aplicada pela “centro-esquerda” burguesa catalã hoje (PSC) e grupos afins sociais-democratas e neostalinistas na Espanha é de buscar uma unidade “acima das classes” herdada desde a política do Comintern stalinizado. Por essa razão, o PODEMOS e seu análogo na região, defendem um “referendo pactuado” inclusive com a direita (PP). Vale a lição que Trotsky já nos deixava na década de 30: “A Internacional Comunista, desde 1924, transformou o processo de ‘emancipação nacional’ dos povos coloniais numa abstração democrática vazia, elevada acima das relações de classes. Para lutar contra a opressão nacional, as diferentes classes se liberariam – por um tempo – de seus interesses materiais e se tornariam simples forças ‘anti-imperialistas’. Para que essas ‘forças’ imateriais cumprissem de boa vontade a tarefa que lhes dá a Internacional Comunista, se lhes promete em recompensa um Estado ‘nacional democrático’ imaterial (com a inevitável referência à fórmula de Lênin sobre a ‘ditadura democrática dos operários e camponeses’)”. No caso catalão, isso se demonstra na defesa abstrata da “independência nacional” sem unir esse combate a luta contra o imperialismo espanhol e seus aliados internos, propagando acordos permanentes de colaboração de classe em nome de uma “nova república”...burguesa! Os Marxistas Revolucionários defendem o direito a separação da Catalunha também como parte da luta por uma Espanha operária e socialista e como ponto de apoio para a independência do País Basco, se assim desejarem aquele povo. Para vencer, o método do proletariado não pode ser resumir a defesa da realização do referendo de 01 de outubro, que vem sendo impedido por Rajoy por meio de ameaças, recursos jurídicos e a repressão aberta via o envio de tropas da polícia nacional para a região da Catalunha. Os Marxistas Revolucionários defendem que o direito ao referendo e a própria independência nacional devem ser garantidos como os método de luta da classe operária: greve geral, ocupações de fábricas e terras, armamento popular, organismos de duplo poder, inclusive chamando a solidariedade de classe com o proletariado do Estado Espanhol como o “velho” Bolchevique nos ensinou: “Os revolucionários proletários não devem nunca esquecer o direito das nacionalidades oprimidas a dispor de si próprias, inclusive o seu direito à completa separação, e o dever do proletariado da nação que oprime a defender este direito, inclusive, se necessário, com armas na mão!”. Nesse sentido, é necessária uma ampla mobilização da classe operária, inclusive com a convocação de uma Greve Geral, para garantir a realização do referendo e o respeito a sua decisão, organizando junto com seus irmãos de classe a luta contra Rajoy e a Monarquia reacionária, unindo a luta pelo direito a separação da Catalunha e do País Basco ao combate por uma Espanha operária e socialista!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

28 DE SETEMBRO DE 1864 - FUNDADA A
I INTERNACIONAL: EM SEU MANIFESTO INAUGURAL MARX LANÇA O CHAMADO REVOLUCIONÁRIO “PROLETÁRIOS DE TODO MUNDO, UNÍ-VOS!”


A Associação Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.), historicamente, foi a primeira organização da classe operária de caráter internacional. Suas origens, segundo a maioria dos que se dedicam à História do Socialismo, remontam ao ano de 1862, durante a Exposição Internacional de Londres, ocasião em que operários franceses, alemães e ingleses estabeleceram as primeiras conversações no sentido da criação de um organismo internacional dos trabalhadores. No ano de 1863, aconteceu outro encontro, novamente em Londres, que reuniu alguns operários ingleses e franceses, convocando-se, por iniciativa de trabalhadores franceses, um Encontro de Trabalhadores para o ano seguinte. Ampla, abarca não só os partidários do socialismo científico, mas também proudhonianos, bakuninistas, blanquistas, entidades sindicais e até setores positivistas. Atuará até 1876. O Encontro fundacional acontece em 28 de setembro de 1864 em Saint Martin's Hall, Londres, data que marca, oficialmente, a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que passou a ser mundialmente conhecida como PRIMEIRA INTERNACIONAL. Participaram dessa reunião delegados de organizações operárias inglesas, francesas, italianas, alemãs, suíças e polonesas, na qual constituiu-se um Comitê Provisório formado por 27 trabalhadores ingleses, 9 franceses, 9 alemães, 6 italianos, 2 suíços e 2 poloneses, além de emigrantes socialistas alemães e poloneses. Karl Marx não fizera parte do grupo que fundara a AIT. Chegou até ela na qualidade de convidado, mas, durante a Assembleia, foi indicado para elaboração dos Estatutos e Declaração de Princípios, contando com a colaboração de Engels, além de ter escrito a Mensagem Inaugural que reproduzimos abaixo.    

MENSAGEM INAUGURAL DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES
(Kark Marx - 21 - 27 de Outubro de 1864)

Operários,

É um fato assinalável que a miséria das massas operárias não tenha diminuído de 1848 a 1864; e, contudo, este período não tem rival quanto ao desenvolvimento da indústria e ao crescimento do comércio. Em 1850, um órgão moderado da classe média britânica, de informação superior à média, predizia que se as exportações e as importações da Inglaterra viessem a elevar-se 50 por cento, o pauperismo inglês cairia para zero. Infelizmente, em 7 de Abril de 1864, o Chanceler do Tesouro Público deliciava a sua audiência parlamentar com a afirmação de que o comércio total de importação e exportação da Inglaterra se tinha elevado em 1863 «a 443 955 000 libras! soma assombrosa cerca de três vezes superior ao comércio da época comparativamente recente de 1843!». Apesar de tudo isto, foi eloquente acerca da «pobreza». «Pensai», exclamava ele, «nos que estão na fronteira dessa região», nos «salários. . . não aumentados»; na «vida humana. . . que em nove casos sobre dez não é senão uma luta pela existência!» Não falou do povo da Irlanda, gradualmente substituído pela maquinaria no Norte e por pastagens de carneiros no Sul, ainda que mesmo os carneiros, nesse país infeliz, estejam a diminuir, é verdade que não a uma taxa tão rápida como os homens. Não repetiu o que tinha então acabado de ser denunciado, num súbito acesso de terror, pelos mais altos representantes dos dez mil da alta. Quando o pânico da garrotte alcançou um certo auge, a Câmara dos Lordes ordenou que se fizesse um inquérito e que se publicasse um relatório acerca da deportação e servidão penal. A verdade veio ao de cima no volumoso Livro Azul de 1863, e ficou provado por factos e números oficiais que os piores criminosos condenados, os forçados de Inglaterra e Escócia, trabalhavam muito menos arduamente e passavam de longe melhor do que os trabalhadores agrícolas da Inglaterra e da Escócia. Mas, isto não foi tudo. Quando, em consequência da Guerra Civil na América, os operários do Lancashire e do Cheshire foram lançados para as ruas, a mesma Câmara dos Lordes enviou para os distritos manufatureiros um médico encarregado de investigar qual a mais pequena quantidade possível de carbono e de nitrogénio a ser ministrada da forma mais barata e mais simples que, em média, pudesse apenas bastar para «prevenir doenças [causadas] pela fome». O Dr. Smith, o delegado médico, averiguou que 28 000 grãos de carbono e 1330 grãos de nitrogénio eram o abono semanal que manteria um adulto médio. . . apenas acima do nível das doenças [causadas] pela fome e descobriu, além disso, que essa quantidade estava muito perto de coincidir com a alimentação escassa a que a pressão de uma miséria extrema tinha efetivamente reduzido os operários do algodão. Mas, vede agora! O mesmo sábio doutor foi, mais tarde, delegado de novo pelo alto funcionário médico do Conselho Privado para examinar a alimentação das classes trabalhadoras mais pobres. Os resultados das suas investigações estão contidos no Sixth Report on Public Health [Sexto Relatório sobre Saúde Pública] publicado por ordem do Parlamento no decurso do presente ano. O que é que o doutor descobriu? Que os tecelãos de sedas, as costureiras, os luveiros de pelica, os tecelãos de meias, etc, nem sequer recebiam, em média, a ração miserável dos operários do algodão, nem sequer [recebiam] o montante de carbono e nitrogénio «apenas suficiente para prevenir as doenças [causadas] pela fome».
28 DE SETEMBRO - DIA DE LUTA PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO LIVRE E GRATUITO: UMA QUESTÃO DE VIDA OU MORTE PARA A MULHER TRABALHADORA


"Não liberdade para todos, não igualdade para todos, mas luta contra os opressores exploradores, eliminação da possibilidade de oprimir e de explorar. Esta é a nossa palavra de ordem! Liberdade e igualdade para o sexo OPRIMIDO!"
(V.I.Lênin, "Sobre a emancipação da mulher")

A questão do direito ao aborto relaciona-se com o problema de opressão social a que as mulheres historicamente estão submetidas, tuteladas pela família e pelo Estado. Neste sentido, a hipócrita moral e legislação burguesas consagram esta opressão sobre o sexo feminino, discriminando a mulher na família, no trabalho e na sociedade como ser humano de segunda categoria, subtraindo-lhe direitos como o divórcio e o aborto, salário igual ao dos homens, além de duvidar de sua capacidade civil. No capitalismo, a "igualdade" na lei — quando existe — não significa igualdade na vida. Há frases pomposas em favor dos direitos das minorias, da igualdade e da liberdade, porém, tudo não passa de teatralidade burguesa. 

