sábado, 23 de setembro de 2017

23 DE SETEMBRO DE 1973: MORRE PABLO NERUDA, O POETA DO STALINISMO CHILENO QUE GARANTIU EXÍLIO A SIQUEIROS APÓS SUA TENTATIVA FRUSTRADA DE ASSASSINAR TROTSKY NO MÉXICO


Muitos militantes e ativistas de esquerda admiram a obra poética de Pablo Neruda. Seria “lugar comum” elogiá-la (ainda que criticamente) por suas denúncias das injustiças sociais e a beleza cortante de seus escritos. Como Trotskystas Revolucionários, amantes da arte e da literatura como nos ensinou o fundador da IV Internacional no livro “Literatura e Revolução”, desejamos aqui brevemente abordar no dia da morte de Neruda (23.09.1973) a trajetória política do poeta chileno que foi militante do Partido Comunista, senador pelo Chile e chegou a ser indicado como pré-candidato a Presidente da República pelo PC, se caracterizando como um ardoroso stalinista em toda sua vida política e artística, tanto que fez um poema de ode a Stálin lamentando a morte do dirigente-maior da burocracia soviética em 1953, texto que reproduzimos abaixo. Esse lado da “obra” de Neruda em geral é “esquecido” ou “negligenciado” pela esquerda reformista, que apenas enaltece sua trajetória artística e seu dedicado apoio a Unidade Popular de Allende (PS). Em 1945, Neruda entrou para o Partido Comunista e foi eleito senador no Chile. Em 1948, perdeu seu mandato e passou à clandestinidade, devido às críticas que fazia ao presidente Gabriel González Videla. O escritor e poeta viajou por vários países, na maioria das vezes como exilado político. Em 1950, publicou Canto Geral, no México. É uma de suas obras mais importantes sobre os povos da América e suas lutas. Em 1953 recebeu o Prêmio Lênin da Paz da URSS stalinizida. No ano de 1971, Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura no lastro de sua figura que simbolizava a defesa da “Paz Mundial”, ou melhor, de coexistência pacífica com o imperialismo. Em 1970, sua imagem e participação política eram de tal importância, que foi indicado pelo Partido Comunista para a Presidência da República. Entretanto, renunciou, capitulando à candidatura frente-populista de Salvador Allende, que ganhou as eleições. Pablo apoiou o governo de Allende até o fim, mesmo quando esse se recusou a conclamar os trabalhadores a resistirem ao golpe militar promovido pelo chacal Pinochet. Em 1973, com o assassinato de Salvador Allende, Pinochet assumiu o poder instalando uma ditadura militar. Doze dias depois, morreu o poeta e político Pablo Neruda, sendo possivelmente envenenado pelos agentes da ditadura chilena, usando um método análogo ao que a GPU utilizou na França para assassinar o filho e dirigente da IV Internacional, Leon Sedov. Seu cortejo fúnebre foi o primeiro grande ato contra a ditadura Pinochet. No meio da multidão, as palavras de ordem políticas se somaram às lágrimas da perda. Embora tenha entrado no Partido Comunista Chileno apenas em 15 de julho 1945, a aproximação de Neruda ao PC iniciou-se durante a Guerra Civil Espanhola, a partir de seu posicionamento inicial, antifascista e republicano. Nessa época, Neruda era Cônsul na Espanha. Ele perdeu o cargo de Cônsul, devido a sua aberta participação política na Guerra Civil Espanhola. Nas palavras do próprio Neruda: “Embora eu tenha me tornado militante muito mais tarde no Chile, quando ingressei oficialmente no partido, creio ter-me definido como um comunista diante de mim mesmo durante a guerra da Espanha. Muitas coisas contribuíram para a minha profunda convicção”. A motivação inicial, ainda na Espanha, um misto de revolta pelo assassinato covarde do poeta Federico Garcia Lorca e de solidariedade com a luta do povo espanhol levaram a apoiar a política criminosa do PC na Espanha, de perseguição e eliminação física dos trotskistas, anarquistas e do POUM. Neruda, nem na época da Guerra Civil Espanhola, nem nunca em sua vida, avaliou as táticas equivocadas do PC stalinista e da Internacional Comunista como contribuições da derrota do proletariado local e mundial. Aderiu acriticamente ao stalinismo desde o primeiro momento e nunca aceitou de fato que houvesse uma degeneração do Estado Operário Soviético. Em suas memórias cita Stálin “Eu já tinha tido a minha dose de culto à personalidade no caso de Stalin. Mas naquele tempo Stalin nos aparecia como o vencedor avassalador dos exércitos de Hitler, como o salvador do humanismo mundial. A degeneração de sua personalidade foi um processo misterioso, até agora enigmático para muitos de nós”. A sua idolatria com Stalin como o herói que teria derrotado Hitler, oculta todos os expurgos do PC soviético e a eliminação física dos adversários, como nos processos de Moscou e nos assassinatos dos membros da Oposição de Esquerda do partido, na URSS e ao redor do mundo. Desses crimes, o assassinato de Trotsky no México foi um golpe tremendo no proletariado internacional e sua organização, principalmente na recém fundada IV Internacional. Embora não tenha participado nem do atentado comandado pelo pintor David Alfaro Siqueiros em maio de 1940 ou do assassinato em 20 de agosto do mesmo ano por Ramón Mercader, Neruda nunca condenou essas ações. Ao contrário usou sua condição de cônsul para conseguir asilo político em 1941 a Siqueiros no Chile, em um acordo com o governo mexicano e chegou a defender o assassinato publicamente como uma necessidade histórica. Em resumo, as qualidades poéticas de Neruda não encobrem sua trajetória política de agente “iluminado” do stalinismo, ainda que no final da vida ele tenha tenuemente esboçado uma crítica a apologia que ele mesmo fez do dirigente soviético sem, no entanto, se autocriticar de ter apoiado por toda vida a orientação criminosa de Stálin e muito menos de ter avalizado a política de colaboração de classes do PC no Chile que pavimentou o caminho para o golpe militar e a ditadura de Pinochet!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

