sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


Anúncio do PIB 2013: Nem a catástrofe e tampouco um pico de crescimento econômico, apenas o “morno” que precede ao esgotamento do “modelo”

O IBGE acaba de anunciar a variação anual do PIB para 2013, o resultado positivo de 2,3% foi comemorado com muito entusiasmo pelo governo da Frente Popular que esperava um resultado aquém do anunciado oficialmente. Em primeiro lugar e para o bem da verdade é necessário que se diga que este governo vem “forçando a barra” no quesito manipulação de pesquisas e dados econômicos, foi assim com o resultado da Balança Comercial de 2013 e o lucro apresentado pela PETROBRAS. Em relação ao PIB tudo indica que a direção do IBGE utilizou a mesma “metodologia” para dar um “empurrãozinho” artificial no crescimento econômico do país em 2013. Mais além das distorções encomendadas, um desempenho econômico de cerca de 2,5% está bem distante da “explosão” de crescimento anunciada pelo PT como fator de compensação ao estancamento ocorrido em 2012, uma evolução positiva de apenas 1%. Se observamos com um pouco mais de critério os dados apresentados pelo IBGE, encontraremos um crescimento do PIB lastreado fundamentalmente nas exportações de commodities agrominerais, de baixo valor agregado, enquanto o setor industrial amarga um sucateamento crônico, com pífios índices de variação positiva. A participação da industria no “bolo geral” do PIB em 2013 foi a menor dos últimos onze anos, o que revela o franco retrocesso das forças produtivas nacionais e o prenúncio do esgotamento do atual “modelo” econômico baseado na “bolha” de crédito e consumo. Por sinal o próprio índice do “surpreendente” crescimento PIB no ano passado só foi obtido graças as taxas de investimento internacional no país, com um crescimento de 6,3%, configurando o melhor desempenho desde 2010. Como “refém” do ciclo financeiro mundial, a economia brasileira caminha rumo a uma crise a médio prazo, no compasso de recuperação econômica norte-americana, que drenaria os fundos de investimentos mundiais novamente para o solo dos grandes centros financeiros. Na ausência da criação de verdadeiros projetos de desenvolvimento capitalista, baseados em um parque industrial nacional, as “gerências” do PT apenas preparam o terreno para a volta dos neoliberais mais “agressivos”, sedentos para recolocar o estado brasileiro na trilha do último vagão do imperialismo ianque.

O chamado “mercado”, um covil dos parasitas financeiros, não “comprou” o blefe do “pibão”, mesmo este tendo ficado em 2013 proporcionalmente acima dos EUA, Inglaterra, África do Sul e México, mas bem abaixo de crescimentos mais “consistentes” como o do Peru que alcançou a marca de 5%. Acontece que a alavanca do PIB brasileiro ainda é justamente o agronegócio, responsável por uma variação de 7% no ano passado, este setor enfrenta hoje um “colapso” já que está quase totalmente voltado para o mercado externo que vem retraindo drasticamente sua demanda comercial. O Brasil em 2014 já apresenta um déficit histórico em sua conta de transações correntes (que inclui saldo entre importações e exportações e outras operações de entrada e saída de capitais), cerca de 12 bilhões de Dólares, o maior “rombo” desde 1947 quando este dado econômico começou a ser aferido. Por isso mesmo as hienas rentistas do “mercado” insistem em projetar um crescimento em 2014 de apenas 1,5% para o PIB brasileiro.

Os “investidores” internacionais chantageiam o governo Dilma no sentido da “liberalização” da economia, afirmam que o PT tem uma tradição “centralizadora” no controle das tarifas públicas e na taxa de juros, que segundo estes “senhores do capital” estão muito defasadas. Como os “salvadores” do PIB em 2013, esta corja exige agora maior arrocho fiscal por parte do governo e a realização imediata de uma reforma tributária e previdenciária para retirar conquistas sociais do proletariado brasileiro. Como a equipe econômica palaciana sabe muito bem que o resultado do PIB em 2013 tem “pés de barro”, vem cedendo sistematicamente aos rentistas, elevando a taxa SELIC (10,75 ao ano) e sinalizando um reajuste geral das tarifas estatais em 2015, obviamente logo após a realização das eleições presidenciais.

Mas enquanto o “colchão” das reservas cambiais ainda tem muita “gordura” acumulada para queimar, o governo Dilma pode comemorar o resultado do PIB como um verdadeiro presente para “brincar o carnaval”. Com uma reeleição praticamente assegurada em 2014, ainda que haja um segundo turno como uma salvaguarda para a burguesia, Dilma só pensa na “pesada” quarta-feira de cinzas que ocorrerá em 2015. Neste futuro breve cenário os níveis de “fadiga” de nossa economia não poderão ser mais maquiados com a manipulação conjuntural de índices, simplesmente porque refletirão o esgotamento estrutural de um “modelo” que submeteu o país nestes últimos vinte anos  ao atraso cientifico e tecnológico, além do completo sucateamento do parque industrial nacional. Quando a falsa euforia do consumo passar (a bolha internacional de crédito está prestes a estourar, como ocorreu em 2008) virá um novo ciclo de retração econômica capitalista mundial, castigando o “fazendão Brasil” com desemprego e mais confisco salarial.