segunda-feira, 24 de julho de 2017

24 DE JULHO DE 1783, NASCE SIMÓN BOLÍVAR: O INSPIRADOR DO “SOCIALISMO DO SÉCULO XXI” É ANALISADO CRITICAMENTE POR KARL MARX, COMBATENDO A APOLOGIA DA ESQUERDA REFORMISTA AO LÍDER NACIONALISTA BURGUÊS


O BLOG da LBI publica neste 24 de julho, data de aniversário de Simón Bolívar, nascido no ano de 1783, um artigo pouco conhecido de Karl Marx, que foi baseado em uma carta escrita a Friederich Engels em janeiro de 1858 e editado no tomo III da “The New American Cyclopaedia”. O texto foi descoberto apenas em fevereiro de 1935 nos arquivos Marx-Engels-Lenin em Moscou, URSS e publicado pela primeira vez na América Latina (Buenos Aires) em 1936. Em 1857 Marx foi contratado pelo “New York Daily Tribune” para escrever temas de história militar e biografias. Engels também trabalhou no projeto. O verbete conta as aventuras militares do comandante nascido em Caracas, incluindo traições a seus companheiros. É um balanço, pouco estudado no Brasil, que desmistifica a trajetória do fundador do nacionalismo latino-americano reverenciado pelos “bolivarianos” e parte da esquerda em nosso continente. Esse debate acerca da “covardia” de Bolívar que Marx denunciava como um “personagem medíocre e grotesco”, não é apenas um “traço pessoal” mas uma característica própria da burguesia semicolonial em seus enfrentamentos com o imperialismo, como vemos atualmente no caso de Maduro na Venezuela. Vale destacar que o artigo de Marx foi posteriormente criticado por Che Guevara e a burocracia soviética, mas nós seguidores de Leon Trotsky e da Teoria da Revolução Permanente o reivindicamos integralmente. As duras palavras de Marx ao “Libertador”, encerradas no artigo abaixo originalmente denominado “Bolívar y Ponte” e em algumas outras rápidas menções no curso de sua obra são atacadas até hoje pelos partidários do “Socialismo do Século XXI”. Muitas foram as críticas ou tentativas deformadas de justificar as palavras de Marx direcionadas a Bolívar. Para uns produto de sua incompreensão da especificidade da realidade latino-americana, ou ainda, de um certo eurocentrismo presente em seu pensamento, outros justificaram que tal artigo foi elaborado com extrema rapidez e com finalidades unicamente financeiras. A própria edição russa de 1959 das obras completas de Marx e Engels publicada pela burocracia soviética inclui uma nota crítica concernente ao artigo sobre Bolívar, sustentando que supostos os erros existentes eram provenientes das fontes insuficientes e parciais que teve acesso. Nada mais falso! O artigo foi escrito por Marx em um contexto em que Bolívar era cultuado acriticamente na própria “esquerda” europeia como libertador e herói da América Hispânica, um símbolo na luta contra o imperialismo. Ele justamente fez um contraponto corajoso a essa capitulação da esquerda domesticada, em um texto extremamente rico de detalhes. No curso do pequeno esboço biográfico que escreveu sobre o “Libertador”, caracterizou-o como oportunista, covarde, traidor, canalha, ditador, ambicioso etc..., elaborando esta análise com o rigor que sempre caracterizou sua obra e recorrendo a várias fontes que consultou antes de emitir qualquer posição. Tanto que no período que se seguiu a publicação deste artigo Marx recebera cartas contestando sua interpretação e questionando suas fontes e respondera, ao seu modo, de maneira irônica. Ao ser questionado se não teria exagerado na crítica ao descrever uma pessoa com tantas conquistas, Marx respondeu o seguinte em uma carta para Engels: “Seria ultrapassar os limites querer apresentar como Napoleão I o mais covarde, brutal e miserável dos canalhas”. Para Marx, o suposto caráter anti-imperialista aparece como mais um mito do “Libertador” Bolívar, uma vez que teria livrado a América Latina do jugo espanhol em troca do domínio britânico. Como pontou Marx, anos mais tarde de escrever esse artigo, “A força criadora de mitos, característica da fantasia popular, em todas as épocas tem provado sua eficácia inventando ‘grandes homens’. O exemplo mais notável deste tipo é sem dúvida Simón Bolívar”. Estamos com Marx em sua delimitação com a figura de Simon Bolívar, como Marxistas Revolucionários lutamos contra o imperialismo e até podemos estabelecer “frente única” com a classe dominante nativa em seus conflitos pontuais com as potências capitalistas, mas não abrimos mão de denunciar a incapacidade histórica da burguesia nacional em levar a frente de forma consequente a luta pela libertação nacional e a soberania, tarefas democráticas pendentes que só podem ser plenamente vitoriosas sob a direção do proletariado e do partido revolucionário, uma realidade que se faz hoje cada vez flagrante na própria Venezuela “bolivariana” de Maduro e Chávez, onde o PCV stalinista é adepto incurável da velha política de colaboração de classes da Frente Popular na defesa acrítica do governo Maduro. O caminho mais curto para a vitória do imperialismo diante da crise do nacionalismo burguês é abrir mão da independência de classe do proletariado como nos ensinou Marx...
  
             
SÍMON BOLÍVAR
(Karl Marx, Janeiro 1858)

 Simón, o “Libertador” da Colômbia nasceu em 24 de julho de 1783 em Caracas e morreu em San Pedro, perto de Santa Marta, em 17 de dezembro de 1830. Descendia de uma das famílias mantuanas, que na época da dominação espanhola constituíam a nobreza criolla na Venezuela. Conforme um costume dos americanos abastados da época, foi enviado para a Europa com a tenra idade de 14 anos. Da Espanha passou para a França e residiu durante alguns anos em Paris. Em 1802 casou-se em Madri e regressou à Venezuela, onde sua esposa faleceu repentinamente de febre amarela. Depois desse acontecimento, transferiu-se em seguida, pela segunda vez, para a Europa e assistiu em 1804 a coroação de Napoleão como imperador, também estando presente quando Bonaparte cingiu a coroa de ferro da Lombardia. Em 1809 retomou à sua pátria, e apesar das insistências de seu primo José Félix Ribas, recusou-se a aderir à revolução que estoura em Caracas a 19 de abril de 1810. Porém, posteriormente a este acontecimento, aceitou a missão de ir à Londres para comprar armas e negociar a proteção do governo britânico. O Marquês de Wellesley, na época Ministro das Relações Exteriores, aparentemente lhe deu boa acolhida, mas Bolívar não obteve mais que a autorização de exportar armas pagando à vista e pagando pesados tributos. Quando regressou de Londres, retirou-se para a vida privada, até que em setembro de 1811 o general Miranda, então comandante em chefe das forças insurretas de mar e terra, persuadiu-o a aceitar o posto de tenente-coronel no Estado-Maior e o comando de Puerto Cabello, a principal praça forte da Venezuela.

sábado, 22 de julho de 2017

81 ANOS DO INÍCIO DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA

O Blog da LBI publica o texto escrito por Trotsky no calor dos acontecimentos da guerra civil espanhola, que teve seu início há 81 anos atrás, em julho de 1936. No artigo, o velho comunista exilado e perseguido por Stálin analisa as três tendências políticas que atuavam no seio do campo republicano na luta contra o fascismo, disputando a influência entre a vanguarda militante: o bolchevismo representado pela IV Internacional, o menchevismo e o anarquismo. No curso desse debate Trotsky também polemizou com o POUM de Andres Nin, grupo centrista que acabou capitulando a Frente Popular e, apesar disso, teve seu dirigente assassinado pela KGB. Trotsky definia que uma posição justa diante da guerra civil espanhola, ou seja, do conflito entre os monárquicos sob o comando de Franco e republicanos burgueses era postar-se no campo republicano empunhando um programa revolucionário para impor através da dinâmica da revolução permanente na luta de classes a ditadura do proletariado e não para resgatar o regime democrático burguês e suas instituições como defendiam o stalinismo e as chamadas forças democráticas e progressistas que compunham a Frente Popular. Esse arco político reformista foi responsável em última medida, devido sua política de colaboração de classes e ao apoio limitado prestado pela URSS à resistência antifranquista, por levar a frente republicana à derrota e, posteriormente, ao esmagamento sangrento da revolução espanhola, "um novo elo trágico" dessa política criminosa como caracterizou o velho bolchevique no brilhante artigo que reproduzimos abaixo.


MENCHEVISMO E BOLCHEVISMO NA ESPANHA
Leon Trotsky 1936

As operações militares da Abissínia e do Extremo Oriente são meticulosamente estudadas por todos os estados-maiores militares que preparam a futura grande guerra. Os combates do proletariado espanhol, estes relâmpagos anunciadores da futura revolução internacional, devem ser estudados com não menos atenção pelos estados-maiores revolucionários; é com esta condição somente que os acontecimentos que se aproximam não nos tomarão desprevenidos. Três concepções enfrentam-se, com forças desiguais, no campo dito republicano: o menchevismo, o bolchevismo e o anarquismo. No que concerne aos partidos republicanos burgueses, eles não têm nem ideias, nem importância política independente e não fizeram mais que manter-se sobre as costas dos reformistas e dos anarquistas. Além do mais, não seria mais que um exagero dizer que os chefes do anarco-sindicalismo espanhol fizeram de tudo para desmentir sua doutrina e reduzir a sua importância praticamente a zero. De fato, no campo republicano, duas doutrinas se estão enfrentando: o bolchevismo e o menchevismo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

NO DIA 22 DE JULHO DE 2011 O FASCISMO ASSASSINAVA 100 JOVENS DE ESQUERDA NA NORUEGA: O BLOG DA LBI REPRODUZ SEU ARTIGO HISTÓRICO QUE DENUNCIAVA A COVARDE AÇÃO TERRORISTA ASSIM COMO A VERGONHOSA E INACREDITÁVEL SAUDAÇÃO DO PCO À DIREITA EUROPÉIA


ATENTADOS NA NORUEGA: EXPRESSÃO DO CRESCIMENTO DA EXTREMA DIREITA NA EUROPA (BLOG DA LBI 22/07/2011)

