segunda-feira, 18 de novembro de 2013


Direita pinochetista arranca segundo turno e vai para ofensiva contra Bachelet e sua ampla coalizão de centro-esquerda burguesa

Em um resultado inesperado, Evelyn Mathei, da direitista União Democrática Independente (UDI), conquistou 25,01% dos votos e levou as eleições presidenciais do Chile para o segundo turno. A candidata na coalizão “Nova Maioria” (antiga Concertação) e ex-presidente Michele Bachelet, até então prevista para ser vitoriosa já no dia 17, recebeu 46,67% dos votos. Dia 15 de dezembro será a data da nova disputa. Desapontada, Bachelet desabafou: “Sabíamos que o desafio de ganhar no primeiro turno era complicado, fizemos todo o esforço e estivemos muito perto de conseguir”. Já Evelyn Mathei foi para a ofensiva: “O eleitorado está com medo de que a esquerda impulsione seu projeto de desestabilização do país”. O fato é que a votação da UDI foi além de todas as previsões apontadas nas pesquisas eleitorais, indicando que, de fato, houve um reforço no final da campanha para o voto conservador, justamente porque a “Nova Maioria” composta pelo PS, DC e PC em pouco se diferencia do atual governo de Sebastián Piñera, se reduzindo a lembrar demagogicamente a figura de Allende, justamente no ano em que se completou os 40 anos do golpe contrarrevolucionário. O terceiro candidato com maior votação foi Marco Enríquez-Ominami Gumucio, um ex-socialista agora comandando o Partido Progressista (PRO), com 10,9% dos votos, seguido pelo "independente" Franco Parisi, com 10%. As eleições também escolheram senadores, deputados e conselheiros regionais.

O PC, que ingressou pela primeira vez na antiga Concertação (hoje Nova Maioria) foi “premiado” pela sua vergonhosa integração a esta coalizão burguesa com a eleição de Camila Vallejo, ex-presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile e outros dirigentes estudantis para o posto de parlamentares nacionais. Mas a “conquista” do PC teve um gosto amargo, já que representa que o partido stalinista será fiador de um futuro novo governo burguês de Bachelet, cuja gestão passada atacou conquistas sociais e não se atreveu em questionar o domínio privado do setor de educação do país. Este quadro se aprofunda ainda mais com a disputa indo agora para o segundo turno, com a frente PS, DC e PC adotando uma postura ainda mais à direita para tentar conquistar o voto de uma parcela mais conservadora do eleitorado e para não “assustar” a direita com o fantasma do “comunismo” como vem fazendo insistentemente Evelyn Mathei. Na primeira eleição presidencial sendo de voto facultativo desde o fim da ditadura militar houve uma abstenção recorde, o que demonstra o amplo descontentamento popular e a frustração dos chilenos com a democracia burguesa, além de um rechaço aos partidos do regime, tanto da direita pinochetista como da centro-esquerda burguesa. Cerca de 13 milhões de chilenos estavam convocados para participar nestas eleições que se realizaram com um novo sistema de voto voluntário. Entretanto, os dados da participação apontam para uma abstenção à volta dos 50%, em uma clara manifestação de que tudo continuará o mesmo, “ganhe quem ganhe”!

A candidata da direita pinochetista, Evelyn Matthei, declarou que “as portas de sua candidatura estão abertas a todos os que quiserem se unir” em um claro sinal que deseja o apoio de outros sete candidatos derrotados para conseguir encostar em Bachelet. A tendência é que Bachelet e sua Nova Maioria ganhem as eleições, mas o crescimento da candidatura da direita pinochetista demonstra que o fascismo está mais do que vivo no Chile e que não será o PS e o PC que o derrotarão nas ruas. Lembremos que aparentemente o governo direitista de Sebastián Piñera estava completamente desgastado e sem chances de “emplacar” um sucessor com o mesmo perfil ideológico e que Evelyn Matthei foi escolhida candidata governista após a desistência consecutiva de dois nomes do fascista “Partido Renovação Nacional” e da “UDI”.

O fracasso político da “experiência reformista” do Partido Socialista custou a vida de milhares de combatentes, desarmados bélica e programaticamente diante da ofensiva mortal dos militares gorilas orientados pelo imperialismo ianque. Como consequência dos governos do PDC e PS e a colaboração de classes do stalinismo, os trabalhadores foram atomizados e dispersos em suas lutas que não ultrapassam os limites sindicais de resistência à precarização e à superexploração. Nestas eleições a candidata da “Nova Maioria”, reproduz de forma ainda mais neoliberal o programa dos quase vinte anos de governo da “Concertação Democrática”, prometendo um alinhamento econômico preferencial com o bloco comercial liderado pelos EUA. Não será apoiando Bachelet dentro da institucionalidade burguesa, como pregam os stalinistas do PC, que a classe operária irá derrotar o atual regime neopinochetista de opressão às massas e sua candidata herdeira dos gorilas de farda. Assim como no passado, a política frentepopulista é a responsável pelas maiores derrotas impostas à classe operária em nome da institucionalidade e da ordem burguesa. Está colocada para a vanguarda classista a superação deste quadro de conciliação de classes, não só para derrotar a direita fascista, mas também para denunciar os partidos da antiga “Concertación” e seus satélites apenas patrocinam ilusões no regime cívico-militar atual. Por esta razão, está na ordem do dia o boicote ativo à farsa eleitoral da democracia dos ricos apontando a luta dos trabalhadores para o norte da revolução socialista, retomando o caminho de 40 anos atrás interrompido pelo chacal Pinochet e a política impotente de colaboração de classes da UP.