terça-feira, 4 de abril de 2017

35 ANOS DA GUERRA DAS MALVINAS: UM MARCO DIVISÓRIO ENTRE REVISIONISTAS QUE SE ALINHARAM COM A INGLATERRA "DEMOCRÁTICA" E TROTSKISTAS QUE PERFILARAM MILITARMENTE COM A DITADURA ARGENTINA CONTRA O IMPERIALISMO


Há 35 anos, mais precisamente no dia 02 de abril de 1982, sob a intensa pressão do movimento operário e popular, com a ditadura genocida em colapso, a Junta Militar argentina do general Galtieri determinou a invasão das ilhas Malvinas com o objetivo de desviar o foco das manifestações contra o regime de exceção e recuperar o apoio popular, explorando o justo ódio antiimperialista das massas exploradas. Na verdade, a Junta Militar não tinha nenhuma intenção de entrar em conflito armado com o imperialismo. Os generais argentinos alimentavam ilusões de que não haveria uma resposta militar enérgica do império britânico, devido a um suposto desinteresse deste em manter seu domínio sobre as ilhas. Ademais, esperavam contar com o apoio do imperialismo norte-americano, através do "cawboy" Ronald Reagan, considerado como um aliado incondicional da ditadura fascistizante, para intermediar um acordo diplomático. A resposta da primeira ministra Thatcher foi uma imediata declaração de guerra com o envio da frota real britânica para iniciar o contra-ataque, que contou com aliados de primeira hora como os EUA e o Chile de Augusto Pinochet, que cedeu o território chileno para base de operações e de abastecimento das forças armadas do Reino Unido.A reação do governo “conservador” de Margaret Thatcher, em parte, foi uma conseqüência da situação política interna marcada pela queda de popularidade provocada pela recessão econômica, o crescimento do desemprego e as medidas de ajuste, conhecidas como “políticas neoliberais”, que incluíam as privatizações e o corte dos direitos sociais, enfrentando a reação dos trabalhadores, como a histórica greve dos mineiros. Nessas circunstâncias, um revés na arena militar enfraqueceria ainda mais o governo neoliberal e aprofundaria a crise social. Além disso, o império britânico não podia admitir que a falta de uma resposta à ocupação das Malvinas fosse vista pelos povos de todo o mundo como um símbolo de debilidade de seu poder bélico. Por outro lado, para os Estados Unidos, ainda que a ditadura argentina fosse um importante parceiro dos ianques na América Latina, a Inglaterra era um aliado mais importante na sua cruzada reacionária anticomunista em nível mundial, sobretudo contra a URSS e os estados operários do Leste Europeu. Dessa forma todas as expectativas que nortearam a "aventura" militar da Junta Militar argentina foram frustradas, não lhes restando outra saída no âmbito de sua estratégia a não ser a completa e vergonhosa rendição, após o cerco aéreo e naval imposto as tropas argentinas, praticamente abandonadas com fome e frio nas Malvinas. Logo após o covarde fiasco dos militares genocidas as massas colocariam abaixo a ditadura iniciando o longo ciclo da democracia burguesa na Argentina, que se arrasta aos dias atuais com o governo neoliberal de Macri.


Objetivamente, o conflito entre a Argentina e a Inglaterra despertou um sentimento antiimperialista não só entre as massas argentinas, mas entre os povos oprimidos de todo o mundo. Contra a ofensiva militar do imperialismo britânico, ocorrem massivas manifestações em vários países latino-americanos. No Peru, por exemplo, cerca de 150.000 manifestantes marcharam sobre a capital, Lima. Nos Estados Unidos, milhares de imigrantes latinos realizaram manifestações nas ruas de Los Angeles e São Francisco. Na Argentina a postura antiimperialista da maioria da população ficou marcada num conjunto de iniciativas protagonizadas pelas massas, como a suspensão dos serviços de comunicação com o Reino Unido pelos trabalhadores telefônicos, a organização de campanhas de coletas de dinheiro, alimentos e roupas para as tropas e a apresentação de mais de 100 mil voluntários para combater.Por outro lado os vizinhos regimes militares "muy amigos", se bandearam para o campo militar da Inglaterra temendo o pequeno apoio que a Argentina recebera da URSS.