A tendência à direita se reflete no próprio terreno eleitoral, onde os partidos xenófobos e de inspiração nazista crescem na Europa. Um levantamento recente realizado pela BBC nos dá um panorama desse quadro. A direita avança em países como Portugal, Espanha, Alemanha, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Dinamarca, Itália, Hungria, Suíça... e Grécia! Explosões a bomba em prédios governamentais e disparos de um ou mais franco-atiradores contra um acampamento da juventude do Partido Trabalhista deixou quase 100 mortos na Noruega nesta sexta-feira, 22 de julho. Pela envergadura destrutiva e mortífera dos atentados, ocorridos de forma simultânea, não há dúvida que a ação foi planejada por um grupo político neonazista com o objetivo assassinar o primeiro-ministro trabalhista Jens Stoltenberg e seus jovens apoiadores sociais-democratas. A primeira reação da cínica mídia imperialista diante da catástrofe ocorrida em Oslo foi creditar a autoria dos atentados a supostas organizações terroristas islâmicas. Logo depois de divulgada à exaustão esta versão fantasiosa mundo afora, a própria polícia norueguesa, diante das evidências públicas, foi obrigada a reconhecer que a autoria dos ataques aponta para grupos de extrema-direita que vêm crescendo em toda a Europa no rastro do aprofundamento da crise econômica que abate o velho continente desde o crash financeiro de 2008.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

APÓS A REFORMA TRABALHISTA: COMEÇA ONDA DE “DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS” QUE PRECARIZA OS DIREITOS E LIQUIDA CONQUISTAS EM FAVOR DO GRANDE CAPITAL


O caráter de classe da Reforma Trabalhista, aprovada no Senado, revela-se no conjunto de medidas que afetam as relações de trabalho, intensificando o grau de exploração dos Trabalhadores em favor do aumento da lucratividade dos patrões e de suas empresas.  Segundo as novas regras, aquilo que for acordado entre patrões e empregados, prevalecerá sobre a lei. Assim, os trabalhadores serão obrigados a submeterem-se às mais terríveis condições de trabalho e de salário pois os patrões vão poder parcelar as férias em 3 vezes, reduzir o horário de almoço para 30 minutos, impor maior jornada de trabalho, flexibilizar a seu bel-prazer as horas extras e banco de horas, além de dificultar ainda mais ao trabalhador o acesso à justiça do trabalho. Tudo isso combinado com a terceirização, inclusive nas atividades-fim, resulta em demissões em massa e precarização do trabalho. Com a aprovação de medidas tão alvissareiras aos bolsos dos patrões, as empresas já estão se adiantando para demitirem mais ainda. O Bradesco pela primeira vez na sua história anunciou, dia 13/07, um Plano de Desligamento Voluntário Especial (PDVE) cuja adesão vai até 31 de agosto e prevê o desligamento em torno de 10 mil funcionários. Também, a Caixa Econômica Federal não ficou atrás, comunicou dia 14/07 a abertura do seu PDVE cuja adesão será até 14/08 e pretende desligar em torno de 5 mil funcionários. A característica desses planos é que a empresa joga com a penúria financeira e o endividamento do funcionário, atraindo-o, mediante um incentivo financeiro, a se desligar “voluntariamente”, e nessas condições a “demissão” é a pedido sem que haja necessidade de aviso prévio e, sobretudo, que não possa acionar a justiça do trabalho para questionar algum direito violado. Tudo isso, com a complacência das direções sindicais que já na década de 90 quando surgiram essa modalidade de demissões em massa, negaram-se a combatê-la pois diziam que era uma decisão de caráter pessoal e não política e, portanto, usavam esse argumento para camuflar sua própria covardia política e seu programa de conciliação de classes. Assim também fizeram com a reforma trabalhista. Na verdade, essa reestruturação das relações trabalhistas esconde o fato de que a classe trabalhadora está sendo derrotada e seus direitos e conquistas são subtraídos sem qualquer resistência real por parte da burocracia sindical da CUT/CTB. A ação direta dos trabalhadores e até a midiática greve geral do 30/06 foram sabotadas em nome da estabilidade do regime, cujo eixo é Lula para 2018 e eleições diretas já. Enquanto isso, os trabalhadores vão se ferrando e ficando reféns da chantagem patronal e do governo golpista de Temer. É preciso, portanto, que os trabalhadores entrem em cena como protagonistas das lutas, resgatando seus métodos de ação direta e empunhando suas bandeiras históricas. Nenhuma confiança nessas direções traidoras da CUT-CTB nem na chamada Oposição de Esquerda (PSTU-PSOLl) que buscam apenas desgastar politicamente o governo Temer para poder capitalizar no terreno eleitoral e parlamentar. A vanguarda classista tem a tarefa de superar a plataforma eleitoral burguesa das burocracias e organizar uma intervenção independente das massas contra a ofensiva neoliberal, através de um congresso nacional dos trabalhadores, construído pelas bases e apontado no sentido de uma alternativa de poder revolucionário do proletariado. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

PELO FIM DA PERSEGUIÇÃO DA “REPÚBLICA DE CURITIBA” E SEU JUSTICEIRO MORO A LULA! NENHUM APOIO A POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DO PT! LIBERDADE IMEDIATA PARA RAFAEL BRAGA E TODOS OS PRESOS POLÍTICOS DESTE AUTOCRÁTICO REGIME DEMOCRÁTICO-BURGUÊS


Neste dia 20 de julho ocorrerão em todo o país atos políticos contra a condenação de Lula pelo Juiz Moro. O PT está convocando a atividade da seguinte forma: “Eleição sem Lula é Fraude. Em defesa da democracia, contra as reformas, Fora Temer e por Diretas Já!”. Com esta “embalagem”, a Frente Popular tentar ampliar ao máximo o espectro político das entidades e organizações que convocam o ato, que incluiu além do PT, PCdoB, a CUT, MST, MTST e UNE. O PSOL oficialmente não está convocando a atividade, mas vários de seus dirigentes avisaram que participarão do protesto. A LBI, apesar de ser contrária a condenação, prisão e perseguição de Lula pelo Juiz Moro e a justiça burguesa opõem-se ao eixo político dos atos desta quinta-feira que na verdade serão parte da campanha eleitoral antecipada do PT à Presidência da República. Interviremos com total independência política nestas atividades, advertindo que não será com bajulações a figura de Lula, responsável político por incentivar a cobrança de "comissões" por todos os quadros do PT integrantes do governo e parlamento, que poderemos impedir a prisão de dirigentes da esquerda dentro e fora do PT. Somente a mobilização direta das massas será capaz de derrotar o Estado de exceção em pleno curso no país, cujo objetivo final é retirar direitos sociais e garantias democráticas do povo brasileiro para favorecer rentistas internacionais. Mesmo sob as ameaças de prisões e linchamento midiático, o comando da Frente Popular continua apostando em sua plataforma de conciliação de classes. Alertamos que serão os três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª região que decidirão o futuro de Lula, nesse sentido a burguesia nacional acompanhará passo a passo como cada um deles agirá para que arbitrem a sentença ("eleitoral") de Lula em plena consonância com os interesses da conjuntura política de 2018. O Juiz Sérgio Moro condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão. Na mesma sentença decidiu por não decretar a prisão do ex-presidente por “cautela”, leia-se que se submete a uma deliberação maior da burguesia nacional sobre o futuro eleitoral do PT para 2018, já que será o TRF a instância jurídica que dará a “palavra final” acerca da inelegibilidade ou não de Lula.  A pena foi baseada nas “delações premiadas contra o PT” que envolve o caso da compra e reforma de um apartamento Triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Lembremos que existem outros processos como o do sítio de Atibaia. As acusações de corrupção contra Lula, o apartamento no Guarujá e do sítio chegam a ser ridículas e passam muito longe do verdadeiro processo de composição entre o Estado burguês e os grandes grupos capitalistas. A "simbiose perfeita" entre a chamada iniciativa privada e seus negócios com todas as instituições estatais não foi "inventada" pelo PT, nos governos da Frente Popular apenas se reproduziu a secular prática recorrente do capitalismo de "pagar" comissões a seus gerentes de turno. As chamadas "propinas" recebidas por todos os gestores públicos desde a instauração da república no século retrasado, os Marxistas caracterizam como "comissões" indutoras do regime político burguês, abrangendo todos os partidos legais, sejam de "esquerda ou direita". É absolutamente cristalino que o PT também recebeu e operou as "comissões" por cada negócio realizado entre a iniciativa privada e o Estado, sob os 13 anos de sua "gerência" central. Porém os fascistas da Lava Jato, todos corruptos de longa data do " poder judiciário" (vide o caso Banestado), não estão preocupados com a corrupção ou o recebimento de propinas generalizadas nesta república do capital, estão focados na destruição da Petrobras para beneficiar as grandes petrolíferas imperialistas. Ao mesmo tempo em que Moro e sua trupe treinada pela CIA paralisa a Petrobras e trabalha para quebrar financeiramente as grandes empreiteiras nacionais, protagoniza uma caçada fascista contra as lideranças históricas do PT. O objetivo político da "República de Curitiba" é obviamente limpar o terreno eleitoral  para 2018, eliminando o enorme prestígio de massas Lula, deixando livre a candidatura de Moro ao Planalto com o mote de "justiceiro dos corruptos". Nós Comunistas da LBI somos uma oposição radical e revolucionária aos governos neoliberais do PT, desde que Lula ascendeu à presidência da república em 2003, porém fomos a primeira organização de esquerda a denunciar a farsa midiática do processo do "Mensalão" e seu atual desdobramento ainda mais retrógrado e direitista: A empulhação da Lava Jato! Moro e Dallagnol são um engodo montado desde Washington para encobrir a privataria tucana e semear o terreno para a entrega do que ainda resta de economia nacional ao imperialismo ianque. O golpe institucional que levou Temer ao governo foi apenas o primeiro degrau de uma estratégia de instalar um regime de exceção  bonapartista, com a supressão das parcas garantias democráticas conquistadas com a luta e o sangue do nosso povo. Desgraçadamente setores da esquerda reformista e o próprio PT, foram cúmplices da ofensiva reacionária encabeçada pelo justiceiro Moro, agora vislumbram a víbora que alimentaram contra o conjunto dos movimentos sociais. A LBI convoca, em caráter de unidade de classe contra classe, todos as entidades classistas e democráticas a empreenderem uma jornada nacional de luta e denúncia política da farsa da Lava Jato, colando a esta iniciativa o combate frontal as reformas neoliberais que o governo golpista de Temer pretende implementar. Longe de “defender Lula e o PT” acriticamente ou lhe prestar qualquer tipo de apoio político ou eleitoral, a tarefa colocada para os setores mais conscientes do ativismo brasileiro neste exato momento é declarar que são os trabalhadores e seus organismos de classe os únicos que podem fazer o “ajuste de contas” com os burocratas vendidos da “Articulação” no PT e na CUT e não o arquirreacionário Moro, o TRF, o STF ou a PF. Para tanto, é necessário construir um partido operário revolucionário para superar o PT e a frente popular, postando-se como uma alternativa revolucionária também a corrompida “oposição de esquerda” encabeçada por setores do PSOL e o PSTU, que desejam ver Lula, Dirceu e Cia atrás das grades para tirar daí algum dividendo eleitoral, quando na verdade tal ato não faz mais do que reforçar as tendências fascistizantes do regime burguês contra os trabalhadores e suas conquistas democráticas e sociais. Não defendemos que justiça burguesa julgue Lula e outros dirigentes do PT. Por mais divergências que tenhamos com Lula e o PT sabemos que não são os sinistros órgãos de repressão do Estado burguês que devem julgar o ex-presidente petista, na medida em que como marxistas não reconhecemos nestes organismos capitalistas o poder para perseguir e condenar lideranças oriundas do movimento operário, por mais degeneradas e corrompidas que sejam. Por esta razão em nenhum momento negamos que o PT é cúmplice desse processo de cerco as organizações políticas como, por exemplo, ao aprovar a Lei Antiterrorista que abriu espaço para criminalizar os movimentos sociais, os sindicatos e as lideranças populares, mas esta constatação não altera nossa orientação principista de denunciar os ataques da MPF ao próprio Lula! Se não podemos depositar confiança política alguma nos dirigentes petistas, artificies da estratégia de colaboração com a burguesia nacional e setores das oligarquias regionais corruptas, também não se pode embarcar na canoa falsamente moralizadora da Lava Jato que abre as portas para o frenesi reacionário das elites racistas contra o conjunto da esquerda. A estratégia adotada pela cúpula do PT consiste em chamar a solidariedade da burguesia nacional contra a caçada humana a Lula promovida pela Lava Jato, acontece que a classe dominante compreende que o ciclo histórico do “neodesenvolvimento” lulista está encerrado. Por isso mesmo não é conveniente e oportuno arriscar a possibilidade de Lula chegar novamente ao Planalto em 2018. Trata-se de uma estratégia suicida, mesmo que Lula seja candidato em 2018 será derrotado por Moro, no marco dessa mesma operação fraudulenta em curso que une urna "roubotrônica", mídia e o grande capital que pavimenta pelo caminho eleitoral o estado de exceção que se gesta no Brasil. Convocamos a militância de base do PT e da CUT para somar forças na ação direta pela liberdade de todos os presos políticos deste autocrático regime democrático-burguês. A classe operária mesmo não reconhecendo o PT como um partido seu, deverá saber diferenciar seus inimigos principais e seus possíveis aliados circunstanciais, que neste caso se materializa na militância de base do partido e da CUT. Somente a mobilização permanente, com os métodos revolucionários da ação direta do proletariado, será capaz de libertar todos os presos políticos das masmorras do Estado capitalista. Ilusões disseminadas na defesa de em um suposto “Estado de Direito” no quadro desta República dos novos “barões” do capital só servirá para o movimento de massas acumular mais derrotas e retrocessos como estes que estamos assistindo agora, por essa razão nosso eixo político deve ser “Não a condenação de Lula pela farsa da Lava Jato! Superar a política de colaboração de classes do PT!”. Ao mesmo tempo, exigimos a liberdade imediata de todos os presos políticos da democracia dos ricos, como Rafael Braga e dos ativistas do MST e MTST perseguidos pela repressão estatal burguesa.