OS DIFERENTES EFEITOS DE CLASSE DA OPRESSÃO FEMININA

Apesar de ser lei desde 1940, o direito restrito ao aborto, significou liberdade somente para as mulheres burguesas ou pequeno-burguesas que, por terem recursos, detêm a exclusividade desse direito para abortarem seus fetos em belas clínicas, falsamente clandestinas, e com respeitáveis médicos. As mulheres operárias que, por ignorância dos métodos anticoncepcionais adequados, pela impossibilidade de obtê-los ou pelo peso de sua miséria cotidiana, obrigam-se a recorrer a um aborto clandestino doloroso, correm risco de vida pelas complicações pós-abortivas em locais desprovidos das mínimas condições higiênicas, médicas e hospitalares. A mulher operária aborta, sem amparo legal, recorrendo à ajuda clandestina sem qualquer condição de higiene, sendo mutiladas ou mortas em verdadeiros açougues humanos, enquanto a pequena burguesa aborta em clínicas médicas, à sombra da legislação hipócrita, de forma segura e confortável.
REFORMA POLÍTICA: ESQUERDA REVISIONISTA "GRITA" CONTRA A RESTRIÇÃO DO FUNDO PARTIDÁRIO E O FIM DAS COLIGAÇÕES, PORÉM AS ORGANIZAÇÕES REVOLUCIONÁRIOS ESTÃO PROSCRITAS HÁ MUITO TEMPO DAS ELEIÇÕES E NEM O PSOL, PSTU, PCB E PCO "DÃO UM PIO" SEQUER CONTRA ESTE REGIME ANTIDEMOCRÁTICO, SUA PRINCIPAL "QUEIXA" É PELO FIM DO SUBSÍDIO FINANCEIRO CONCEDIDO PELO ESTADO BURGUÊS AOS PARTIDOS DA ORDEM CAPITALISTA


A Câmara dos Deputados acaba de votar em segundo turno um arremedo de "reforma política", que sequer merece esta definição conceitual. Trata-se na verdade de uma mini reforma eleitoral (PEC 282/16), alterando algumas regras para a participação dos partidos institucionais nas próximas disputas eleitorais. Ainda não sabemos sequer se o Senado validará em tempo hábil para as próximas eleições o novo texto aprovado pelos deputados, caso contrário muito provavelmente toda a tramitação da "reforma" será invalidada e só voltará a ser debatida na próxima legislatura de 2019. Caso venha a vigorar com o aval do Senado, o texto prevê o fim das coligações em eleições proporcionais a partir de 2020 e a criação de uma cláusula de desempenho dos partidos já nas eleições de 2018. Além disso, a proposta acabou com a possibilidade dos partidos formarem federações para concorrer nas eleições a partir de 2020, uma aspiração das legendas menores, como o PSOL e PCdoB. Outro ponto aprovado foi a a cláusula de barreira gradativa que começará a ser adotada em 2018, com a exigência de que os partidos atinjam a votação mínima de 1,5% em pelo menos nove estados e chegando ao mínimo de 3% em 2030. Com isso, as siglas partidárias que não alcançarem esse patamar não terão direito a recursos do "generoso" fundo partidário, nem ao tempo de rádio e TV. Esta parece ser a principal preocupação da esquerda revisionista com esta malfadada "reforma", PSOL, PSTU e PCO já começaram a "protestar veementemente" com a possibilidade de perderem o subsídio financeiro concedido pelo Estado capitalista aos partidos integrados ao regime burguês. Outra fonte de preocupação do bloco revisionista é o fim das atuais coligações em nível proporcional, um mecanismo que serve muito mais para "somar votos" para a eleição de parlamentares, do que para aglutinar programaticamente na ação direta das massas as correntes de esquerda. Para umas das tendências externas do PSOL, o MRT, a reforma: "só serve a reprodução de uma mesma casta poderosa e corrupta de políticos, barrando a esquerda, em especial de partidos menores, a possibilidade disputarem as eleições. Os trabalhadores se organizarem para a disputa desse processo é ainda mais restrito.", o PSTU segue na mesma linha: "A reforma, na verdade, visa manter o monopólio da representação política nas mãos dos grandes partidos corruptos: PMDB, DEM, PSDB, PP, PT". Ou seja, para a esquerda revisionista a questão fulcral desta reforma é o "esmagamento" das pequenas siglas já legalizadas e o favorecimento dos "grandes partidos", tanto no campo eleitoral como financeiro, mas nem uma única palavra sequer foi escrita contra uma legislação vigente inteiramente proscritiva, que exige um esforço "empresarial" gigantesco para se obter um registro oficial no TSE. Recordemos aos leitores e a própria esquerda revisionista acometida de amnésia política que em 1993 foi aprovada uma legislação eleitoral draconiana revogando o direito de qualquer organização política se apresentar as eleições simplesmente com seu manifesto fundacional assinado por pouco mais de cem filiados. Como exemplo podemos citar o antigo PFS (Partido da Frente Socialista, ex-PLP) que nas eleições municipais de 1992 apresentou candidatos nas cidades do Rio e Fortaleza somente com seu registro inicial inscrito no TSE. Mesmo com a supressão do acesso ao fundo partidário (uma verba "disfarçada" do Estado destinada a cooptação institucional) ou mesmo o cerceamento ao tempo "gratuito" de TV e rádio, primeiramente defendemos como Marxistas Revolucionários o direito de qualquer organização de esquerda ter aceito seu registro legal pelo TSE apenas com a apresentação de seu programa e estatuto, além da comunicação oficial dos membros de sua direção nacional. É o que Lenin afirmava: "pleno direito a organização política legal". Em segundo lugar advogamos pelo direito eleitoral da apresentação de candidaturas avulsas ou frentes políticas formadas por entidades sociais, sem qualquer restrição de ordem jurídica. Em particular, como uma organização política Comunista somos visceralmente contrários ao recebimento "legal ou ilegal" de fundos financeiros (doações ou verbas) da burguesia e seu Estado. Desgraçadamente não só o PT decidiu aceitar a grana dos capitalistas para bancar suas atividades políticas, também os partidos reformistas (PSTU, PCO, PCB e PSOL), recebem "alegremente" dinheiro do Estado Burguês, pela via do milionário Fundo Partidário, negando o princípio básico Leninista da autonomia e independência de classe frente aos patrões e seu regime. Não se trata de nenhum "purismo sectário", estamos falando de uma questão elementar para os genuínos Comunistas, um Partido Revolucionário não pode ser financiado pela burguesia, direta ou tampouco indiretamente, como nos orienta claramente uma resolução acerca das eleições parlamentares aprovada no congresso da III Internacional, que sequer admitia que suas seções nacionais participassem de disputas eleitorais para cargos administrativos (majoritários) do Estado. Mas o cretinismo parlamentar da esquerda reformista contemporânea parece não ter limites, que agora se desespera com o fim dos subsídios financeiros estatais aprovadas pelo excremento desta "reforma política". Os Marxistas Leninistas não precisam de um "CNPJ" do regime burguês para organizar suas células e seu Partido Revolucionário para a tomada do poder, com ou sem "reforma", na legalidade democrática ou na clandestinidade marcharemos inexoravelmente em direção ao socialismo!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

LENINISMO VERSUS ANARQUISMO: EM DEFESA DA DITADURA DO PROLETARIADO!


Partindo de uma concepção Marxista Leninista de que a teoria anarquista é um obstáculo ideológico para o avanço da consciência revolucionária da classe operária e da juventude que reinvindica a ação direta e a luta anticapitalista, fenômeno que ganhou as ruas com o surgimento dos "Black Blocs", é necessária uma profunda delimitação programática com os novos seguidores de Bakunin. Antes mesmo de Lenin, Engels submete a uma profunda crítica as idéias dos bakuninistas que negam todas as autoridades, e expõe a teoria marxista sobre a atitude da revolução proletária para com o Estado. Engels denuncia a natureza anti-científica e contrarrevolucionária da idéia anarquista de "supressão do Estado", criticando violentamente o dogmatismo e o espírito sectário dos anarquistas. A vigência das teses de Engels, passando mais de um século de sua elaboração, foi plenamente confirmada pelos principais fatos históricos que marcaram o movimento operário mundial, seja pela via negativa, na Comuna de Paris (1871), ou afirmando positivamente pela Revolução Russa, em Outubro de 1917. Hoje quando a contrarrevolução destruiu o primeiro Estado Operário vitorioso do planeta, a URSS, impulsionando uma poderosa ofensiva ideológica contra o movimento operário, todas as correntes reformistas, stalinistas, anarquistas e revisionistas, voltam a empreender uma cruzada contra o caráter 'autoritário' dos verdadeiros Comunistas Revolucionários, invocando a respeito os princípios 'éticos' da democracia burguesa. Tanto Engels, assim como Marx, Lênin e Trotsky foram alvos do justo ódio das correntes oportunistas que sob o mando do "socialismo democrático" traficam sua política burguesa por entre a classe operária. Para estes, está reservado, como afirmou Trotsky 'a lata de lixo da história'. Os que acreditam que é possível coabitarem o socialismo e a democracia burguesa no mesmo período histórico terão de renunciar primeiro ao Marxismo, que provou cientificamente que estes dois elementos são historicamente incompatíveis. É a mesma coisa que acreditar que o homo sapiens e o Tiranossauro conviveram na mesma época.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

“VAMOS DEMOCRATIZAR A POLÍTICA E O ESTADO”? NÃO OBRIGADO, COMBATEMOS PELA DESTRUIÇÃO VIOLENTA DO ESTADO BURGUÊS COM A AÇÃO DIRETA E REVOLUCIONÁRIA DO PROLETARIADO!


