segunda-feira, 7 de novembro de 2016

REELEIÇÃO DE DANIEL ORTEGA: FSLN MANTÉM-SE NO COMANDO DE UM DÓCIL GOVERNO DA CENTRO-ESQUERDA BURGUESA NA NICARÁGUA

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, foi reeleito neste domingo (06.11) com 71,3% dos votos. O ex-guerrilheiro dos “Contra”, Maximino Rodríguez, da opositora aliança Partido Liberal Constitucionalista (PLC), ficou em segundo lugar, com 16,4% dos votos, em uma representação eleitoral distorcida do conflito armado que o país viveu há décadas atrás. Antes da leitura destes primeiros resultados, milhares de militantes da FSLN saíram às ruas e praças de Manágua para comemorar antecipadamente sua vitória. Cerca de 4,34 milhões de nicaraguenses foram convocados neste domingo para escolher um presidente, um vice-presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e 20 representantes do Parlamento Centro-Americano. Atualmente convertida a um partido da centro-esquerda burguesa e paladina do já falido “Socialismo do Século XXI”, a FSLN voltou a governar o país de forma completamente adaptada a democracia burguesia e sem grandes conflitos com o imperialismo ianque, chegando, no máximo, a ajudar o chavismo a impulsionar organismos políticos “independentes” da OEA, como a Unasul e a Celac. A reeleição de Daniel Ortega a presidência do país em nossos dias não representa qualquer ameaça ao domínio da Casa Branca no continente centro-americano, ao contrário, faz parte da própria política levada a cabo por Obama até agora da “reação democrática”, apoiada pelo Papa Francisco e muitas vezes celebrada como “progressista” pela esquerda reformista. A reeleição de Ortega ocorre 37 anos após o triunfo da revolução sandinista e de sua posterior derrota pela via “democrática” para a reação burguesa podemos afirma que ao contrário das organizações centristas pequeno-burguesas como a FSLN, um verdadeiro partido revolucionário baseia-se fundamentalmente na vanguarda consciente da classe mais progressista do capitalismo, a classe operária, nos seus organismos de poder (milícias proletárias, conselhos populares, sovietes), suas formas de organização de luta (greves, ocupações, expropriações) e seus métodos (violência revolucionária e ditadura proletária), o que o torna porta-voz de uma classe com determinação a impor uma nova forma de organização da economia (planificação econômica, coletivização dos meios de produção, controle da produção interna pelos sovietes e controle do comércio exterior pelo Estado operário) e da política, fusão das funções dos poderes do Estado burguês (Legislativo, Executivo e Judiciário) em um único organismo de poder, o soviete, baseado na mais ampla democracia operária. A ausência desse programa revolucionário foi a grande lição nos legada pelo fracasso do Sandinismo, que hoje governa a Nicarágua como um dócil governo da centro-esquerda, convertido a gerente dos negócios da burguesia em comum acordo com o imperialismo, no máximo aplicando ao lado dos ajustes neoliberais algumas “políticas compensatórias” que mantém intactas as estruturas do poder capitalista de um país que foi palco de uma heroica luta revolucionária dos trabalhadores do campo e da cidade, com milhares pagando com sangue não só para derrotar a ditadura somozista mas para erguer o Socialismo na pátria de Sandino!