EM MEIO AS AMEAÇAS DE GOLPE MILITAR: "EXÉRCITO INVADIU A FAVELA DA ROCINHA COM A COBERTURA DAS MENTIRAS DA GLOBO, DE JUNGMANN"... E TAMBÉM DE MARCELO FREIXO


Em meio as ameaças de um golpe militar, vindas de um general do alto comando das Forças Armadas, o exército brasileiro invadiu na tarde desta sexta-feira a favela da Rocinha. A justificativa da ação militar, solicitada pelo governador do Rio de Janeiro, teria sido uma intensa guerra do tráfico travada no interior da comunidade carioca. O comando da Polícia Militar afirmou que não possui condições "logísticas" para enfrentar os dois bandos criminosos que controlam o tráfico de cocaína e que supostamente entraram em confronto aberto na Rocinha. A Rede Globo deu ampla cobertura política ao conflito, evocando a necessidade urgente das FFAA intervirem em apoio a "frágil" PM carioca, que segundo a famiglia Marinho estaria em condições bélicas inferiores a dos traficantes do Rio. Logo vários juristas e até ex-ministros do STF iniciaram uma campanha midiática pela invasão do exército na favela da Rocinha, atendida pelo Ministro da Defesa, Raul Jugmann, que deslocou um significativo contigente militar para mais uma vez ameaçar a população pobre e negra do Rio de Janeiro. Tanto a versão da "guerra fratricida do tráfico", como a da "inferioridade" bélica da PM em relação aos bandos criminosos, não passa de puro distracionismo para convencer tolos e galvanizar o apoio de reformistas do calibre de Marcelo Freixo do PSOL. Sabemos muito bem quem alimenta de "pasta de cocaína" as milícias criminosas que habitam as periferias urbanas: são corporações capitalistas com íntima ligação com as oligarquias dominantes em cada região. No Rio de Janeiro todos sabem que o PROJAC da Globo é uma das principais referências no abastecimento da "cocaína pura e de primeira qualidade". Em Minas Gerais a "importação" da pasta da coca é operada diretamente pela camarilha tucana dos Neves e no Ceará o clã dos Ferreira Gomes além de principais consumidores tem o monopólio do comércio da droga, somente idiotas úteis acreditam que os "pé de chinelo" que habitam as periferias, favelas e morros sãos verdadeiramente os "barões do tráfico" no Brasil. Porém os reformistas do PSOL corroboram com a "tese" de que é necessário invadir as periferias deste país com a polícia e o exército para acabar com o tráfico de cocaína e a criminalidade social. O quase prefeito do Rio e deputado estadual pelo PSOL Marcelo Freixo declarou em sua página do Facebook na manhã desta sexta-feira(22/09) que estava em contato com o Secretário de Segurança e que este lhe havia tranquilizado sobre a "ação pacífica" dos militares na Rocinha.. quanta ilusão da Social Democracia no papel histórico de repressor de classe das FFAA. O fato mais grave é que a "comoção pública" fabricada para invadir militarmente a Rocinha e o próprio estado do Rio de Janeiro acontece em meio a ameaça de Golpe de Estado proferida por generais do alto comando das FFAA. Com o governo do mafioso Temer sendo desmoralizado a cada dia pelos recorrentes escândalos de corrupção, os militares entram na cena política para oferecer "ajuda" aos novos "bonapartes de toga", que pretendem assumir a chefia do Estado Burguês na próxima etapa pós golpe parlamentar. A farsa da operação Lava Jato atua neste momento em estreita parceria com os aspirantes de um novo "64". Os Marxistas Leninistas não engrossam o reacionário "caldo" da necessidade de uma intervenção militar nos morros, favelas e periferias pobres deste país, exigimos a imediata retirada das tropas militares da favela da Rocinha e de todo o estado do Rio de Janeiro! Mobilizar o poder da classe operária e do povo pobre para derrotar a burguesia e suas milícias criminosas!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SETEMBRO DE 1969, MORRE HO CHI MINH: UM ÍCONE STALINISTA A SERVIÇO DA POLÍTICA DA PAZ MUNDIAL 
(Home Page da LBI, Setembro/2009)


Ho Chi Minh, morto por um ataque cardíaco em Setembro de 1969, é identificado como um dos maiores estrategistas militares e políticos do século XX, considerado o libertador da Indochina, vencendo uma verdadeira batalha de Davi contra Golias. Um Che oriental que teria inspirado inclusive o próprio Guevara a declarar que a tarefa de sua geração era construir vários Vietnãs. No entanto, é pouco conhecida a história verdadeira da libertação nacional indochinesa, muitas vezes sendo atribuída à genialidade da direção stalinista, que subjetiva e objetivamente retardou a libertação da Indochina com sua política em favor da "convivência pacífica" com o imperialismo invasor e tornou muito mais penosa a libertação do povo oprimido. O que surpreendeu o mundo, de fato, foi a heróica resistência da população que sobrepôs todos os erros e traições de sua direção, excepcionalmente prescindindo dela inclusive para vencer, haja vista que o próprio Ho faleceu seis anos antes da espetacular vitória do Vietnã sobre a maior potência imperialista de todos os tempos, jogando por terra o mito da invencibilidade dos EUA no pós-segunda-guerra. Esta derrota e expulsão humilhantes desde então assombram os invasores ianques quando se enfrentam com a resistência armada de outros povos invadidos, como no Afeganistão, Iraque, etc.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

TERREMOTO NO MÉXICO: TRAGÉDIA “NATURAL” APROFUNDA-SE COM A MISÉRIA IMPOSTA PELO IMPERIALISMO IANQUE E A BARBÁRIE PROVOCADA PELO TRÁFICO DE DROGAS CONTROLADO PELOS CARTÉIS MAFIOSOS ACOBERTADOS PELO GOVERNO PENÃ NETO