O “Vamos”, uma articulação política que vai do PT ao PSOL, saudada entusiasticamente por grupos revisionistas como MAIS, Insurgência, Comuna, Subverta e afins, convocou em todo Brasil uma série de debates para discutir como “democratizar a política e o Estado”. Em sua plataforma apregoa “Vamos fazer uma reforma política que amplie a democracia e aumente a participação das pessoas nas decisões do Estado”, convocando a vanguarda a se mobilizar para “ampliar os processos de participação popular, com consultas, plebiscitos e referendos, e também conferências abertas e conselhos”. Esses conceitos “reformistas” (no sentido clássico do termo) são incompatíveis com a luta do proletariado para impor seu próprio poder de Estado (Ditadura do Proletariado), logicamente não pela via eleitoral e sim no combate direto da classe operária pela Revolução Socialista. Por essa razão o “Vamos” limita-se a articular uma “alternativa” para implementar as chamadas “políticas públicas” de inclusão social. Em resumo trata-se de radicalizar a democracia burguesa e as instituições de seu Estado (parlamento, justiça, polícia...), a velha tese da socialdemocracia reciclada pelo PSOL e os revisionistas do Trotskismo. Com este engodo pretendem utopicamente “democratizar” as instituições burguesas que não passam de sustentáculos da ditadura do capital contra os trabalhadores. Por isso as categorias teóricas “pensadas” nos debates em curso pelos signatários do “Vamos” não podem admitir a violência revolucionária de uma classe para subjugar a outra e muito menos reconhecer o Estado como um comitê gestor dos negócios da classe dominante. A resposta a esta questão foi abordada magistralmente por Lenin em sua obra “O Estado e a revolução”. Nela, o “velho” bolchevique desconstrói o mito de que o Estado burguês poderia ser “reformado” ou mesmo “democratizado” pela ação comunista no interior de suas instituições. Lenin é implacável ao definir as instâncias mais “nobres” do Estado capitalista, como as cortes de justiça, como verdadeiros instrumentos de classe contra o proletariado. A “tese” reformista da possibilidade de depurar o Estado dos seus elementos corruptos é contraposta por Lenin pela defesa da destruição violenta do complexo estatal burguês. Diante da proposta do “vamos democratizar a política e o Estado” respondemos em alto e bom som: Não muito obrigado! Como Marxistas Revolucionários combatemos pela destruição violenta do Estado burguês com a ação direta e revolucionária do proletariado!  Hoje, os que abjuram o Leninismo dizendo que está superado, que é preciso construir novas formas de partido, menos autoritário, mais democrático, na verdade, são as mesmas vozes que abandonaram o programa da conquista do poder e o Comunismo. São os defensores da economia solidária, do capitalismo humanitário, da “democratização” do Estado burguês. O Estado burguês não pode ser democratizado, é um instrumento centralizado de dominação capitalista que deve ser colocado abaixo pela via da Revolução Proletária. Os explorados devem sim lutar através de sua ação direta pela nacionalização dos bancos, indústrias, portos e aeroportos sob o controle dos trabalhadores, forjando Conselhos Operários para lançar as bases para a construção de um poder de novo tipo, proletário e socialista, um Estado Operário, forjando uma alternativa revolucionária trabalhadores da cidade e do campo!

REVISITANDO A HISTÓRIA: VEJAM COMO O DIRIGENTE DO MAIS, FÁBIO JOSÉ, QUANDO ERA VEREADOR PELO PSTU JÁ DEFENDIA A CONCILIAÇÃO DE CLASSES COM PARTIDOS BURGUESES


VEREADOR DO PSTU EM JUAZEIRO DO NORTE (CE) INTEGRA BLOCO PARLAMENTAR COM O PT E PHS DE APOIO AO GOVERNO LULA 
(ARTIGO PUBLICADO NO JLO EM 06/08/2003)

Nos últimos meses, o PSTU tem dirigido um chamado aos parlamentares petistas que estão sendo ameaçados de expulsão do partido e ao conjunto da vanguarda classista a romper com o PT para conformar um novo partido de esquerda e socialista. Porém, onde possui alguma expressão parlamentar, o PSTU vem seguindo uma trajetória completamente oposta a que aconselha aos seus aliados da esquerda petista e aos trabalhadores.

VALE TUDO ELEITORAL E CRETINISMO PARLAMENTAR

Dos dois únicos mandatos parlamentares que o PSTU possui nacionalmente, o mais importante é o do vereador Fábio José, eleito na cidade de Juazeiro do Norte, no interior Ceará. Juazeiro é a segunda maior cidade do Estado do Ceará e em torno dela se concentra o importante pólo político da região do Cariri. Fábio foi militante do morenismo tupiniquim desde a Convergência Socialista. Foi eleito em 2000 em uma coligação entre o PT e o PSTU, que tinha como candidata à prefeita, a petista Íris Tavares. O lema da coligação frente-populista que recebeu apoio até de notórios políticos do PSDB era “quando o povo quer, Padre Cícero abençoa”, reivindicando o que há de mais reacionário na cultura local, o fanatismo religioso que tem como expressão maior o padre-coronel, símbolo da manipulação da crença popular pelas oligarquias latifundiárias e a igreja católica no Cariri. A esta arqui-reacionária coligação, o PSTU tem a repugnante cara-de-pau de chamar de “frente classista”. Iris não foi eleita prefeita, mas a tal frente elegeu dois vereadores em Juazeiro, um do PT e o próprio Fábio José. Desta forma, o PSTU foi imediatamente recompensado eleitoralmente por integrar a frente eleitoral burguesa e clerical. Nas eleições de 2002 Irís Tavares elegeu-se deputada estadual e ingressou na DS.
ELEIÇÕES ALEMÃS: FRACASSO DA POLÍTICA SOCIAL DEMOCRATA DO "DIE LINKE" PAVIMENTA CAMINHO PARA OS NEONAZISTAS DA AFD INGRESSAREM NO BUNDESTAG


Tanto a grande mídia corporativa como os veículos da imprensa de esquerda tem dado muito destaque ao ingresso dos neonazistas no parlamento alemão, afinal é a primeira vez que um partido de extrema-direita adentra no Bundestag após a II Guerra Mundial. As eleições parlamentares alemãs ocorridas neste último final de semana revelaram (e comprovaram) o que nós da LBI já vimos afirmando há mais de uma década: está em curso mundial uma forte ofensiva reacionária e neoliberal, consolidada após a destruição contrarrevolucionária dos Estados Operários do Leste europeu. As correntes da esquerda revisionista que comemoraram a derrubada do Muro de Berlim, são as mesmas que hoje se dizem bastante apreensivas com o fortalecimento do neonazismo na pátria de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. A boa votação do debutante AfD, cerca de 14% dos votos válidos, impressionou a muitos analistas políticos desavisados que não davam muito crédito ao crescimento do neonazismo na locomotiva econômica do imperialismo europeu. Porém a crise estrutural capitalista, forçou que o partido dominante alemão (CDU da chanceler Angela Merkel) adotasse medidas para rebaixar o valor da força de trabalho do proletariado, pela via da abertura do mercado nacional a mão de obra de imigrantes asiáticos e árabes. O ataque as condições de vida da poderosa classe operária alemã, imposto pelos rentistas da Troika, implodiu a coalizão de governo entre a CDU e o SPD (Social Democracia tradicional), facilitando o surgimento de uma oposição de extrema direita que conseguiu superar a barreira institucional erguida pelo regime parlamentarista contra novas agremiações partidárias. A neonazista AfD nasce com um discurso agressivo contra a hegemonia política de mais de uma década de Merkel, mirando seu foco de intervenção parlamentar no combate aos imigrantes e a juventude proletária alemã. Por outro lado, em proporção inversa ao "fenômeno" AfD, a mídia em geral pouco ou nada comentou sobre o fiasco eleitoral do Die Linke (Partido de Esquerda) que sequer conseguiu crivar a marca de 10% dos votos. O Die Linke é o herdeiro político do histórico KPD (Partido Comunista Alemão) fundado em 1918 a partir da revolucionária Liga Espartaquista de Rosa e Karl Liebknecht. O antigo KPD ou SED governou a RDA (Alemanha Socialista) até a sua anexação pela OTAN em 1990, posteriormente passou a se chamar PDS e por fim De Linke após a desastrosa fusão com uma ala do SPD liderada pelo reformista Oskar Lafontaine. Os "neocomunistas" do Die Linke decidiram seguir os passos dos congêneres sociais democratas de "novo tipo", como o Syriza da Grécia, PSOL e o Podemos do Estado Espanhol, abandonando o combate pela revolução socialista e adotando o programa de "gerenciamento ético" do capitalismo. Governando Berlim, Brandenburg e Turíngia em parceria neoliberal com o SPD, o Die Linke abdicou de qualquer resquício classista, sendo arrastado na vala comum dos partidos do "ajuste" imposto pela Troika européia. O resultado eleitoral do Die Linke não poderia ser outro a não ser como um subproduto da parca votação do SPD. Sem uma vigorosa organização antifascista na Alemanha, o AfD não tem um inimigo visceral para derrotá-lo, seja nas urnas ou nas ruas. A tarefa dos Comunistas Leninistas da Alemanha, ainda que muito poucos "sobreviventes" do combate em defesa do Muro de Berlim e das conquistas operárias da antiga RDA, será organizar os comitês de massas contra os ajustes neoliberais promovidos pelo governo Merkel, assim como impulsionar o enfrentamento militar com os neozanistas do AfD e afins, sempre convocando a solidariedade política ativa de toda classe operária mundial e dos povos oprimidos pelo imperialismo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

RACHA NA “LPS”: ALEJANDRO ACOSTA É GRAVEMENTE ACUSADO DE SER UM “INFILTRADO”. FALTOU O GRUPO DO “SINDICALISTA” PEDRO PAULO, QUE CONTROLA A “LPS”, DIZER A SERVIÇO DE QUEM...