HÁ 38 ANOS DA TOMADA DO PODER NA NICARÁGUA: SUPERAR O PROGRAMA REFORMISTA DA FSLN PARA RECOLOCAR A PÁTRIA DE SANDINO NA SENDA DO SOCIALISMO REVOLUCIONÁRIO


Há exatos 38 anos, em 19 de julho de 1979, as colunas guerrilheiras da FSLN entraram em Manágua, consolidando a vitória da revolução popular sandinista sob o comando de Daniel Ortega, o movimento insurrecional responsável por quebrar a espinha dorsal do Estado burguês, derrotando e destruindo o exército nacional bancado pelos EUA. Dias antes, vendo que a derrota era inevitável, o ditador Somoza fugiu para Miami, tendo o abrigo do imperialismo ianque então sob a gestão “democrática” do presidente Cárter. Em comemoração a esta data histórica analisamos neste artigo minuciosamente tanto a vitória da revolução naqueles memoráveis dias como sua derrota pela via eleitoral quase duas décadas depois devido a política democratizante de sua direção pequeno-burguesa. A Revolução Sandinista foi a última insurreição popular armada vitoriosa a derrotar um governo títere do imperialismo, mas a política da direção reformista estrangulou todas as perspectivas de construir um Governo Operário e Camponês e tornar a Nicarágua um Estado operário em extensão para toda a América Central. Atualmente convertida a um partido da centro-esquerda burguesa e paladina do já falido “Socialismo do Século XXI”, a FSLN voltou a governar o país de pela via eleitoral e de forma completamente adaptada a democracia burguesa, sem grandes conflitos com o imperialismo ianque. Abstrair as lições programáticas dessa derrota em nossos dias é fundamental para a vanguarda militante combater a lógica reformista aplicada na Nicarágua já no final dos anos 80, onde o Sandinismo entregou a revolução em uma eleição burguesa em que previamente estava derrotado pela direita pró-ianque. Após vários anos dessa entrega sem luta, o Sandinismo retornou ao governo nacional pela via eleitoral, porém o regime da Nicarágua já não tem nenhum traço das conquistas revolucionárias de 1979. A melhor forma de comemorar o triunfo revolucionário de julho de 1979 é combater vigorosamente o imperialismo sem abrir mão da ácida crítica programática marxista a esquerda reformista como a FSLN. Este arco político defensor da colaboração de classes ressalta a democracia como valor universal e apresenta o respeito às urnas como “sagrado”, utilizando inclusive esse móvel programático para defender, por exemplo, a política de colaboração de classes da Frente Popular(PT) e aconselhar o PSUV de Maduro na Venezuela a seguir a mesma trajetória de capitulação da FSLN na Nicarágua. Para entender esse rico processo vamos abordar desde a gênese do Sandinismo, seu ascenso e derrota até o atual retorno de Daniel Ortega a presidência do país sem representar qualquer ameaça ao domínio da Casa Branca no continente centro-americano.

terça-feira, 18 de julho de 2017

50 ANOS DA DERRUBADA DO AVIÃO DO EX-PRESIDENTE CASTELO BRANCO PELA “LINHA DURA” MILITAR GOLPISTA: O QUE TEM EM COMUM OS “ACIDENTES AÉREOS” QUE MATARAM TEORI ZAVASCKI, EDUARDO CAMPOS E CASTELO BRANCO, PRODUTO DAS DISPUTAS INTERNAS MAFIOSAS NO SEIO DA CLASSE DOMINANTE?


Neste dia 18 de julho completa-se 50 anos do “acidente aéreo” que matou o golpista Castelo Branco, primeiro presidente militar após a deposição de João Goulart em 1964 ("eleito" indiretamente pelo Congresso Nacional). Apesar de obviamente não prestarmos nenhuma solidariedade póstuma ao cearense facínora que ajudou a impor a sanguinária ditadura militar no Brasil, para os Marxistas Revolucionários é importante compreender as circunstâncias que levaram a sua morte e compará-las com as que provocaram os “acidentes” mais recentes (Teori Zavaski e Eduardo Campos). Estas “quedas de aviões” também vitimaram burgueses que de alguma forma atrapalhavam os planos estratégicos da classe dominante. Em todos os três casos tudo aponta para acidentes “fabricados” por razões “estratégicas de estado”. Os Marxistas Revolucionários da LBI não acreditamos na “ética” da burguesia, nem sequer quando se trata de eliminar “um dos seus”. Denunciamos vigorosamente esses assassinatos enquanto o conjunto das forças políticas fazem coro na legitimação da farsa montada hoje e ontem. Essa crença abarca inclusive setores da esquerda que juram sua fidelidade aos ritos sagrados da democracia capitalista, entendem que a burguesia não ousaria ultrapassar os limites das “tradicionais” manobras políticas existentes no “jogo do poder”, portanto conspirações e assassinatos não poderiam fazer parte do “cardápio” das classes dominantes, como em geral age o PSTU, PSOL e MAIS, etc. Esse arco revisionista segue deve até hoje afirmar que o “acidente” aéreo que matou o general Castelo Branco, o primeiro presidente do golpe militar, não passou de uma fatalidade e que somente “mentes poluídas” poderiam afirmar a existência de uma tal “Operação Mosquito” contra Jango. Crimes e assassinatos bem planejados são a especialidade da classe dominante em momentos de crise aguda em seu seio. Mas em geral os “crentes” na democracia dos ricos nos acusam de delírio, de estarmos acolhendo uma “Teoria da Conspiração”. Esses senhores não tem uma compreensão do caráter golpista da direita tupiniquim, capaz de “eliminar” sem o menor escrúpulo “lideranças políticas burguesas indesejáveis”, como JK, Jango, Lacerda, Castelo Branco, Tancredo Neves, Campos etc... No caso específico de Castelo Branco vale destacar que o Marechal era inicialmente da ala de oficiais supostamente “leais” a legalidade do governo (como Amaury Kruel) mas que diante da polarização social logo se “unificaram” com os facínoras golpistas do quilate de um Costa e Silva, dando aval completo ao golpe de 1964 fundamentalmente após o Comício da Central do Brasil em março de 1964. Tanto que Castelo assumiu a presidência prometendo eleições em 1965, o que de fato não ocorreu por pressão da chamada “linha dura”. Essa trajetória conflituosa justificava por si só plenamente a eliminação do militar cearense, o que veio a correr com o acidente fatal aéreo de 50 anos atrás, seguido anos depois das mortes encomendadas de Jango, Lacerda e Jk. As “investigações” apontaram como causa um erro do piloto do bimotor do presidente golpista (que obviamente faleceu) que chocou-se com o jato da FAB, a mesma falha pessoal indicada nos relatórios de Teori e Campos, forjando-se inquéritos que não levaram a punição de ninguém nos três episódios. No caso de Castelo, o relatório assinado pelo brigadeiro Araripe Macedo cheio de falhas e lacunas foi aceito integralmente pela cúpula militar e como prêmio o oficial tornou-se ministro da Aeronáutica nos governos de Médici e Geisel. Vale registrar ainda que às vésperas de morrer Castelo Branco anunciou que iria fazer um “pronunciamento à nação”. Ele tinha deixado a presidência em 15 de março de 1967 e na disputa interna entre os militares foi forçado a passar o comando do país para Costa e Silva, um adversário seu na caserna. Um pronunciamento de Castelo contra Costa e Silva poderia rachar publicamente a cúpula militar, abrindo caminho para uma aliança do Marechal como a ala civil golpista (JK, Lacerda, Magalhães Pinto). Esse é o real motivo de sua morte. No que diz respeito ao assassinato de Teori, enquanto a esquerda revisionista adaptada e crédula ao regime da democracia dos ricos ficou em silêncio diante do “acidente” que matou o ministro do STF Teoria Zavascki (no máximo atuando como papagaios da mídia burguesa), alegando que não patrocina “Teorias da Conspiração” e desprezando o real funcionamento mafioso do Estado burguês e suas gerências de plantão, a LBI logo após a queda do avião apontou sem vacilar a ação como um assassinato planejado por Temer e sua antourragem palaciana (Jucá, Moreira Franco, Padilha, por “coincidência” os dois últimos ex-ministros da Aviação Civil...) para controlar o conteúdo das delações da Odebrecht. No caso de Eduardo Campos, a queda do moderno avião Cessna não foi produto de uma falha humana ou mesmo de um problema mecânico ocasional, mas na verdade de uma operação que teve as digitais da CIA para retirar o “socialista” da disputa a fim de abrir caminho para que Marina Silva (a candidata preferencial dos rentistas e do imperialismo ianque naquele momento), pudesse voltar a concorrer ao Palácio do Planalto. De nossa parte não vemos nenhuma surpresa nestes acontecimentos, as mortes de acidentes aéreos de desafetos políticos são relativamente comuns. Por mais contraditório que possa parecer, os mais “crédulos” no funcionamento das instituições “democráticas” deste bastardo regime burguês são justamente as organizações da esquerda, incluindo neste bojo as que se reivindicam “reformistas ou revolucionárias”. Enquanto neste país a direita golpista conspira abertamente contra todos aqueles que “atravessem” seu caminho, inimigos ideológicos ou não, a esquerda jura obediência à institucionalidade, confiante na “probidade” de seus adversários mais reacionário. 