Um forte terremoto de 7,1 graus na escala Richter foi registrado nesta terça-feira, 19 de Setembro, no México apenas 12 dias depois de um tremor de 8,2 graus atingir a costa sul do México. O tremor deixou mais de 100 mortos, número que aumento a cada momento. O fenômeno sacudiu edifícios e causou pânico, levando as pessoas a correr para as ruas. O tremor ocorreu no mesmo dia em que se completa 32 anos do terremoto de 8,1 graus que deixou ao menos 10 mil mortos na capital mexicana. No momento do terremoto, várias pessoas participavam justamente de um treinamento para aprender a lidar com sismos, o que demonstra o completo despreparo do governo com o trato do problema “natural”. A catástrofe atingiu os Estados mais pobres do país, que já sofrem historicamente por conta da pobreza e do abandono do governo do direitista Peña Neto, mas que vinham sendo ainda mais castigados nos últimos tempos por terem se transformado nos principais produtores de papoula, a matéria-prima para a produção da heroína destinada aos Estados Unidos. O aumento da demanda no Norte trouxe mais disputa entre cartéis e grupos de “vigilantes” e mais insegurança para uma população que já sofria com a falta de comida, de trabalho e de perspectivas. Juntos, os três Estados mais pobres do país, Guerrero, Oaxaca e Chiapas ostentam a vergonhosa cifra de terem 70,2% de suas populações em estado de pobreza, segundo o Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social. Os territórios montanhosos em que estes Estados se localizam dificultam a comunicação e o transporte com os grandes centros urbanos. O sul do México sempre foi uma região muito rural. Mais de 50% da população de Oaxaca e Chiapas, por exemplo, vive em vilarejos de até 2.500 pessoas. Isso pode dificultar a contagem final do estrago causado pelo tremor. Desde a última década, quando o mercado de heroína se expandiu ao Norte, o sul do México foi o primeiro a sofrer seus efeitos. Seu território extremamente fértil é ideal para o cultivo da papoula. Além disso, as más condições das estradas em meio às montanhas multiplicam as possibilidades de “esconder” plantações clandestinas dos olhos das autoridades. Hoje, o México provê mais de 90% da heroína consumida nos EUA. O cultivo e o transporte da droga fizeram com que os cartéis locais enriquecessem e entrassem numa luta sangrenta por território. Nos Estados de Guerrero, Oaxaca e Chiapas, o narcotráfico também passou a financiar campanhas políticas, o que colocou no bolso dos criminosos as autoridades regionais. O exemplo mais dramático dessa combinação de fatores foi a desaparição de 43 estudantes em Ayotzinapa, em 26 de setembro de 2014. A tragédia completa três anos neste mês, sem que se saiba o que ocorreu e após as explicações oficiais terem sido desmentidas por peritos. As poucas evidências levam a crer que os rapazes desapareceram a mando de autoridades locais associadas com um cartel vinculado ao tráfico de heroína. Com seus vilarejos disputados por narcotraficantes, que além do comércio ilícito praticam a extorsão, o sequestro e o estupro das mulheres, seus habitantes decidiram tomar armas. Surgiram grupos de “vigilantes” de distintos graus. Há desde os mais amadores, que reúnem donos de comércio ou ranchos com suas espingardas particulares, até as “polícias comunitárias”, patrocinadas por donos de terras e empresários. Estes estão tão armados quanto os cartéis e, às vezes, mais que o próprio Exército. É cedo para mensurar os efeitos