O grupo de Alejandro Acosta, ex-membro do Comitê Central do PCO que havia ingressado na Luta Pelo Socialismo (LPS) há pouco mais de um ano, acaba de anunciar sua ruptura com o agrupamento político-sindical dirigido pelo oportunista Pedro Paulo (Pepê), também ex-dirigente de Causa Operária, que controla há várias décadas o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais. Alejandro acusa a LPS de ser um grupo sindical burocrático degenerado. Por sua vez, Pepê responde caracterizando Alejandro, entre outras sérias acusações, de ser um infiltrado que recorre a métodos policialescos e de sabotador da Organização, declarando: “A prática do entrismo, uma tática política de infiltração, foi realizada pela ala minoritária que compunha a direção da LPS, composta por três pessoas, desde antes do I Congresso da Organização, conforme identificamos por meio das trocas de e-mails, datados de 13 de março, entre o principal representante dessa ala, Alejandro Acosta, e uma ‘militante’ do seu grupo.  Nesse sentido, a Organização entende que deverá ter um cuidado especial com sua rede de militantes e simpatizantes. Ou seja, estará atuando com maior vigor e, como medida prática, irá reestruturar os meios de comunicação, seguindo os requisitos do seu estatuto” (LPS realiza sua II Conferência, debate entrismo e reafirma programa revolucionário, 18/09/2017). Nesse “debate” ao que parece o que menos importa são divergências programáticas até porque ambos os lados têm um histórico de adaptação à Frente Popular, seja no terreno político e sindical, questões vitais que a LBI aprofundará em um outro momento. Nos interessa aqui abordar fundamentalmente a no mínimo “estranha” trajetória de Alejandro Acosta. Tanto o PCO como a LPS acusam-no ou no mínimo insinuam que este recorre a “práticas policialescas” ou mesmo seria um “infiltrado”, como afirmou textualmente Pepê na gravíssima citação acima, questionando inclusive a origem de suas finanças e a quem de fato ele está a serviço. O mais curioso é que essas graves “desconfianças” não impediram nem Causa Operária e muito menos a LPS de alçar Alejandro Acosta à condição de membro não só do Comitê Central mas da Comissão Executiva de ambas as organizações que se reivindicam Trotskistas e Leninistas, ou seja, em tese rigorosas com o controle daqueles que assumem altos postos de direção partidária. Ao contrário, a LPS aceitou via um “acordo” que não só Alejandro como também “simpatizantes” do agrupamento integrassem o CC, em uma prova inconteste de ruptura com as noções básicas de Bolchevismo. Não temos dúvida que Alejandro é um quadro político capaz, mas sem qualquer tradição ou histórico militante na esquerda brasileira. No passado tivemos exemplos de vários “quadros políticos capazes” que estavam a serviço da burguesia e seu aparato de repressão e de inteligência, tanto na ditadura como na “democracia” eles têm um papel fundamental de informar sobre a vida interna das organizações políticas e sabotar a esquerda revolucionária. Voltando a Alejandro Acosta, sabemos apenas que nasceu no Uruguai e estudou no México. Seu passado militante é completamente obscuro e ignorado, foi stalinista, maoísta...“ingressou” no trotskismo pelas mãos do PCO na fase que Rui Pimenta já não tinha nenhum critério militante bolchevique, tanto que tornou sua legenda oca um agrupamento menchevique de aluguel que hoje não passa de uma sombra do PT, repleta de arrivistas e carreiristas que usaram a legenda a serviço da direita. Já nessa época Alejandro tinha a conduta estranha de fazer viagens internacionais “por contra própria” com total autonomia de Causa Operária, viagens que pelo visto continuaram na LPS e que agora são questionadas até mesmo pelos seus ex-parceiros recém rompidos. Vejamos o que afirma o documento público da LPS: “Quem paga suas inúmeras viagens e estadias pelo mundo afora? Ou seja, quem profissionaliza o companheiro, uma vez que não é a LPS? É no mínimo estranho que se abra um debate contestando a profissionalização de militantes e trabalhadores na LPS e em sindicatos (pessoas que todos sabem onde moram, quanto ganham, como vivem e quem efetivamente são), enquanto a situação financeira do companheiro e sua vida pessoal é uma incógnita para o partido. Al cotiza R$250,00 mensais. Então, tudo leva a crer que ganha mensalmente cinco mil reais. Esta quantia é incompatível com as idas e vindas e o modo de vida do cotidiano de Al. Até para analisarmos a base para a sua cotização mensal, que no caso de todos os militantes se baseia no que recebem de salário, torna-se essencial este esclarecimento” (Resposta da maioria dos membros do CC da LPS ao documento enviado pelo Companheiro Alejandro sobre o que seria a caracterização às ‘duas políticas’ da LPS - 04 de setembro de 2017). Como se observa, trata-se de um questionamento de alta gravidade, político e moral, perguntando diretamente quem financia sua atividade política e a serviço de quem ele desenvolve sua “militância profissional”. Ainda que algumas das críticas de Alejandro a LPS e anteriormente a Causa Operária sejam corretas, ele em nenhum momento responde as graves acusações que lhe são imputadas, limitando-se a declarar: “Alejandro nunca teve absolutamente nenhum problema em determinar origem de recursos, inclusive nos 13 meses que compartilhou a mesma moradia com outros militantes, como Florisvaldo Lopes. E a questão central seria que Alejandro não dependeu do controle financeiro (e portanto, político) da ala burocrática ou que esta burocracia se vale dos aparatos sindicais (principalmente das finanças) para controlar a Organização para vantagens próprias? Se o problema fosse de provas não deveríamos começar pela abertura da contabilidade dos sindicatos, de maneira ampla, pelo menos às suas diretorias?” (Política revolucionária x controle de aparatos sindicais - Alejandro Responde à Maioria da LPS, 25.09.2017). O fato da direção da LPS “profissionalizar” financeiramente de forma completamente deformada vários assessores sindicais e mesmo “ajudantes” que não são de fato militantes plenos do agrupamento e muito menos quadros testados (o que sem dúvida é um completa degeneração política e material) não torna a acusação que lança contra Alejandro Acosta menos grave, situação que fica ainda mais nebulosa na medida que o mesmo busca escamotear a discussão sobre esta questão mesmo diante um ataque dessa gravidade, sem dar maiores explicações convincentes. O que temos certeza em meio a essa troca de acusações é que apesar das profundas deformações burocráticas e adaptação ao sindicalismo/economicismo que marcam a trajetória política de Pedro Paulo desde Causa Operária e que se aprofundaram na LPS, os companheiros da maioria do que restou da LPS devem provar rigorosamente que Alejandro é um policial ou um infiltrado dos órgãos de inteligência ou da repressão burguesa. A LBI tem inúmeras e sérias diferenças com a LPS e a conduta política e sindical de Pepê, mas esse debate pode e deve ser tratado na dura e rígida arena da discussão programática da esquerda que se reivindica Trotskista e Leninista. Já com relação a Alejandro Acosta não podemos afirmar o mesmo. As duas organizações que ele militou o acusam de fazer “calúnias de natureza policial” (PCO, abril-2016) ou de “prática policialesca” (LPS, setembro-2017). Cabe a Alejandro Acosta uma explicação pública e detalhada ao conjunto da esquerda brasileira e particularmente as organizações que se reivindicam trotskistas, “nicho” onde ele vem atuado no último período, caso não o faça de forma convincente restará ainda mais dúvidas de quem realmente ele está a serviço. Além do mais, a LPS ainda denuncia que parte da militância que Alejandro agrupa em torno de si é quase completamente virtual e sem nenhuma atividade política comprovada. A “militante” Diana Maffei é muito ativa nas redes sociais porém segundo a LPS “a companheira DM (que não tem núcleo e não vende jornal, mas é apresentada como militante pela ala ‘revolucionária’ – nada pessoal contra a companheira) se negou a participar da reunião sem dar qualquer justificativa plausível” ou ainda que “No caso dos 'militantes' de Caxias/RS não se sabe de nenhuma atuação organizada na região onde moram, seja política, sindical, popular ou cultural”. Desde a LBI como Trotskistas-Leninistas, que defendemos a militância Bolchevique e um partido de quadros políticos profissionais (favor não confundir com profissionalização financeira) consideramos que tanto o PCO como a LPS estão pagando o preço por se adaptarem ao peso e a pressão da Frente Popular e de seus aparatos políticos e sindicais. No caso específico da LPS esperamos que os companheiros ainda possam romper com essa “tradição” tradeunista, uma tarefa que somente é possível combatendo sem tréguas os desvios sindicalistas que acabam torando um insipiente núcleo classista refém dos sindicatos e dos seus privilégios oriundos em última instância das benesses do Estado burguês.  
GOVERNO LULA EM 2004 ORDENOU QUE EXÉRCITO OCUPASSE MORROS E FAVELAS DO RIO DE JANEIRO REPRIMINDO A POPULAÇÃO POBRE: A FRENTE POPULAR PAVIMENTOU O CAMINHO PARA O RECRUDESCIMENTO DO REGIME POLÍTICO CONTRA OS TRABALHADORES