Segundo a versão oficial dos fatos, o Marechal Castello Branco faleceu em um acidente aeronáutico, em uma aeronave do Governo do Estado do Ceará, um Piper Aztec matriculado PP-ETT, no dia 18 de julho de 1967. A aeronave que conduzia o ex-Presidente foi atingida na cauda pela ponta da asa de um caça da Força Aérea Brasileira, um Lockheed TF-33, perdendo a deriva. Depois de entrar em parafuso chato, o avião chocou-se com o solo e todas as pessoas a bordo morreram, com exceção do co-piloto. Na manhã de 18 de julho, Castello Branco saiu do sítio da escritora Rachel de Queiroz, sua amante, e decolou de Quixadá para Fortaleza a bordo do Aztec cedido pelo Governo do Ceará. Estavam a bordo do bimotor a escritora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno, o irmão do Marechal, Cândido Castello Branco, o comandante Celso Tinoco Chagas e o co-piloto Emílio Celso Chagas, filho do comandante. O tempo estava bom, visibilidade praticamente ilimitada e nebulosidade insignificante. O Aztec decolou do sítio de Rachel de Queiroz às 9 horas da manhã e voou em cruzeiro no nível de voo visual 055 (cinco mil e quinhentos pés). Trinta minutos depois, já durante a descida para Fortaleza, um jato de caça da FAB, um TF-33 - FAB 4325, atingiu a deriva do Aztec, decepando-a. O jato perdeu o tanque da ponta da asa, que curiosamente estava vazio, mas conseguiu retornar em segurança para sua base. O Aztec, entretanto, perdeu o controle direcional e entrou em parafuso chato, chocando-se com o solo de barriga, matando 5 das 6 pessoas a bordo, salvando-se o co-piloto Emílio Celso Chagas, que ficou, entretanto, bastante ferido. Na ocasião do acidente, houve uma investigação, que concluiu que o choque foi acidental, que ambas as aeronaves estavam em um mesmo "corredor" em direção à Fortaleza, e que teria havido, possivelmente, falha do controle de tráfego aéreo. E ficou por isso mesmo, já que o Governo Federal, naquela época, controlava tudo com "mão de ferro", censurando a imprensa e perseguindo a oposição burguesa e a esquerda revolucionária. Embora a presença de caças nos céus do Ceará fossem comuns, o tráfego civil era respeitado e os jatos mantinham separação visual dos mesmos, como acontece até hoje. Mas o bimotor que levava Castello Branco foi atingido na deriva com uma precisão "cirúrgica", com poucos danos ao caça. As condições de visibilidade eram excelentes, dando condições ao piloto do caça, o Tenente Alfredo Malan d'Dangrogne, de avistar perfeitamente o tráfego à sua frente. Mesmo assim, ocorreu a colisão, o que revela que não se tratava de um acidente, e sim de um atentado. Qual teria sido o motivo e a quem interessaria a morte do golpista? Sobre isso não restam dúvidas, pois motivos não faltavam. Castello Branco tinha deixado a presidência apenas 3 meses antes, passando o poder para o Costa e Silva, representante da "linha dura" do Exército. Na verdade, Castello Branco assumiu o governo prometendo devolver o governo aos civis. Isso ia contra os interesses de outros generais, que tencionavam se manter no poder sob a alegação de manter a paz e e ordem pública e eliminar a ameaça comunista. Mesmo fora do governo, o Marechal Castello Branco tinha uma considerável influência no Exército Brasileiro. Em resumo, a presença de Castello Branco incomodava, e muito, os generais da "linha dura" que pretendiam dar fôlego longo a ditadura, como de fato ocorreu. E não haveria outro meio de meio desses generais se verem livres dele, senão matando-o. A operação de resgate das vítimas do acidente foi desastrosa: os oficiais e soldados da aeronáutica destroçaram o avião a machadadas e carregaram as vítimas nas costas, sem qualquer técnica. Como estas tinham danos na coluna vertebral pela posição de impacto, isso pode ter colaborado para agravar seus ferimentos. O avião acidentado foi reconstruído e parcialmente restaurado, e encontra-se hoje no quartel do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, no Ceará. A deriva arrancada pelo caça jamais foi encontrada. O caça também foi preservado e encontra-se hoje na Base Aérea de Fortaleza, como "lembranças" distantes do acidente, que na verdade foi um ataque fatal contra a vida de Castelo Branco para garantir a unidade interna dos generais e consolidar a ditadura militar que durou 21 anos..., sendo hoje usado na "democracia" o mesmo método para eliminar desafestos políticos no interior da classe dominante.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

100 ANOS DE JOÃO SALDANHA: NOSSAS DIVERGÊNCIAS E RESPEITO REVOLUCIONÁRIO AO DEDICADO MILITANTE STALINISTA, NOSSA CRÍTICA AO TÉCNICO QUE COMANDOU A SELEÇÃO BRASILEIRA EM PLENA DITADURA MILITAR


Neste mês de julho completa-se 100 anos do nascimento de João Saldanha. O gaúcho de Alegrete veio ao mundo poucos meses antes de ser vitoriosa a Revolução Bolchevique de Outubro na Rússia dirigida por Lênin e Trotsky, um acontecimento histórico que influenciou diretamente sua vida, já que seu pai era comunista e defensor da URSS. João entrou para a história por ter sido o técnico da seleção brasileira que “peitou” a ditadura militar ao não convocar o jogador Dario, o "Dadá maravilha" por indicação do general carniceiro Médici, para Copa do México de 70. Recusou-se a chamar o jogador “sugerido” pelo general e foi demitido por sua ordem. Formando uma seleção com base nas equipes do Santos, de Pelé, e do Botafogo, de Gérson e Jairzinho, o técnico conseguiu, de fato, forjar um grupo muito forte que se classificou para o Mundial de 70 no México, jogando um futebol talentoso, empolgante e, acima de tudo, corajoso que acabou por conquistar o tricampeonato sob o comando de Zagalo. No grupo, Saldanha teve muitos atritos como Pelé. Homem de temperamento intrépido, torcedor do Grêmio e do Botafogo (passou como jogador pelas categorias de base do Glorioso e como técnico do time da “Estrela Solitária” foi campeão carioca em 1957), Saldanha foi militante orgânico do PCB já na juventude, chegando a ir a China na década de 40 para apoiar a Revolução dirigida por Mao, tanto que estava em Pequim nas comemorações do primeiro aniversário da tomada do poder pelo PCCh. Como técnico da seleção, já afastado de fato do partido e apenas na condição de simpatizante, era o que na época se chamava um “amigo do Partidão”, tendo condutas contraditórias típicas dessa condição diletante. Muito se tem escrito sobre o João Saldanha técnico, enaltecendo seu espírito de combate à ditadura, além obviamente de sua capacidade como jornalista e comentarista de futebol, mas pouco se enaltece sua dedicada militância stalinista, conduta que fazemos questão de registrar e celebrar no centenário de seu nascimento, apesar de nossas profundas divergências políticas e programáticas.