econômicos, políticos e sociais que o terremoto causará. A única certeza é a de que a região Sul do país ficará ainda mais vulnerável no marco da espoliação da economia nacional do México imposta pelo imperialismo ianque. Ainda que não existam meios para impedir os abalos sísmicos, há muitos anos os sismógrafos foram aprimorados para prever com antecedência de minutos, horas ou até dias os grandes tremores, tornando possíveis medidas preventivas. Avisos oportunos para que as pessoas saíssem de suas casas e edifícios decidem a diferença entre a vida e a morte de dezenas de milhares. O número de mortos seria infinitamente menor se fossem avisadas com 5 minutos para saírem de dentro de casa e demais zonas de risco. Mas os países capitalistas, principalmente os imperialistas que dispõem de sonares avançadíssimos, não dispuseram sua tecnologia a serviço das vidas das massas miseráveis mexicanas. O fato de que as vítimas não foram avisadas, apesar de haver meios de sobra para isto, é apenas um primeiro aspecto que atesta como a tragédia que se seguiu ao terremoto é responsabilidade direta do imperialismo e seus agentes que dominam o México. Abalos sísmicos são anteriores à existência do homem na terra. O controle da natureza para que suas forças não gerem tragédias faz parte da própria evolução humana. Minorar os efeitos dos desastres naturais, desenvolvendo meios de contorná-los são discutidos e aprimorados desde o princípio da humanidade. Em 1746, houve um mortífero terremoto em Lima, capital do Peru. Em 1755, um outro destruiu Lisboa, Portugal. Tais acontecimentos não passavam desapercebidos dos ideólogos da Revolução Francesa. Na novela "Cândido" Voltaire questionava a fé cega em Deus e as explicações fatalistas para os desastres naturais. Russeau então escreve uma carta a Voltaire e lhe explica que os efeitos do desastre em Lisboa não estavam subordinados a natureza nem a natureza humana, mas as condições sociais e a forma de vida baseada na propriedade privada: “Se os residentes desta grande cidade estivessem mais regularmente distribuídos e menos densamente avizinhados, as perdas haviam sido muito menores e inclusive inexistentes. Todos poderiam ter fugido com as primeiras sacudidas e dois dias depois seriam encontrados a vinte léguas de distância tão felizes como se nada houvesse acontecido. Mas temos que ficar e expormos a futuros tremores, insistiam muitos de maneira obstinada, porque o que tínhamos que abandonar era mais valioso do que o que podíamos levar. Quantos desgraçados pereceram no desastre por tentar levar, um suas roupas, outro seus papéis, um terceiro seu dinheiro? Sabemos bem que as pessoas têm se convertido na parte mais insignificante de seu ser e que não vale a pena salvar-se se tudo mais se perde”. É preciso impulsionar a constituição de comitês populares para gerir o socorro contra a tragédia, desde o controle da ajuda internacional até um programa de obras públicas, passando pela expropriação de todos os mercados e dos meios de produção, os meios de distribuição, transporte, saúde, todo aparato militar, veículos e máquinas estrangeiros, a organização da distribuição da ajuda. Portanto, todos os víveres, água potável, alimentos em geral devem passar a gestão da classe trabalhadora que desde já deve contar com a mais ampla solidariedade do proletariado mundial, fortalecendo a luta contra o governo Peña Neto, completamente submisso ao imperialismo ianque e aos carteis do tráfico de drogas.