Recorrendo ao pretexto de combater o tráfico de drogas e a disputa entre os grupos rivais pelo controle dos pontos de venda, o governo Lula em 2004 ordenou a ocupação militar, através das Forças Armadas (FFAA), nas favelas do Rio de Janeiro, cercando a população pobre inclusive da Rocinha, como o canalha golpista Temer vem fazendo neste momento. Publicamos o artigo de denúncia elaborado pela LBI sobre a repressão imposta pela Frente Popular aos trabalhadores nos morros e comunidades em colaboração então com o governo de Rosinha Garotinho (PMDB), enquanto o PT e PCdoB apoiavam a ação do Exército, como fazem agora em 2017 em nome da “segurança pública”, uma política reacionária que tem inclusive o apoio do PSOL de Marcelo Freixo.

NÃO À OCUPAÇÃO DO RIO DE JANEIRO PELAS FFAA! ABAIXO A REPRESSÃO À POPULAÇÃO POBRE DOS MORROS E FAVELAS!
(ARTIGO PUBLICADO PELA LBI EM 24/05/2004)

O acordo pantanoso celebrado entre a governadora Rosinha Mateus (PMDB) e os ministros José Viegas, da Defesa, Márcio Tomás Bastos, da Justiça e o Secretário da Coordenação Política Aldo Rebelo (PCdoB), estabeleceu como “única” função da ocupação das FFAA a busca e apreensão de armas e munição de grande calibre em posse dos grupos que “controlam” o tráfico de drogas nas favelas, com a justificativa de que esse tipo de armamento é de uso exclusivo das FFAA. O governo Rosinha-Garotinho requisitou inicialmente o envio de 4 mil soldados do exército, após uma onda de violência desencadeada pela própria PM na favela da Rocinha na zona sul carioca, quando tentou ocupá-la para supostamente evitar a guerra entre as facções que disputam o controle da comercialização no “varejo” das drogas naquela zona. A presente crise na segurança pública fluminense representa a perda do controle das negociatas que o mafioso Secretário de Segurança, Antony Garotinho e a PM estabeleciam com as lideranças do tráfico nos morros e favelas da capital. Nesse sentido, a governadora Rosinha, foi obrigada a recorrer aos serviços das FFAA para desempenhar o papel de árbitra das disputas entre os traficantes das favelas do Rio, pondo “ordem em casa”, às custas de uma violenta repressão à população trabalhadora que morra nestas comunidades, chegando ao ponto do vice-governador, Paulo Conde, sugerir a construção de um muro em volta da Rocinha, copiando a medida do nazi-sionista Sharon contra o povo palestino.


O governo Lula, para atender a essa solicitação, cobrou uma contrapartida bastante onerosa, ou seja, o reconhecimento do governo do estado da sua incapacidade para resolver as questões de segurança pública referentes ao tráfico de drogas, exigindo que todo o comando da operação da ocupação estivesse nas mãos das Forças Armadas e do governo federal. Essa proposta do governo Lula, recusada por Rosinha, obviamente tinha como objetivo político as eleições municipais deste ano, ou seja, fortalecer a candidatura do petista Jorge Bittar à prefeitura, capitalizando com o desgaste político tanto do atual prefeito César Maia (PFL), mas, sobretudo, do governo estadual, que daria adeus à sua pretensão de eleger o vice-governador Paulo Conde prefeito da cidade do Rio de Janeiro.

sábado, 23 de setembro de 2017

23 DE SETEMBRO DE 1973: MORRE PABLO NERUDA, O POETA DO STALINISMO CHILENO QUE GARANTIU EXÍLIO A SIQUEIROS APÓS SUA TENTATIVA FRUSTRADA DE ASSASSINAR TROTSKY NO MÉXICO


Muitos militantes e ativistas de esquerda admiram a obra poética de Pablo Neruda. Seria “lugar comum” elogiá-la (ainda que criticamente) por suas denúncias das injustiças sociais e a beleza cortante de seus escritos. Como Trotskystas Revolucionários, amantes da arte e da literatura como nos ensinou o fundador da IV Internacional no livro “Literatura e Revolução”, desejamos aqui brevemente abordar no dia da morte de Neruda (23.09.1973) a trajetória política do poeta chileno que foi militante do Partido Comunista, senador pelo Chile e chegou a ser indicado como pré-candidato a Presidente da República pelo PC, se caracterizando como um ardoroso stalinista em toda sua vida política e artística, tanto que fez um poema de ode a Stálin lamentando a morte do dirigente-maior da burocracia soviética em 1953, texto que reproduzimos abaixo. Esse lado da “obra” de Neruda em geral é “esquecido” ou “negligenciado” pela esquerda reformista, que apenas enaltece sua trajetória artística e seu dedicado apoio a Unidade Popular de Allende (PS). Em 1945, Neruda entrou para o Partido Comunista e foi eleito senador no Chile. Em 1948, perdeu seu mandato e passou à clandestinidade, devido às críticas que fazia ao presidente Gabriel González Videla. O escritor e poeta viajou por vários países, na maioria das vezes como exilado político. Em 1950, publicou Canto Geral, no México. É uma de suas obras mais importantes sobre os povos da América e suas lutas. Em 1953 recebeu o Prêmio Lênin da Paz da URSS stalinizida. No ano de 1971, Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura no lastro de sua figura que simbolizava a defesa da “Paz Mundial”, ou melhor, de coexistência pacífica com o imperialismo. Em 1970, sua imagem e participação política eram de tal importância, que foi indicado pelo Partido Comunista para a Presidência da República. Entretanto, renunciou, capitulando à candidatura frente-populista de Salvador Allende, que ganhou as eleições. Pablo apoiou o governo de Allende até o fim, mesmo quando esse se recusou a conclamar os trabalhadores a resistirem ao golpe militar promovido pelo chacal Pinochet. Em 1973, com o assassinato de Salvador Allende, Pinochet assumiu o poder instalando uma ditadura militar. Doze dias depois, morreu o poeta e político Pablo Neruda, sendo possivelmente envenenado pelos agentes da ditadura chilena, usando um método análogo ao que a GPU utilizou na França para assassinar o filho e dirigente da IV Internacional, Leon Sedov. Seu cortejo fúnebre foi o primeiro grande ato contra a ditadura Pinochet. No meio da multidão, as palavras de ordem políticas se somaram às lágrimas da perda. Embora tenha entrado no Partido Comunista Chileno apenas em 15 de julho 1945, a aproximação de Neruda ao PC iniciou-se durante a Guerra Civil Espanhola, a partir de seu posicionamento inicial, antifascista e republicano. Nessa época, Neruda era Cônsul na Espanha. Ele perdeu o cargo de Cônsul, devido a sua aberta participação política na Guerra Civil Espanhola. Nas palavras do próprio Neruda: “Embora eu tenha me tornado militante muito mais tarde no Chile, quando ingressei oficialmente no partido, creio ter-me definido como um comunista diante de mim mesmo durante a guerra da Espanha. Muitas coisas contribuíram para a minha profunda convicção”. A motivação inicial, ainda na Espanha, um misto de revolta pelo assassinato covarde do poeta Federico Garcia Lorca e de solidariedade com a luta do povo espanhol levaram a apoiar a política criminosa do PC na Espanha, de perseguição e eliminação física dos trotskistas, anarquistas e do POUM. Neruda, nem na época da Guerra Civil Espanhola, nem nunca em sua vida, avaliou as táticas equivocadas do PC stalinista e da Internacional Comunista como contribuições da derrota do proletariado local e mundial. Aderiu acriticamente ao stalinismo desde o primeiro momento e nunca aceitou de fato que houvesse uma degeneração do Estado Operário Soviético. Em suas memórias cita Stálin “Eu já tinha tido a minha dose de culto à personalidade no caso de Stalin. Mas naquele tempo Stalin nos aparecia como o vencedor avassalador dos exércitos de Hitler, como o salvador do humanismo mundial. A degeneração de sua personalidade foi um processo misterioso, até agora enigmático para muitos de nós”. A sua idolatria com Stalin como o herói que teria derrotado Hitler, oculta todos os expurgos do PC soviético e a eliminação física dos adversários, como nos processos de Moscou e nos assassinatos dos membros da Oposição de Esquerda do partido, na URSS e ao redor do mundo. Desses crimes, o assassinato de Trotsky no México foi um golpe tremendo no proletariado internacional e sua organização, principalmente na recém fundada IV Internacional. Embora não tenha participado nem do atentado comandado pelo pintor David Alfaro Siqueiros em maio de 1940 ou do assassinato em 20 de agosto do mesmo ano por Ramón Mercader, Neruda nunca condenou essas ações. Ao contrário usou sua condição de cônsul para conseguir asilo político em 1941 a Siqueiros no Chile, em um acordo com o governo mexicano e chegou a defender o assassinato publicamente como uma necessidade histórica. Em resumo, as qualidades poéticas de Neruda não encobrem sua trajetória política de agente “iluminado” do stalinismo, ainda que no final da vida ele tenha tenuemente esboçado uma crítica a apologia que ele mesmo fez do dirigente soviético sem, no entanto, se autocriticar de ter apoiado por toda vida a orientação criminosa de Stálin e muito menos de ter avalizado a política de colaboração de classes do PC no Chile que pavimentou o caminho para o golpe militar e a ditadura de Pinochet!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