Em 1935, aos dezoito anos de idade, João e seu irmão Aristides aderiram ao programa da Aliança Nacional Libertadora, atraídos pelo movimento internacional de resistência ao nazi-fascismo e de combate aos planos belicistas do imperialismo alemão. Do antifascismo, Saldanha evoluiu ideologicamente até aderir ao Marxismo Leninismo, ainda que stalinizado. Em 1936, João estava na Faculdade quando a polícia de Filinto Muller entrou em busca de seu professor de História. Em um primeiro momento, conseguiram “colocar a polícia para correr”. No dia seguinte, com maior contingente a polícia entrou novamente e João, entre outros, apanhou bastante e foi expulso da faculdade. Em 1945, pouco após o estabelecimento de relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética e a libertação de mais de cem militantes comunistas, Saldanha ingressou no Partido, passando a atuar num dos Comitês Populares Democráticos criados pelo Partido, organizações de massa incumbidas de organizar um vasto conjunto de atividades. Saldanha também ingressou no Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), organização intersindical que resultou da aliança de comunistas e getulistas. Aos 28 anos de idade, Saldanha era o mais jovem secretário político dos comitês distritais do PCB, no Distrito Federal. Com o fim do Estado Novo, o PCB se fortaleceu, elegendo, para as eleições constituintes de 1946, 14 deputados federais e um senador: Luís Carlos Prestes. Nesse período, João assumiu a direção da União da Juventude Comunista - UJC enquanto escrevia para a Folha do Povo. Em 1949, dentro do período da frente populista do stalinismo, o PCB levantou como principal política a defesa da Paz e da Cultura. João seguia como dirigente da UJC e foi um dos responsáveis pela organização do I Congresso Brasileiro pela Paz, realizado na emblemática sede da UNE da Praia do Flamengo, que veio a ser queimada pela ditadura militar. Como era de se esperar, a polícia, que considerava o congresso ilegal, invadiu o prédio e efetuou várias prisões. João foi atingido por uma bala de fogo e por pouco não morreu. Por esse episódio, foi condenado a 6 anos de prisão, mas fugiu para São Paulo, onde utilizou o nome de João de Souza, passando a militar na frente sindical e morar no bairro operário de Vila Formosa, na zona leste da capital. No mesmo ano, acabou sendo preso durante o ato do movimento “O Petróleo é Nosso”, ficando 28 dias no prédio do DOPS. Foi libertado sem documentos. Sua situação estava bastante difícil. Resolveu então, sob orientação do partido, mudar-se para a França. Depois se deslocou para Praga, na então Tchecoslováquia, e depois para Pequim, meses após a tomada do poder por Mao Tse Tung. Ficado na China cerca de dois anos. Um ano depois, se encontrava cobrindo a Guerra da Coreia. Voltou ao Brasil em 1951 com passaporte falso, indo mais uma vez residir em São Paulo. Escreveu para o Jornal Noticia de Hoje, mantido pelo PCB, e foi encarregado de negociar o apoio do partido à candidatura de Jânio Quadros, que acabou não se concretizando, pois o PCB apoiou Adhemar de Barros, do PSP.  Ele assumiu tarefas de grande envergadura e responsabilidade do partido no Estado do Paraná e no Estado de São Paulo, tanto na luta contra a grilagem de terra, na organização de sindicatos no campo, quanto na aplicação da nova linha política para o trabalho sindical, nos anos de 1952-1953, e que culminou na greve histórica de março de 1953.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

MORENISTAS DO PSTU E CST VOLTAM A DEFENDER A PRISÃO DE LULA: OS “MORONISTAS DE ESQUERDA” TRANSFORMARAM-SE EM UM BRAÇO DA REAÇÃO BURGUESA AO DEFENDEREM A OPERAÇÃO LAVA JATO PARA MORALIZAR O REGIME BURGUÊS


A direção nacional do PSTU acaba de publicar o artigo “Por que Lula chegou a essa situação” (13/07/2017) em que defende, ainda de forma envergonhada, a prisão de Lula pelo juiz Moro. O texto afirma “Defendemos a prisão e o confisco dos bens de TODOS os corruptos e corruptores. E somos contra abafar as investigações contra quem quer que seja. Em certa medida, não alegra ninguém que o maior expoente que a classe trabalhadora brasileira construiu na sua história, acabe sendo condenado por corrupção por ter passado para o lado da burguesia. Mas, ao mesmo tempo, o desfecho dessa tragédia e dessa farsa que o PT construiu não surpreende. Demonstra que o PT e Lula já não têm condições de representar a classe trabalhadora, pois escolheram outros amigos e outro caminho”. O PSTU tenta cinicamente justificar sua posição apoiando-se no conceito de que “todos são corruptos, logo todos devem ser presos” pelos organismos repressores do Estado capitalista. Para os Marxistas Revolucionários não se trata de adotar os conceitos típicos da pequena-burguesia moralista, a mesma que é base para os protestos da direita contra o PT que desembocou no Golpe Institucional contra Dilma, mas compreender que a justiça no Estado capitalista tem um caráter de classe. Justamente por esse “detalhe” desprezado pelo PSTU é que somente o PT está sendo de fato alvo da Operação Lava Jato, seus dirigentes históricos vêm sendo presos e Lula deve ir para a prisão em breve, enquanto os ratos da política burguesa como FHC, Temer, Aécio e Renan continuam livres. A denúncia do MPF foi claramente um show midiático reacionário para atacar inicialmente Lula e o PT para na sequência perseguir toda a esquerda, inclusive os setores revolucionários que nunca apoiaram ou integraram os governos da Frente Popular. Esses fatos demostram que está em curso um processo de recrudescimento repressivo do regime político que tem como alvo não só o PT, mas o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. O objetivo estratégico desta operação é cercear as parcas liberdades democráticas e criar um ambiente político propício para alinhar servilmente o Palácio do Planalto às ordens do imperialismo ianque e da Casa Branca na rapinagem da economia nacional. O descaramento oportunista do PSTU é ainda mais vergonhoso porque tem "duas caras", enquanto defende a Lava Jato para "ficar de bem" com a opinião pública da classe média "ética", no campo político dos movimentos sociais continua chamando de "companheiros de luta" os dirigentes do PT e da CUT para não "ficar mal" com o ativismo que segue a enorme influência da Frente Popular.


O PSTU ainda afirma no artigo, defendendo a Lava Jato que “Também é de grande hipocrisia falar em ‘Estado de Exceção’ devido às prisões de meia dúzia de políticos e empresários... Quer dizer: sob o PT tínhamos ‘Estado de Direito’ porque só os pobres eram presos sem julgamento (Rafael Braga que o diga!) e agora temos ‘Estado de Exceção’ por causa da Lava Jato?  Tenham a santa paciência!” (Idem). Ao contrário do que afirmam os “Moronistas” a Lava Jato e seus “jovens fascistas” propõem um regime de exceção, apoiado nos setores mais reacionários da classe média. Sua “Força Tarefa” está a serviço de colocar ainda mais a economia nacional sob o domínio das empresas imperialistas, tendo como meta liquidar a Petrobras! A Lava Jato visa abrir caminho para o neoBonapartismo no Brasil, apoiado em um estado policial, baseado na privilegiada casta jurídica e militar! O Procurador Deltan Dallagnol, o “quadro” formulador da Força Tarefa da direita pró-imperialista, já explanou cristalinamente que a “República de Curitiba” pretendia não só remover o governo petista como também alterar profundamente o regime político vigente. Para esta “tarefa divina” não descartam depurar institucionalmente o PMDB e PSDB, na medida em que a conjuntura permitir, ou seja, caso o governo Temer “engasgue” na aplicação das reformas neoliberais exigidas pelo mercado financeiro, o Tea Party tupiniquin estaria a postos para assumir as rédeas do regime político, reconfigurando radicalmente a Constituição “democrática” de 1988. A plataforma da Lava Jato “10 medidas contra a corrupção” (escandalosamente apoiada por PSOL e PSTU) já é um esboço reacionário do programa do novo regime que defendem para o país! Longe de apoiar a Lava Jato e seus jovens procuradores fascistas os Marxistas Revolucionários denunciam que a corrupção não é um fenômeno episódico no regime capitalista, faz parte dos seus próprios mecanismos de acumulação privada de mais-valor. Somente a imposição de outra ditadura de classe, desta vez de caráter proletário, será capaz de iniciar a construção de uma nova sociedade e para alcançar esse objetivo estratégico é preciso edificar um partido operário revolucionário em nosso país, que supere o PT através do avanço da consciência de classe dos trabalhadores e não colocando seus dirigentes na cadeia (por mais degenerados que sejam), como defendem Moro, Deltan Dallagnol e escandalosamente o... PSTU e a CST!!!
ENTREVISTA COLETIVA DE LULA APÓS A SENTENÇA DE MORO: LULA LANÇOU OFICIALMENTE SUA CANDIDATURA PRESIDENCIAL FAZENDO UM APELO À BURGUESIA EM NOME DA COLABORAÇÃO DE CLASSES PARA UM “HOMEM DA SENZALA SERVIR NOVAMENTE À CASA GRANDE”