No campo da esquerda revisionista que reivindicava o Trotskismo, a corrente de maior peso no movimento operário e de massas, o PST (organização morenista que antecedeu o MAS, anos depois partido fundador da LIT) defendeu a derrota militar do Reino Unido como eixo central para o desenvolver uma mobilização de massas que, ao mesmo tempo, prepararia a luta contra a ditadura. Essa posição estava expressa na consigna “No a la paz sin soberania”. Os Morenistas do PST afirmavam estar “no mesmo campo militar do governo argentino, enquanto este continue a guerra contra o imperialismo”. Hoje, a LIT que foi fundada então pelo MAS argentino passou de paladina da posição histórica correta de unidade de ação militar com o carniceiro Galtieri em defesa das Malvinas contra a agressão anglo-imperialista a Argentina no começo dos anos 80, a apologistas de uma “revolução democrática” pró-imperialista no Oriente Médio e América Latina, onde a Casa Branca e a OTAN são os atores principais do suposto combate as “ditaduras sanguinárias” anteriormente na Líbia destruída e agora na Síria e Venezuela. Passados trinta e cinco anos, a LIT que à época foi duramente criticada por outras correntes revisionistas européias por uma suposta capitulação a um regime militar assassino de mais de trinta mil militantes de esquerda, se converteu hoje em partidária da “frente única circunstancial” com a OTAN, em nome da defesa das “liberdades democráticas”. Estes revisionistas jogaram no lixo o abc do Leninismo e do trotskismo, além de esquecerem as próprias lições deixadas por Moreno, quando afirmava que “preferia estar no campo militar dos generais facínoras do que em nome da democracia apoiar a ocupação da Argentina pela frota imperial da Inglaterra”. É sintomático que a própria LIT, anteriormente na mesma trincheira da “ditadura sanguinária” de Galtieri contra o imperialismo britânico, agora se utilize do pretexto de que Maduro ou Al-Assad seriam ditadores para se postar no campo político e militar do imperialismo “democrático” e sua falsa “rebelião”. Com a benção da OTAN a “revolução” aplaudida pela LIT na Líbia substituiu um regime nacionalista que colocava alguns entraves na presença dos EUA na região por uma "associação" de mafiosos ex-kadafistas que estão loteando o país entre as principais potências imperialistas. A OTAN e seus “amigos da Síria” pretendem fazer a mesma devastação em Damasco patrocinando os ataques da oposição de direita ao governo de Al-Assad. Esses canalhas da direção da LIT, e do racha MAIS(grupo dirigido pelo prof.Valério) que hoje envergonhariam o próprio Moreno se vivo estivesse, são os mesmos que depois de saudarem a contrarrevolução que liquidou a URSS nos anos 90 como um “acontecimento revolucionário” se renderam à reação democrática mundial e não passam de papagaios da mídia "murdochiana" internacional.Vale lembrar que não faltaram as vozes da esquerda do “velho mundo” para apoiar a permanência das Malvinas sob o tacão real, supostamente “sensibilizados” pelos reclamos dos Kelpers. Neste arco encontram-se correntes revisionistas como a de Alan Woods e Peter Taaff, Esquerda Marxista e LSR do PSOL respectivamente. Estes agrupamentos internacionais com “matriz” em Londres, no conflito de 1982 apoiaram vergonhosamente a Inglaterra “democrática” de Thatcher contra a Argentina “autoritária” dos generais gorilas, repetindo a mesma posição pró-imperialista nos dias de hoje, como na Síria . A política do derrotismo na guerra das Malvinas equivaleu objetivamente, a se emblocar com o imperialismo britânico contra a Argentina, um país cujo caráter semicolonial vinha se aprofundando cada vez mais desde a implantação da ditadura semifascista que, agindo sob a proteção do imperialismo e em nome dos interesses do capital financeiro internacional, destruía aceleradamente indústria nacional e transformava o país numa velha colônia agrário-exportadora.Tanto há 35 anos atrás na Argentina como hoje na Síria e Venezuela a posição dos verdadeiros Marxistas Revolucionários é a defesa incondicional da nação oprimida contra a agressão imperialista, inclusive em frente única militar com as forças do regime autoritário, tendo claro a incapacidade de qualquer burguesia nacional em conduzir consequentemente um confronto militar com o imperialismo até a plena vitória. Esta tática deve estar baseada no princípio da mais completa independência política dos explorados e subordinada à estratégia revolucionária da tomada do poder pelo proletariado. Nesse sentido, a defesa de uma frente militar com o governo Galtiere, com absoluta independência política, passava pela criação de organismos próprios de poder proletário e a formação de milícias armadas de voluntários, não submetidas à disciplina e à hierarquia das reacionárias forças armadas do regime, responsáveis pelo assassinato de 30.000 lutadores. O mesmo programa Trotskista se impõe na Síria e Venezuela hoje para derrotar a ameaça colonialista do imperialismo ianque.