EM MEIO AS AMEAÇAS DE GOLPE MILITAR: "EXÉRCITO INVADIU A FAVELA DA ROCINHA COM A COBERTURA DAS MENTIRAS DA GLOBO, DE JUNGMANN"... E TAMBÉM DE MARCELO FREIXO


Em meio as ameaças de um golpe militar, vindas de um general do alto comando das Forças Armadas, o exército brasileiro invadiu na tarde desta sexta-feira a favela da Rocinha. A justificativa da ação militar, solicitada pelo governador do Rio de Janeiro, teria sido uma intensa guerra do tráfico travada no interior da comunidade carioca. O comando da Polícia Militar afirmou que não possui condições "logísticas" para enfrentar os dois bandos criminosos que controlam o tráfico de cocaína e que supostamente entraram em confronto aberto na Rocinha. A Rede Globo deu ampla cobertura política ao conflito, evocando a necessidade urgente das FFAA intervirem em apoio a "frágil" PM carioca, que segundo a famiglia Marinho estaria em condições bélicas inferiores a dos traficantes do Rio. Logo vários juristas e até ex-ministros do STF iniciaram uma campanha midiática pela invasão do exército na favela da Rocinha, atendida pelo Ministro da Defesa, Raul Jugmann, que deslocou um significativo contigente militar para mais uma vez ameaçar a população pobre e negra do Rio de Janeiro. Tanto a versão da "guerra fratricida do tráfico", como a da "inferioridade" bélica da PM em relação aos bandos criminosos, não passa de puro distracionismo para convencer tolos e galvanizar o apoio de reformistas do calibre de Marcelo Freixo do PSOL. Sabemos muito bem quem alimenta de "pasta de cocaína" as milícias criminosas que habitam as periferias urbanas: são corporações capitalistas com íntima ligação com as oligarquias dominantes em cada região. No Rio de Janeiro todos sabem que o PROJAC da Globo é uma das principais referências no abastecimento da "cocaína pura e de primeira qualidade". Em Minas Gerais a "importação" da pasta da coca é operada diretamente pela camarilha tucana dos Neves e no Ceará o clã dos Ferreira Gomes além de principais consumidores tem o monopólio do comércio da droga, somente idiotas úteis acreditam que os "pé de chinelo" que habitam as periferias, favelas e morros sãos verdadeiramente os "barões do tráfico" no Brasil. Porém os reformistas do PSOL corroboram com a "tese" de que é necessário invadir as periferias deste país com a polícia e o exército para acabar com o tráfico de cocaína e a criminalidade social. O quase prefeito do Rio e deputado estadual pelo PSOL Marcelo Freixo declarou em sua página do Facebook na manhã desta sexta-feira(22/09) que estava em contato com o Secretário de Segurança e que este lhe havia tranquilizado sobre a "ação pacífica" dos militares na Rocinha.. quanta ilusão da Social Democracia no papel histórico de repressor de classe das FFAA. O fato mais grave é que a "comoção pública" fabricada para invadir militarmente a Rocinha e o próprio estado do Rio de Janeiro acontece em meio a ameaça de Golpe de Estado proferida por generais do alto comando das FFAA. Com o governo do mafioso Temer sendo desmoralizado a cada dia pelos recorrentes escândalos de corrupção, os militares entram na cena política para oferecer "ajuda" aos novos "bonapartes de toga", que pretendem assumir a chefia do Estado Burguês na próxima etapa pós golpe parlamentar. A farsa da operação Lava Jato atua neste momento em estreita parceria com os aspirantes de um novo "64". Os Marxistas Leninistas não engrossam o reacionário "caldo" da necessidade de uma intervenção militar nos morros, favelas e periferias pobres deste país, exigimos a imediata retirada das tropas militares da favela da Rocinha e de todo o estado do Rio de Janeiro! Mobilizar o poder da classe operária e do povo pobre para derrotar a burguesia e suas milícias criminosas!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SETEMBRO DE 1969, MORRE HO CHI MINH: UM ÍCONE STALINISTA A SERVIÇO DA POLÍTICA DA PAZ MUNDIAL 
(Home Page da LBI, Setembro/2009)


Ho Chi Minh, morto por um ataque cardíaco em Setembro de 1969, é identificado como um dos maiores estrategistas militares e políticos do século XX, considerado o libertador da Indochina, vencendo uma verdadeira batalha de Davi contra Golias. Um Che oriental que teria inspirado inclusive o próprio Guevara a declarar que a tarefa de sua geração era construir vários Vietnãs. No entanto, é pouco conhecida a história verdadeira da libertação nacional indochinesa, muitas vezes sendo atribuída à genialidade da direção stalinista, que subjetiva e objetivamente retardou a libertação da Indochina com sua política em favor da "convivência pacífica" com o imperialismo invasor e tornou muito mais penosa a libertação do povo oprimido. O que surpreendeu o mundo, de fato, foi a heróica resistência da população que sobrepôs todos os erros e traições de sua direção, excepcionalmente prescindindo dela inclusive para vencer, haja vista que o próprio Ho faleceu seis anos antes da espetacular vitória do Vietnã sobre a maior potência imperialista de todos os tempos, jogando por terra o mito da invencibilidade dos EUA no pós-segunda-guerra. Esta derrota e expulsão humilhantes desde então assombram os invasores ianques quando se enfrentam com a resistência armada de outros povos invadidos, como no Afeganistão, Iraque, etc.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

TERREMOTO NO MÉXICO: TRAGÉDIA “NATURAL” APROFUNDA-SE COM A MISÉRIA IMPOSTA PELO IMPERIALISMO IANQUE E A BARBÁRIE PROVOCADA PELO TRÁFICO DE DROGAS CONTROLADO PELOS CARTÉIS MAFIOSOS ACOBERTADOS PELO GOVERNO PENÃ NETO