Lula fez hoje um pronunciamento na sede do PT analisando a sentença do juiz Moro condenando-o a 9 anos e meio de prisão. Lamentou a decisão do comandante da “República de Curitiba”, declarando que até chegou a esperar inicialmente que Moro recusasse a denúncia do MPF mas que agora com a condenação o justiceiro não passava de um homem a serviço da Rede Globo e dos que desejavam tirar a possibilidade de uma nova postulação sua a presidência da república, aproveitando a entrevista coletiva para se lançar como “pré-candidato oficial do PT”. Denunciou que o golpe parlamentar contra Dilma não fecha se ele for candidato e voltar ao Planalto, citando o artigo da Folha de São Paulo de outubro de 2016 em que pontuou que Moro estava obrigado pela mídia a lhe condenar. Apesar de criticar a Operação Lava Jato ele reafirmou que acredita nas instituições da república porque são a garantia da democracia, citando textualmente a PF, o MPF e a Justiça. Por fim declarou que “está no jogo” e fez um “desafio”: “Se a Casa Grande não consegue governar que deixe um homem da Senzala fazê-lo para incluir novamente o pobre no orçamento, para o povo voltar a ser otimista”, denunciando o ódio disseminado pela mídia venal. Coube ao presidente da CUT anunciar que nesse dia 20, em todas as capitais, haverá atos com o eixo de que “Eleição sem Lula é Fraude”. A estratégia adotada por Lula e a cúpula do PT consiste em chamar novamente a solidariedade da burguesia nacional contra a caçada humana a Lula promovida pela Lava Jato. Ocorre que a “Casa Grande” compreende que o ciclo histórico do “neodesenvolvimento” lulista para reintroduzir a “Senzala” ao ciclo do consumo está encerrado. Por isso mesmo não é conveniente e oportuno arriscar a possibilidade de Lula chegar novamente ao Planalto em 2018, a função de Moro e sua anturragem judiciária é exatamente esta. Porém a Lava Jato, como literalmente definiu o Procurador Geral Janot: "é bem maior do que todos nós", ou seja, trata-se de um operativo montado desde a Casa Branca, com a mirada voltada na reordenação da economia brasileira. Não pode haver pedido de clemência, por mais emocionado da parte de Lula, que faça recuar a tática de Moro em desmoralizar o PT pelas fartas "comissões" recebidas por todos os dirigentes do partido. É fato inconteste que o próprio Lula e as lideranças da Frente Popular se beneficiaram pessoal e politicamente com as "comissões" pagas pelos grandes grupos econômicos em função de cada transação comercial realizada com o estado capitalista, mas não é por este motivo que estão sendo processados e presos. Não existe um único gestor estatal desta república, desde Deodoro até o atual golpista Temer, que não tenha recebido as "comissões", conhecidas popularmente com a alcunha de "propinas". A república do "propinoduto", como afirmou o protofascista Dallagnol não foi criada pelo PT no governo Lula, o grande "crime" das gerências estatais da Frente Popular talvez tenha sido o de "baixar e democratizar" os valores recebidos de cada comissão, e isto parece ter perturbado a elite dominante. As "comissões" são um produto inerente ao modo de produção capitalista, para acabá-las somente instaurando um outro regime econômico, o socialismo, e isto hoje Lula foi bastante sincero ao afirmar que nunca em seu governo pretendeu "abraçar" a expropriação do capital. O fato de reconhecermos, como Marxistas, que Lula também recebeu " comissões", não outorga nenhuma legitimidade ou mesmo legalidade nas ações do Ministério Público, afinal deveriam começar pelas "comissões " bem mais robustas como as da Privataria Tucana. O Estado capitalista e suas instituições fraudulentas (STF, MPF, etc...) não podem ter a menor autoridade histórica para criminalizar os setores nacionalistas de esquerda da burguesia, como o PT ou na sua época o Brizolismo, repetimos mais uma vez trata-se de uma farsa, somente os próprios trabalhadores no curso da revolução proletária terão a missão de estabelecer seus próprios organismos de poder para construir sua justiça classista. A intervenção pública de Lula foi brilhante do ponto de vista político da demagogia eleitoral, lançando de fato sua candidatura a 2018 porém inócua do ângulo de convocar a resistência direta das massas para defenestrar a ofensiva fascista que aponta na perspectiva de eliminar as conquistas sociais e democráticas da classe operária. Ao lamentar a aprovação da reforma trabalhista e a ameaça a previdência Lula apenas apontou a necessidade da Frente Popular voltar ao Planalto, para retomar o ciclo de desenvolvimento, o que além de desarmar a luta direta das massas, não passo de um apelo para se estabelecer um novo pacto de colaboração de classes no país, uma saída que os revolucionários e os lutadores classistas devem opor-se vigorosamente, denunciando-a como mais um engodo da “Casa Grande” contra o “Senzala”!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

JUSTICEIRO MORO CONDENA LULA A 9 ANOS E MEIO E O MANTÉM SOLTO MAS “PENDURADO” PARA AS ELEIÇÕES DE 2018: BURGUESIA DECIDIRÁ NO TRF O DESENLACE ELEITORAL DO PT. NÃO A CONDENAÇÃO DE LULA PELA FARSA DA LAVA JATO! SUPERAR A POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DA FRENTE POPULAR!


O Juiz “Nacional” Sérgio Moro acaba de condenar Lula a 9 anos e seis meses de prisão. Na mesma sentença Moro decidiu por não decretar a prisão do ex-presidente por “cautela”, leia-se que se submete a uma deliberação maior da burguesia nacional sobre o futuro eleitoral do PT para 2018, já que será o TRF a instância jurídica que dará a “palavra final” acerca da inelegibilidade ou não de Lula.  A pena foi baseada nas “delações premiadas contra o PT” que envolve o caso da compra e reforma de um apartamento Rriplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. A sentença foi publicada nesta quarta-feira (12). A farsesca “Operação Lava Jato" coordenada diretamente do gabinete do Departamento de Estado dos EUA agora fragilizada se concentra em "fisgar o peixe mais graúdo" do PT, o próprio Lula. Porém Moro já não tem mais o peso de "legislar" sozinho sobre os rumos institucionais do país. A mudança na política do Departamento de Estado da Casa Branca, com a vitória de Trump, fragilizou a operação “Lava Jato” colocando mais um ingrediente de impasse na política nacional. A decisão final das classes dominantes em montar o cenário eleitoral com seus “candidatos preferenciais” para a disputa do Planalto em 2018 deve esperar o próprio desfecho do atual governo golpista, ou seja se Temer terá algum fôlego para concluir as reformas neoliberais iniciadas por Dilma. Para desmoralizar o PT bastou se voltar para a exposição pública dos "pequenos" privilégios materiais de sua burocracia dirigente, como Lula ou Dirceu. São apartamentos, sítios e carros confortáveis de um padrão de classe média alta, que décadas atrás seria impensável a posse para um dirigente da esquerda "socialista". Nada comparável aos suntuosos apartamentos, grandes fazendas e modernos jatinhos da burguesia e seus representantes pemedebistas e tucanos, entretanto a compra de um "triplex" tem o mesmo impacto midiático seja em Guarujá ou na Côte D'azur, sem falar na diferença entre um bote de alumínio e um iate de milhões de dólares. A caçada da Lava Jato tem um prêmio: A cabeça de Lula e a prisão de sua anturragem mais próxima! Os Marxistas sabem muito bem diferenciar os privilégios materiais da burocracia sindical e política da esquerda "chapa branca", da propriedade jurídica dos meios de produção e troca sob controle dos políticos da burguesia. Enquanto a esposa de Alckmin era proprietária da luxuosa Daslu os venais da Globo não abriam o bico, mas quando "dona Marisa" resolveu comprar uma canoa a "indignação" dos fariseus ganha as principais manchetes. O PT está repleto de burocratas que elevaram em mais de cem vezes seu patrimônio pessoal, produto de comissões cobradas pela intermediação de negócios com o Estado, alguns do tipo de um José Guimarães chegam a "parelhar" fortuna com políticos burgueses como o senador pemedebista Eunício Oliveira, porém sequer ameaçam obter 10% do que foi usurpado do Estado no processo da "privataria" tucana na chamada era do "probo" FHC. Desgraçadamente uma parcela da esquerda revisionista também se deixou corromper pelas pequenas "benfeitorias" da Frente Popular, é o caso do liliputiano PCO, que passou a defender os privilégios materiais da burocracia sindical como algo "natural" ao movimento operário. Outros grupos revisionistas, no outro lado da margem, passaram a fazer apologia da Lava Jato endossando a ofensiva imperialista contra a "vacilante" economia nacional.  O próprio Lula, o antigo "herói" da burguesia nacional agora é considerado o novo "vilão número 1" do país. A tarefa que se coloca para a vanguarda da classe trabalhadora será abstrair as trágicas lições da política falida da burocracia petista, e forjar a construção do seu próprio poder político para o próximo período histórico. Sabemos muito bem que a corrupção (cobrança de comissões para cada transação comercial) nas empresas estatais e demais instituições republicanas não são criação dos governos da Frente Popular, são um produto sistêmico do modo de produção capitalista, embora o PT tenha dado continuidade a este mecanismo alimentado pelo mercado e a chamada “iniciativa privada”. Não nos parece justo atribuir exclusivamente as gerências petistas as atuais dificuldades da Petrobras (produto da queda artificial da cotação internacional do óleo cru) foi a na era da privataria tucana que a estatal acumulou suas piores perdas, incluindo a perda do monopólio na exploração do óleo em território nacional. Se Moro pretendesse realmente apurar a origem da relação promíscua entre as empreiteiras e a estatal deveria começar por investigar a fundo o período do regime militar, passando por Sarney e tendo como ápice o governo FHC. A tucanalha embolsou bilhões de dólares das multinacionais do petróleo para quebrar o monopólio que fazem das eventuais “propinas” pagas ao PT um “cofrinho infantil de moedas”. Entretanto a questão de fundo não é “monetária” e sim política! A Lava Jato tem um objetivo determinado de criminalizar as lideranças de esquerda, particularmente o PT, impulsionando uma histeria reacionária no país que já provocou o impeachment de Dilma. Sem avalizar por um só momento a política desastrosa do PT, o movimento de massas deve ganhar as ruas para combater a escalada da direita e do fascismo, que mais cedo do que tarde se voltará contra o conjunto da vanguarda operária em nosso país. Entendemos que a defesa política, e não meramente jurídica de Lula, se mantém necessária diante da ofensiva direitista contra o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. Nós da LBI não nutrimos nenhuma afinidade programática ou política com Lula e muito menos com os dirigentes do conjunto da Frente Popular. Entretanto os Bolcheviques sabemos muito bem distinguir o fascismo da Frente Popular, o primeiro embrulhado no discurso da moralização e ética da coisa pública e o segundo atolado e refém da sua própria política de colaboração de classes. A defesa política de Lula condenado como em uma vitrine midiática, para dar uma “lição” desmoralizante em qualquer esquerdista que se meta em “negócios” com a burguesia, é um ato de enfrentamento com a brutal ofensiva ideológica da direita e não pode ser confundido com o apoio ou solidariedade ao programa burguês da colaboração de classes levado a cabo pelo PT. Cúmplices diretos da “Lava Jato” PSTU e o MES (corrente interna do PSOL) apostam no prestígio midiático do fascista Moro para tentarem obter algum dividendo eleitoral na velha “caça às bruxas” da direita tupiniquim. Nesta conjuntura de ofensiva reacionária em toda a linha, a tarefa dos Leninistas é denunciar vigorosamente a condenação de Lula assim como a estratégia de colaboração de classes que levou o PT a completa subserviência diante da burguesia mesmo quando seus quadros históricos são perseguidos e presos, tendo o encarceramento de Lula no horizonte próximo como parte da sanha reacionária em curso no país. Esta tarefa necessariamente precisa estar combinada com o chamado à mobilização direta dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal que antes era levado a cabo por Dilma e agora está sendo aprofundado por seu vice golpista, o rato Temer. Combater o embuste da Operação “Lava Jato” assim como a LBI combateu o julgamento farsa do “Mensalão” representa neste momento unificar na mesma pauta programática a luta contra a ofensiva neoliberal que pretende subtrair nossos direitos sociais e políticos, tarefa que deve ser combinada com a defesa incondicional de todos os militantes políticos da esquerda que se postam no campo nacional, democrático e popular. A vanguarda classista deve abstrair todas as lições programáticas destes episódios e jamais empunhar a bandeira da “ética e moralidade pública” como fazem os cretinos revisionistas do PSOL e PSTU. Como afirmou Lenin, o Estado burguês não pode ser “democratizado” ou tornar-se “público”, deve ser demolido pela ação violenta e revolucionária da classe operária. A corrupção não é um fenômeno episódico no regime capitalista, faz parte dos seus próprios mecanismos de acumulação privada de mais-valor. Somente a imposição de outra ditadura de classe, desta vez de caráter proletário, será capaz de iniciar a construção de uma nova sociedade e para alcançar esse objetivo estratégico é preciso edificar um partido operário revolucionário em nosso país, que supere o PT e não seja sua reedição piorada como o PSOL. Não defendemos que justiça burguesa julgue Lula e outros dirigentes do PT. Por mais divergências que tenhamos com Lula e o PT sabemos que não são os sinistros órgãos de repressão do Estado burguês que devem julgar o ex-presidente petista, na medida em que como marxistas não reconhecemos nestes organismos capitalistas o poder para perseguir e condenar lideranças oriundas do movimento operário, por mais degeneradas e corrompidas que sejam. Esta tarefa cabe ao movimento de massas e seus organismos políticos, como parte da superação da plataforma de colaboração de classes da Frente Popular. Por esta razão em nenhum momento negamos que o PT é cúmplice desse processo de cerco as organizações políticas como, por exemplo, ao aprovar a Lei Antiterrorista que abriu espaço para criminalizar os movimentos sociais, os sindicatos e as lideranças populares, mas esta constatação não altera nossa orientação principista de denunciar os ataques da MPF ao próprio Lula! Se não podemos depositar confiança política alguma nos dirigentes petistas, artificies da estratégia de colaboração com a burguesia nacional e setores das oligarquias regionais corruptas, também não se pode embarcar na canoa falsamente moralizadora da Lava Jato que abre as portas para o frenesi reacionário das elites racistas contra o conjunto da esquerda. A estratégia adotada pela cúpula do PT consiste em chamar a solidariedade da burguesia nacional contra a caçada humana a Lula promovida pela Lava Jato, acontece que a classe dominante compreende que o ciclo histórico do “neodesenvolvimento” lulista está encerrado. Por isso mesmo não é conveniente e oportuno arriscar a possibilidade de Lula chegar novamente ao Planalto em 2018. Trata-se de uma estratégia suicida, mesmo que Lula seja candidato em 2018 será derrotado por Moro, no marco dessa mesma operação fraudulenta em curso que une urna "roubotrônica", mídia e o grande capital que pavimenta pelo caminho eleitoral o estado de exceção que se gesta no Brasil. Convocamos a militância de base do PT e da CUT para somar forças na ação direta pela liberdade de todos os presos políticos deste autocrático regime democrático-burguês. A classe operária mesmo não reconhecendo o PT como um partido seu, deverá saber diferenciar seus inimigos principais e seus possíveis aliados circunstanciais, que neste caso se materializa na militância de base do partido e da CUT. Somente a mobilização permanente, com os métodos revolucionários da ação direta do proletariado, será capaz de libertar todos os presos políticos das masmorras do Estado capitalista. Ilusões disseminadas na defesa de em um suposto “Estado de Direito” no quadro desta República dos novos “barões” do capital só servirá para o movimento de massas acumular mais derrotas e retrocessos como estes que estamos assistindo agora, por essa razão nosso eixo político deve ser “Não a prisão de Lula pela farsa da Lava Jato! Superar a política de colaboração de classes do PT!”.  