Um forte terremoto de 7,1 graus na escala Richter foi registrado nesta terça-feira, 19 de Setembro, no México apenas 12 dias depois de um tremor de 8,2 graus atingir a costa sul do México. O tremor deixou mais de 100 mortos, número que aumento a cada momento. O fenômeno sacudiu edifícios e causou pânico, levando as pessoas a correr para as ruas. O tremor ocorreu no mesmo dia em que se completa 32 anos do terremoto de 8,1 graus que deixou ao menos 10 mil mortos na capital mexicana. No momento do terremoto, várias pessoas participavam justamente de um treinamento para aprender a lidar com sismos, o que demonstra o completo despreparo do governo com o trato do problema “natural”. A catástrofe atingiu os Estados mais pobres do país, que já sofrem historicamente por conta da pobreza e do abandono do governo do direitista Peña Neto, mas que vinham sendo ainda mais castigados nos últimos tempos por terem se transformado nos principais produtores de papoula, a matéria-prima para a produção da heroína destinada aos Estados Unidos. O aumento da demanda no Norte trouxe mais disputa entre cartéis e grupos de “vigilantes” e mais insegurança para uma população que já sofria com a falta de comida, de trabalho e de perspectivas. Juntos, os três Estados mais pobres do país, Guerrero, Oaxaca e Chiapas ostentam a vergonhosa cifra de terem 70,2% de suas populações em estado de pobreza, segundo o Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social. Os territórios montanhosos em que estes Estados se localizam dificultam a comunicação e o transporte com os grandes centros urbanos. O sul do México sempre foi uma região muito rural. Mais de 50% da população de Oaxaca e Chiapas, por exemplo, vive em vilarejos de até 2.500 pessoas. Isso pode dificultar a contagem final do estrago causado pelo tremor. Desde a última década, quando o mercado de heroína se expandiu ao Norte, o sul do México foi o primeiro a sofrer seus efeitos. Seu território extremamente fértil é ideal para o cultivo da papoula. Além disso, as más condições das estradas em meio às montanhas multiplicam as possibilidades de “esconder” plantações clandestinas dos olhos das autoridades. Hoje, o México provê mais de 90% da heroína consumida nos EUA. O cultivo e o transporte da droga fizeram com que os cartéis locais enriquecessem e entrassem numa luta sangrenta por território. Nos Estados de Guerrero, Oaxaca e Chiapas, o narcotráfico também passou a financiar campanhas políticas, o que colocou no bolso dos criminosos as autoridades regionais. O exemplo mais dramático dessa combinação de fatores foi a desaparição de 43 estudantes em Ayotzinapa, em 26 de setembro de 2014. A tragédia completa três anos neste mês, sem que se saiba o que ocorreu e após as explicações oficiais terem sido desmentidas por peritos. As poucas evidências levam a crer que os rapazes desapareceram a mando de autoridades locais associadas com um cartel vinculado ao tráfico de heroína. Com seus vilarejos disputados por narcotraficantes, que além do comércio ilícito praticam a extorsão, o sequestro e o estupro das mulheres, seus habitantes decidiram tomar armas. Surgiram grupos de “vigilantes” de distintos graus. Há desde os mais amadores, que reúnem donos de comércio ou ranchos com suas espingardas particulares, até as “polícias comunitárias”, patrocinadas por donos de terras e empresários. Estes estão tão armados quanto os cartéis e, às vezes, mais que o próprio Exército. É cedo para mensurar os efeitos econômicos, políticos e sociais que o terremoto causará. A única certeza é a de que a região Sul do país ficará ainda mais vulnerável no marco da espoliação da economia nacional do México imposta pelo imperialismo ianque. Ainda que não existam meios para impedir os abalos sísmicos, há muitos anos os sismógrafos foram aprimorados para prever com antecedência de minutos, horas ou até dias os grandes tremores, tornando possíveis medidas preventivas. Avisos oportunos para que as pessoas saíssem de suas casas e edifícios decidem a diferença entre a vida e a morte de dezenas de milhares. O número de mortos seria infinitamente menor se fossem avisadas com 5 minutos para saírem de dentro de casa e demais zonas de risco. Mas os países capitalistas, principalmente os imperialistas que dispõem de sonares avançadíssimos, não dispuseram sua tecnologia a serviço das vidas das massas miseráveis mexicanas. O fato de que as vítimas não foram avisadas, apesar de haver meios de sobra para isto, é apenas um primeiro aspecto que atesta como a tragédia que se seguiu ao terremoto é responsabilidade direta do imperialismo e seus agentes que dominam o México. Abalos sísmicos são anteriores à existência do homem na terra. O controle da natureza para que suas forças não gerem tragédias faz parte da própria evolução humana. Minorar os efeitos dos desastres naturais, desenvolvendo meios de contorná-los são discutidos e aprimorados desde o princípio da humanidade. Em 1746, houve um mortífero terremoto em Lima, capital do Peru. Em 1755, um outro destruiu Lisboa, Portugal. Tais acontecimentos não passavam desapercebidos dos ideólogos da Revolução Francesa. Na novela "Cândido" Voltaire questionava a fé cega em Deus e as explicações fatalistas para os desastres naturais. Russeau então escreve uma carta a Voltaire e lhe explica que os efeitos do desastre em Lisboa não estavam subordinados a natureza nem a natureza humana, mas as condições sociais e a forma de vida baseada na propriedade privada: “Se os residentes desta grande cidade estivessem mais regularmente distribuídos e menos densamente avizinhados, as perdas haviam sido muito menores e inclusive inexistentes. Todos poderiam ter fugido com as primeiras sacudidas e dois dias depois seriam encontrados a vinte léguas de distância tão felizes como se nada houvesse acontecido. Mas temos que ficar e expormos a futuros tremores, insistiam muitos de maneira obstinada, porque o que tínhamos que abandonar era mais valioso do que o que podíamos levar. Quantos desgraçados pereceram no desastre por tentar levar, um suas roupas, outro seus papéis, um terceiro seu dinheiro? Sabemos bem que as pessoas têm se convertido na parte mais insignificante de seu ser e que não vale a pena salvar-se se tudo mais se perde”. É preciso impulsionar a constituição de comitês populares para gerir o socorro contra a tragédia, desde o controle da ajuda internacional até um programa de obras públicas, passando pela expropriação de todos os mercados e dos meios de produção, os meios de distribuição, transporte, saúde, todo aparato militar, veículos e máquinas estrangeiros, a organização da distribuição da ajuda. Portanto, todos os víveres, água potável, alimentos em geral devem passar a gestão da classe trabalhadora que desde já deve contar com a mais ampla solidariedade do proletariado mundial, fortalecendo a luta contra o governo Peña Neto, completamente submisso ao imperialismo ianque e aos carteis do tráfico de drogas.

LENIN NA VANGUARDA HISTÓRICA:       
A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE DESCRIMINALIZOU A HOMOSSEXUALIDADE


Na pátria dos Sovietes a conjuntura política e social surgida com a demolição da "velha ordem", imediatamente após a Revolução de Outubro baniu a repressão contra os homossexuais. Numa sociedade capitalista em que as mulheres e as crianças estavam totalmente subordinadas aos maridos, pais, e irmãos e em que, por exemplo, Máximo Gorki havia sido brutalmente espancado por homens de uma aldeia cossaca ao tentar socorrer uma mulher arrastada nua por um cavalo por ter sido acusada do “crime” de adultério, a nova Rússia Bolchevique de Lenin tinha abolido a lei anti-sodomia de 1918, que punia os homossexuais. Ao aprovarem o código criminal de 1922, os Bolcheviques tinham reconhecido os pareceres médicos e jurídicos que recomendavam a descriminalização das relações entre adultos do mesmo sexo e tinham incluído nos objetivos da revolução socialista nascente a batalha pela libertação da sexualidade, a abolição das discriminações e limitações com base no sexo e no gênero e a emancipação das mulheres. Nessa período histórico, surgiram muitas mulheres que se vestiam sempre como homens e procuravam viver como eles, como era o caso de várias comandantes do Exército Vermelho e membros de instituições acadêmicas e culturais. Algumas delas, declarando-se abertamente lésbicas, chegaram a exigir o direito a união civil com pessoas do mesmo sexo. Outras desejavam mudar de identidade e passar a ser homens, ou adotavam variantes masculinas do seu nome de registro, havendo mesmo quem pedisse intervenções cirúrgicas para mudança de sexo. Todas elas tinham ganho visibilidade na sociedade de "novo tipo" daquele tempo, porque a revolução de Outubro lhes permitira exprimir-se de forma não convencional e elas eram aceitas sem preconceito nos meios mais avançados. De resto, o novo tipo de mulheres, participantes enérgicas e confiantes do novo regime, deu origem a comentários de reacionários ocidentais sobre a suposta “masculinidade” das "russas". Mas a verdade é que o próprio antigo conceito de feminilidade era posto em questão pelos Bolcheviques, que rejeitavam a imagem tradicional da "mulher ideal", figura delicada, infantilizada e quase mística, incapaz de enfrentar os desafios da construção de uma nova vida revolucionária. De uma maneira geral, fossem homossexuais ou não, as mulheres Comunistas rejeitaram também o modelo frágil e impotente e procuravam mostrar-se à altura das tarefas sociais que se lhes colocavam, aceitando profissões e empregos antes reservados exclusivamente aos homens que exigiam força e resistência física: tratoristas, condutoras de veículos pesados, aviadoras, etc.. Um debate travado em 1929 no departamento médico do Conselho da Saúde sobre “travestis” e o “sexo intermediário” considerara com algum fascínio  a existência de “mulheres do tipo masculinizado”. Os psiquiatras Marxistas interessavam-se por essa nova identidade de gênero , caracterizando-as segundo uma nova categoria sexológica . Um dos casos mais famosos foi o do soldado do Exército Vermelho Evgenii Federovich, antes chamado Evgeniia, que em 1922 casou com uma empregada dos correios da cidade onde estava localizado o seu regimento. Quando se descobriu que era mulher, foi acusada pelo tribunal local de cometer um “crime contra natura”, mas o Conselho da Justiça declarou o casamento “legal, porque consumado por mútuo consentimento.” O próprio Evgenii Federovich defendeu a perspectiva do “amor pelo mesmo sexo” como “uma variante particular da sexualidade humana” e  declarou-se convicto de que, se os indivíduos do “sexo intermediário deixassem de ser oprimidos e amesquinhados pelo desrespeito pequeno-burguês as suas vidas tornar-se-iam socialmente valiosas". A criminalização da homossexualidade, quinze anos depois da despenalização da homossexualidade por decreto de Lenine, com a instituição de penas que iam de três a oito anos de prisão, campanhas de propaganda na imprensa e repressão em massa em Moscou e Leninegrado, foi um reflexo direto da stalinização do regime soviético. Em sete de Março de 1934 foi promulgada uma nova lei que fixava uma pena mínima de três anos por “relações sexuais entre homens”. A justificativa stalinista era que assim o "governo soviético combateria um foco de propaganda da oposição” no seio do Exército Vermelho". Os Bolcheviques Leninistas que se mantiveram firmes na defesa das conquistas de Outubro, apesar do enorme retrocesso stalinista, defenderam até o último momento da existência do Estado Operário Soviético (destruído pela contrarrevolução capitalista em 1990) a revogação da recrimanilização da plena liberdade sexual.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

HÁ SEIS ANOS DA QUEDA DO REGIME NACIONALISTA BURGUÊS DE KADAFFI PELA INTERVENÇÃO MILITAR DA OTAN E SEUS “REBELDES”: A LÍBIA ENCONTRA-SE MERGULHADA NA BARBÁRIE CAPITALISTA


Publicamos a Apresentação do livro “TESES TROTSKISTAS ACERCA DA GUERRA IMPERIALISTA CONTRA A LÍBIA” em que analisamos desde o começo de 2011 os primeiros movimentos do imperialismo para desestabilizar o regime nacionalista burguês comandado por Kadaffi. Este acabou sendo assassinado pelas tropas da OTAN em terra travestidos de “rebeldes” auxiliados por pesados bombardeios. Uma guerra civil que se iniciou no momento de sua morte e continua arruinando a economia e retrocedendo as condições de vida da população aos níveis dos países mais miseráveis da África. O desemprego, a falta de habitação e a fome castigam severamente as massas, destituídas de todas as suas conquistas sociais históricas. O país que apresentava, até o início de 2011, o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da África, um PIB per capta superior ao brasileiro e uma taxa de crescimento de 10,64%, segundo dados do próprio FMI, encontra-se agora às voltas com uma infraestrutura liquidada. O assassinato de Kadaffi pelas mãos da OTAN e seus “rebeldes” (que em 20 de outubro completa seis anos) foi sem dúvida uma vitória do imperialismo e representou uma derrota para os trabalhadores, porque anunciou o incremento da ofensiva neocolonialista sobre o país e toda a região. Registra-se que os revisionistas do Trotskismo apoiaram a derrubada de Kadaffi pelas mãos da OTAN em nome da farsesca "Revolução Árabe", que hoje demonstra seu verdadeiro resultado: a completa barbárie capitalista que assola a Líbia.