terça-feira, 11 de julho de 2017

ENQUANTO PSTU/CONLUTAS FAZIA "PRESSÃO" NO AEROPORTO DE BSB... O PT ENCENAVA O TEATRO NO SENADO PARA ENCOBRIR O SEU AVAL A REFORMA TRABALHISTA EM NOME DE UM GOVERNO LULA EM 2018


Enquanto os dirigentes do PSTU/CONLUTAS, como Paulo Barela, postavam nas redes sociais o "grande esforço" de praticarem lobby parlamentar no aeroporto de Brasília no dia da votação da Reforma Trabalhista, do outro lado da traição em um jogo de cena típico das novelas globais, as senadoras do PT e PCdoB fizeram um verdadeiro teatro para supostamente “barrar” no Senado o desmonte das conquistas operárias. Apesar de não organizarem nenhuma reação da classe operária ao ataque neoliberal a CLT, as representantes da CUT, PCdoB e do PT fizeram um verdadeiro “show” inócuo para protelar a aprovação de um ataque brutal aos trabalhadores. Ao final da encenação, como já havíamos denunciado, a reforma neoliberal foi aprovada por uma ampla margem de votos. Lula e a Frente Popular apenas encenam a “resistência” parlamentar enquanto de fato sabotam a ação direta nas ruas. Não por acaso desmarcaram a greve geral do dia 30 e “convocaram” apenas as patéticas mobilizações nos aeroportos, para fingir uma pressão parlamentar e fazer na verdade campanha eleitoral para Lula em 2018. De fato, o Senado concluiu, na noite desta terça-feira, 11, a votação da reforma trabalhista. Por 50 votos a 26, e uma abstenção, os senadores aprovaram o projeto de reforma trabalhista. Agora o PT e PCdoB vão dizer que “lutaram” contra o fim da CLT mas infelizmente a direita (PSDB, PMDB e aliados) impôs essa derrota, o que é uma “meia verdade” na medida em que não houve resistência de massas porque Lula deseja a aprovação do grosso do ajuste neoliberal antes de assumir a presidência da república (segundo o PT) após as eleições de 2018. Essa trama denunciada pela LBI foi avalizada por todo arco reformista, desde o PSOL, passando pelo MAIS e até mesmo o PSTU, que não denunciaram o teatro armado pelas senadoras da Frente Popular, inócuo do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores. O revés de hoje dará mais fôlego para a burguesia aprofundar sua ofensiva contra os trabalhadores e organizar seu plano estratégico de manter Temer agonizando até costurar um acordo entre suas alas para através das eleições legitimar a ascensão ao Planalto de um “salvador da pátria”. De nossa parte defendemos a convocação de um Congresso Nacional dos trabalhadores para forjar um embrião de poder proletário por fora da institucionalidade burguesa e de seu circo eleitoral! Como Marxistas Revolucionários não patrocinamos ilusões eleitorais na Frente Popular e na candidatura Lula. Lutamos para a vanguarda romper com a política de colaboração de classes do PT e chamamos a construção de uma alternativa revolucionária ao conjunto do regime político burguês e suas apodrecidas instituições, combatendo vigorosamente o governo golpista de Temer, a direita reacionária e fascistoide mas sem capitular a política venal e covarde da Frente Popular, cujo objetivo é amortecer a luta de classes para um terreno que a burguesia domina: o circo eleitoral de 2018!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

RELATÓRIO DA DENÚNCIA CONTRA TEMER NA CCJ DA CÂMARA: SÉRGIO ZVEITER INICIA A TRANSIÇÃO PARA O GOVERNO RODRIGO MAIA... BURGUESIA ENCONTRA ENFIM UM NOME ULTRANEOLIBERAL DE CONSENSO PARA POR FIM A “RESISTÊNCIA” DO GOLPISTA EM DEIXAR O PLANALTO


O parecer apresentado pelo deputado Sergio Zveiter (PMBD/RJ) apresentado hoje na CCJ da Câmara, totalmente desfavorável ao presidente Michel Temer, parece indicar um final para o teatro montado pela burguesia cujo roteiro mostrava uma "feroz resistência" do golpista em deixar o Palácio do Planalto, apesar da deliberação já tomada pela burguesia nacional de cambiar o governo provisório ainda herdeiro da chapa vitoriosa de Dilma em 2014. A morosidade em despachar Temer direto para uma cela da "República de Curitiba", não estava relacionada a suposta "brava resistência" de Temer que se agarrava desesperadamente a sua base fisiológica parlamentar, tampouco era produto de uma "divisão da burguesia" posto que o conjunto das frações capitalistas dominantes tinham acordado em interromper o mandato interino do golpista. O lento processo da burguesia em demitir Temer de sua "gerência de crise" está linkado ao impasse da aprovação integral das reformas neoliberais no Congresso Nacional e em segunda medida encontrar um nome de consenso plenamente comprometido com a pauta econômica exigida pelo capital financeiro. A "novela" caminha para o fim e o presidente da Câmara dos Deputados foi o ungido pelo imperialismo para concluir a transição do golpe parlamentar até a eleição de um duro governo bonapartista, sufragado pela fraude das urnas em 2018. A pá de cal colocada pelo "companheiro" Zveiter, nome de confiança do PMDB carioca e articulado com o próprio Rodrigo Maia, encerra o impasse aberto com as denúncias promovidas pela famiglia Marinho contra o bandido Temer, flagrado em operação meticulosamente preparada pela Globo. O PT que apoiou Maia para a eleição da Mesa da Câmara dos Deputados, é parte integrante desta "solução final", embora vá seguir com a demagogia das "Diretas Já" tentando engabelar ativistas tolos e ingênuos úteis da política profissional. Todo o arco político burguês e reformista espera com ansiedade pelas eleições de 2018, os acenos de FHC e Lula em defesa de eleições neste ano de 2017 não se sustentam na própria movimentação parlamentar de seus partidos no Congresso, o PSOL vai a reboque oportunista da Frente Popular contando com o apoio de seus satélites como o grupo MAIS. Na semana em que o governo Temer foi golpeado por seus aliados na Câmara dos Deputados, abrindo caminho para a aprovação da denúncia da PGR contra ele, o Palácio do Planalto e esses mesmos “aliados” aprovarão a famigerada Reforma Trabalhista no Senado, provavelmente nesta terça-feira, dia 11. Como isso é possível? Há um acordo entre todas as frações da classe dominante em aprovar pelo menos a reforma trabalhista antes do afastamento de Temer pelo Congresso, com a posterior ascensão de Rodrigo Maia (DEM) por 180 dias a Presidência da República. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara, homem ligado à Rede Globo, Sergio Sveiter, apresentou parecer favorável à autorização do processo contra Temer. Esse é o “script” que a burguesia e seus partidos tem para essa semana, tanto que FHC, Alckmin, Tasso e Cassio Cunha Lima já bateram o martelo: o PSDB fica com o cadáver insepulto até a aprovação do fim da CLT para depois apoiar o nome de Maia, que tentaria avançar na reformas previdenciária...Nesse quadro o PCdoB que apoiou o filhote do DEM para a presidência da Câmara, já chancela seu nome como declarou o governador Flávio Dino, cinicamente suplicando “O melhor caminho para o Brasil são eleições diretas para reconectar o sistema institucional com a soberania popular, como quer a Constituição. Mas caso tenhamos um novo governo indireto, como tudo indica, espero que a agenda seja outra: estabilidade e não ‘reformas’ equivocadas”. O PT por sua vez finge-se de morto para que seja aprovado logo o grosso do ajuste neoliberal...o que facilita ainda mais o caminho de Maia, apenas alguns parlamentares fazendo demagogia para a plateia como parte da campanha de Lula 2018. A Rede Globo liberou “seus” artistas para fazerem um movimento pela investigação e afastamento de Temer. Pressionam para que 342 parlamentares digam “sim” na votação da primeira denúncia que pode ocorrer no final da semana que vem, toda essa transição ocorrendo por dentro das apodrecidas instituições do regime burguês. Como se observa trata-se de um espetáculo onde a classe operária não foi convidada a se apresentar. Tanto que a CUT e a Frente Brasil Popular estão convocando apenas pequenos atos para pressionar os parlamentares como descreve o domesticado PSTU “Precisamos reunir forças para realizar grandes protestos nos dias 11 e 12 de julho. Na terça-feira (11) haverá o envio de representações sindicais e do movimento popular para Brasília (DF). Essa é uma atividade importante e necessária. Ocorrerá ato na chegada dos parlamentares no aeroporto e também no Senado. Precisamos de um forte dia de luta na capital federal”. Por sua vez o MTST e o PSOL através da Frente Povo Sem Medo convocaram uma manifestação para hoje na capital paulista...e nada mais!!! A CUT é ainda mais cínica já fazendo campanha eleitoral: “Um governo que não foi eleito e está envolvido em inúmeros escândalos de corrupção quer retirar nossos direitos que foram duramente conquistados. Centrais e sindicatos preparam manifestações, em Brasília, para o dia da votação. Na segunda-feira, haverá concentração no Aeroporto Juscelino Kubitschek para pressionar parlamentares a votar contra o projeto. Os trabalhadores e trabalhadoras não se esquecerão dessa traição. Os sindicatos e movimentos sociais, em todos os estados, estamparão nas ruas e nas redes sociais a cara desses assassinos de direitos para que sejam riscados do cenário político nacional”. Trata-se de uma piada de mal gosto. De nossa parte caracterizamos que com o fiasco do dia 30.06 a classe dominante está mais fortalecida para encontrar uma saída por cima, via um pacto das elites, com o aval da Frente Popular. O revés do “dia nacional sem-luta” deu mais fôlego para a burguesia aprofundar sua ofensiva contra os trabalhadores e organizar seu plano estratégico de manter Temer agonizando até costurar um acordo entre suas alas para através das eleições legitimar a ascensão ao Planalto de um “Salvador da Pátria” usando Maia como uma “nova pinguela” para essa travessia reacionária como defende FHC. A LBI em luta contra essa saída burguesa defende a convocação de um Congresso Nacional dos trabalhadores para forjar um embrião de poder proletário por fora da institucionalidade burguesa e de seu circo eleitoral! Para os Marxistas Leninistas a tarefa colocada como centro de agitação de massas é a denúncia do regime da democracia dos ricos e suas “alternativas” institucionais como “Constituinte ou Diretas”. O proletariado deve erguer sua própria plataforma programática diante da crise capitalista: “Socialismo ou Barbárie”.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

HÁ 03 ANOS A SELEÇÃO BRASILEIRA PERDIA POR 7 A 1 NA COPA DO MUNDO: UMA DERROTA HUMILHANTE QUE PAVIMENTOU A OFENSIVA REACIONÁRIA DA DIREITA CONTRA O GOVERNO DO PT FORA DOS CAMPOS DE FUTEBOL


Reproduzimos o artigo do BLOG da LBI elaborado no dia da derrota histórica da Seleção Brasileira para o time da Alemanha por 7 a 1, há exatos 3 anos. Nesse texto pontuamos as importantes consequências na arena política do resultado desastroso dentro de campo. Esse se constituiu em um verdadeiro “start” para a ofensiva da direita reacionária contra o governo Dilma, na época um elemento decisivo para disciplinar ainda mais a Frente Popular na direção do capital financieiro no novo mandato que seria conquistado poucos meses depois com a reeleição da gerentona petista. A Frente Popular acabou garantindo seu quarto mandado consecutivo por uma pequena margem de votos contra a direita (PSDB) mas logo a crise política detonada com o vexame da Copa do Mundo se acumulou com a frustração popular pela adoção de um agressivo programa neoliberal em 2015 comandado pelo capacho dos rentistas Joaquim Levy escolhido para o Ministério da Fazendo por Dilma, minando ainda mais a base eleitoral e política da Frente Popular, gerando uma conjuntura que selou sua queda dois anos depois do mundial de futebol. Naquele momento alertamos que para os interesses da Casa Branca no país era totalmente descartado que a FIFA entregasse o “Caneco” à seleção brasileira pela necessidade de colocar o novo governo Dilma acuado “nas cordas” preparando a transição para um governo da direita ortodoxa “pró-ianque” em 2018. Foi o que se viu nos anos subsequentes, cujo ápice foi o próprio afastamento da Frente Popular do Planalto em 2016, em um golpe parlamentar orquestrado pela Rede Globo e o imperialismo ianque diante da incapacidade do governo Dilma aplicar integralmente o ajuste neoliberal exigido pela banca financeira. Vale destacar que a “farra” bilionária da Copa serviu para o PT irrigar o cofre das grandes empreiteiras com o dinheiro do Tesouro Nacional, o que garantiu o apoio decisivo desse setor da classe dominante para chancelar um quarto mandato seguido da Frente Popular, além de revelar o caráter repressor do governo petista com a aprovação da Lei Antiterorrista para perseguir as organizações de esquerda, com o aparato repressivo atacando duramente as manifestações contra a Copa. Registre-se que a “Operação Lava Jato” teve início na véspera do mundial de futebol (março de 2014), montada para preparar a transição política reacionária que hoje está em curso no Brasil para desmoralizar o conjunto do tecido político burguês do país, como se vê com a atual sangria do canalha golpista Temer, escolhido na época como vice da chapa presidencial de Dilma. Naquele momento, em meio a Copa do Mundo, a LBI pontuou que o Juiz Moro tinha sido escolhido pelo Departamento de Estado ianque para operar essa mudança rumo a um governo da direita ortodoxa “pró-ianque” em 2018. Sem sombra de dúvidas, o desastre dentro de campo provocado pela derrota histórica de 7 a 1 para a Alemanha há três anos atrás catapultou a sanha do NeoBonapatista do “Salvador da Pátria” Moro que vemos em nossos dias...

7 A 1: DILMA EM “ALERTA VERMELHO” AO MESMO TEMPO EM QUE AS HIENAS DA DIREITA SALIVAM PARA “FATURAR” POLITICAMENTE EM CIMA DA HUMILHANTE DERROTA
(BLOG DA LBI, 8 DE JULHO DE 2014)

A acachapante vitória da seleção alemã sobre um atônito Brasil nesta tarde de 8 de julho com certeza entrará para a história do futebol mundial, mas também terá desdobramentos na arena política nacional por mais que os principais protagonistas da “Copa da eleição” tentem negar. Mal terminava o primeiro tempo da partida, com a vitória já previamente selada da Alemanha, a principal questão que se debatia nas chamadas “redes sociais” da internet não era futebolística e sim política. Qual seria o impacto da humilhante derrota brasileira sofrida no gramado nas próximas eleições presidenciais, ou mesmo se as “Jornadas de Junho” retomariam com toda a força após o término da Copa sem a “Taça”. Para responder corretamente estas questões, em primeiro lugar teríamos que separar os verdadeiros fatores táticos da derrota em campo da seleção, para depois tentar estabelecer uma “ponte” entre o desastroso resultado esportivo e a conjuntura que se abre no país com o “apito” inicial da corrida eleitoral. A elástica goleada sofrida hoje não foi produto de uma “fatalidade” ou mesmo dos desfalques de Neymar e Thiago Silva, sem dúvida dois nomes importantes no elenco “canarinho”, o vexame de hoje é a consequência de todo um planejamento “criminoso” da comissão técnica da CBF, privilegiando a convocação de jogadores medíocres “bancados” por corporações capitalistas (em sua maioria estrangeiras) e de uma formação tática completamente equivocada em campo. O caso emblemático do nosso ineficaz centroavante Fred, patrocinado pela UNIMED, revela o horizonte tacanho que visualizava Felipão e sua “turma”. Aliás, nosso treinador muito mais se preocupou em fechar contratos de publicidade do que preparar tecnicamente a seleção brasileira. De fato, antes da Copa, Felipão só “contabilizou” menos do que o jogador Neymar, realizou comerciais para as empresas Gillette, Sadia, Vivo, Ambev, Peugeot e Walmart. Em março deste ano, três meses antes da Copa, ele apareceu em 318 inserções de comerciais na mídia televisiva. A tentativa de tentar transferir totalmente o ônus da derrota da seleção para a conta política do governo Dilma é oportunista, apesar da presidente ter sua parcela de responsabilidade ao prestigiar a máfia dirigente da CBF, inclusive com a destinação de “generosas” fatias do orçamento “público” estatal para uma entidade privada. Sejamos sinceros se a fragorosa derrota da seleção não servirá para criar uma onda de ufanismo patrioteiro no país, como em 70, também não poderá ser utilizada pela direita tucanalha pelo simples fato de que o grande “desastre” da Copa (tão esperado pelo PIG) só ocorreu dentro das quatro linhas do gramado.