APRESENTAÇÃO

Resolvemos publicar as "Teses trotskistas acerca da guerra imperialista contra a Líbia" quando ainda não se decidiram os rumos finais do conflito travado no norte da África entre o exército nacional líbio e os "rebeldes" a serviço da CIA, apoiados pelas forças piratas da OTAN. Ousamos fazê-lo porque compreendemos o lançamento das próprias Teses como parte do combate teórico e político travado pela LBI, desde o primeiro momento político do conflito, em defesa da vitória militar na nação oprimida atacada pelo imperialismo.

A ofensiva das grandes potências capitalistas se acentua por terra e ar na medida em que o povo líbio e as forças que apóiam o regime nacionalista de Kadaffi impõem derrotas militares aos "insurretos" nas principais cidades líbias. Essa realidade vem pondo a nu, a cada dia que passa, a escandalosa posição dos revisionistas do trotskismo que vendem a investida imperialista como parte da mal chamada "revolução árabe", mas não conseguem explicar porque estes supostos "revolucionários", sem apoio popular, sobrevivem apenas porque recebem suporte econômico e militar da Casa Branca e seus sócios da União Europeia. Em nome do combate a "ditadura sanguinária de Kadaffi" os revisionistas alinham-se integralmente às investidas políticas e militares do imperialismo, travestido de paladino da "democracia".

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PSTU CRITICA O “MAIS” POR RECEBER APOIO DO PCdoB EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS NA DISPUTA PARA O CONGRESSO DA CONLUTAS PORÉM “ESQUECE” DE ALGO AINDA MAIS GRAVE: OS MORENISTAS ALIARAM-SE AOS NEOSTALINISTAS PARA ELEGER SEU CANDIDATO A VEREADOR EM BELÉM, FORMANDO UMA MINIFRENTE POPULAR ENCABEÇADA PELO PSOL, APOIADA POR LULA, DILMA E MARINA!


Nos últimos dias vem-se travando uma “batalha” nas redes sociais entre militantes do PSTU e do MAIS envolvendo a disputa das eleições para os delegados do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ao Congresso da Conlutas. O PSTU acusou o MAIS de receber os votos de trabalhadores vinculados a CTB (PCdoB) e CUT (PT) na assembleia que escolheu os representantes da categoria. Traidores, agentes da frente popular, oportunistas, vendidos...foram alguns dos “qualificativos” imputados pelo PSTU ao MAIS por essa aliança. De fato, a chapa do MAIS recebeu os votos da CTB-CUT e alcançou uma votação bem além de seu peso real entre os metalúrgicos de São José. Uma gravação do dirigente da CTB convocando os trabalhadores a votarem na “chapa do Renatão” (MAIS) torna essa unidade escandalosa evidente. Ocorre que essa política do MAIS na esfera sindical, hoje tão criticada pelo PSTU, foi aplicada nas eleições municipais de Belém, através da coligação para garantir a vaga do candidato a vereador do PSTU (Cleber Rabelo) na Câmara Municipal. Este acabou sendo eleito pela força da chapa majoritária que tinha como candidato a prefeito Edmilson Rodrigues, sustentado pela coligação entre PSOL, PCdoB e PSTU. Para eleger o vereador em Belém o PSTU pode aliar-se ao PCdoB porém na disputa interna da Conlutas o MAIS copiar a política do PSTU é “traição e oportunismo”? Resgatemos a justificativa que na época o PSTU recorreu para explicar a aliança com os neostalinistas em Belém: “Todos os partidos diretamente burgueses com os quais o PSOL queria fazer aliança desistiram da coligação um após o outro. Só sobrava mesmo o PCdoB, que não é um partido burguês, mas é um partido da base do governo Dilma, governo este que governa para a burguesia... A partir daí, diante do fato consumado de que o PSOL fecharia com o PCdoB, deveríamos definir se permaneceríamos na frente ou se nos retiraríamos dela devido à presença do PCdoB. Definimos que era correto permanecer e assim o fizemos. Mas por que definimos assim? A coligação também aumenta as chances de eleger um operário socialista e revolucionário para a Câmara de Vereadores: Cleber Rabelo, trabalhador da construção civil e dirigente do PSTU no estado” (Nota pública do PSTU, 02/07/2012). Em resumo, trata-se de um debate de baixo nível do “sujo falando do mal lavado”, ou melhor, uma troca de insultos de agrupamentos revisionistas que adotam uma política oportunista de aliança com a Frente Popular quando lhes convém eleitoralmente. A base dessa orientação foi a defesa à época pelo PSTU da conformação da “Frente de Esquerda” com o PSOL, onde coube não só o PCdoB, mas até mesmo o PT e Rede, que apoiou Edmilson no segundo turno das eleições, candidato que o PSTU continuou a chamar voto para prefeito em nome de “derrotar a direita”. Em 2012 vimos o PSTU fazendo todo o malabarismo necessário para justificar suas alianças com o PSOL, estivesse este partido coligado ou não com legendas burguesas quando isto lhe trouxe dividendos eleitorais. Agora o mesmo PSTU deseja posar de “ortodoxo e principista”. A própria militância do MAIS, formada na escola do Morenismo e que agora deixou de lado as firulas “revolucionárias” de sua “antiga organização” acusou o PSTU de fazer o mesmo em várias disputas sindicais, como para o Congresso da Fasubra onde o PSTU apoiou a DS na tirada de delegados e recebeu o voto desses petistas para o Congresso da Conlutas. 


Não precisamos ir tão “longe”. Mais recentemente, no 2º turno das eleições municipais do Rio de Janeiro de 2016, o PSTU apoiou a candidatura de Freixo, sustentada por uma “frente de centro-esquerda” burguesa formada pelo PSOL, PT, PCdoB, PSB e Rede! A militância do PSTU não tem qualquer moral política para criticar o MAIS, que aplica uma orientação socialdemocrata parida do ventre do seu progenitor Morenista. Tanto em Belém como no Rio de Janeiro as candidaturas do PSOL não representavam as “sombras” da burguesia e sim os seus mais declarados representantes, a começar pelo próprio Edmilson, que foi financiado por empreiteiras, empresas de ônibus e de limpeza urbana ou mesmo Freixo, apoiado pela Rede Globo. Não por acaso, tiveram ao seu lado o PCdoB, em uma típica frente popular de novo tipo nos mesmos moldes da montada pelo PT. Não temos dúvidas que a “flexibilidade” do PSTU em Belém esteve voltada a eleger um vereador e ter o direito a seu “lugarzinho” no parlamento burguês. Mas a questão se colocava em termos ainda mais graves: Edmilson e a coligação que encabeçava personificava a própria frente popular na cidade, cumprindo exatamente o papel do PT, fragilizado em Belém! O PCdoB é sem dúvida um partido pequeno-burguês completamente integrado ao regime capitalista. Por isto, representa os interesses de classe da burguesia. Seu vínculo com o movimento de massas está a serviço de bloquear as tendências de luta dos trabalhadores e ele foi um fiador dos acordos com as empreiteiras, bancos, donos das empresas de transporte que financiam a campanha de Edmilson! Como pôde o PSTU participar de uma frente assim e agora criticar o MAIS por fazer o mesmo na esfera sindical? O que há de diferente? Trazendo à tona todos esses exemplos de como a política do MAIS apenas aprofundou a política que o PSTU aplicava até pouco tempo atrás antes de seu “zig-zag” (ora à direita, ora à esquerda), o certo é que os Morenistas estão completamente despreparados para travarem um debate político-programático consistente com seus ex-camaradas do MAIS, pela simples razão de que também estão corroídos pelo “cupim” da democracia burguesa e seu regime de benesses sindicais e corporativas, apesar de ainda proclamarem formalmente a vigência do partido Leninista. A pressão das eleições de 2018, quando o PSTU será extremamente tencionado pelo PSOL (e o MAIS em particular) a dar seus votos para garantir o coeficiente eleitoral dos candidatos psolistas em nome da conformação da “Frente de Esquerda”, uma fórmula socialdemocrata lançada originalmente pelo próprio PSTU, vai aprofundar ainda mais a crise da seção da LIT no Brasil, que deve sofrer novos rachas e defecções.