LENIN NA VANGUARDA HISTÓRICA:       
A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE DESCRIMINALIZOU A HOMOSSEXUALIDADE


Na pátria dos Sovietes a conjuntura política e social surgida com a demolição da "velha ordem", imediatamente após a Revolução de Outubro baniu a repressão contra os homossexuais. Numa sociedade capitalista em que as mulheres e as crianças estavam totalmente subordinadas aos maridos, pais, e irmãos e em que, por exemplo, Máximo Gorki havia sido brutalmente espancado por homens de uma aldeia cossaca ao tentar socorrer uma mulher arrastada nua por um cavalo por ter sido acusada do “crime” de adultério, a nova Rússia Bolchevique de Lenin tinha abolido a lei anti-sodomia de 1918, que punia os homossexuais. Ao aprovarem o código criminal de 1922, os Bolcheviques tinham reconhecido os pareceres médicos e jurídicos que recomendavam a descriminalização das relações entre adultos do mesmo sexo e tinham incluído nos objetivos da revolução socialista nascente a batalha pela libertação da sexualidade, a abolição das discriminações e limitações com base no sexo e no gênero e a emancipação das mulheres. Nessa período histórico, surgiram muitas mulheres que se vestiam sempre como homens e procuravam viver como eles, como era o caso de várias comandantes do Exército Vermelho e membros de instituições acadêmicas e culturais. Algumas delas, declarando-se abertamente lésbicas, chegaram a exigir o direito a união civil com pessoas do mesmo sexo. Outras desejavam mudar de identidade e passar a ser homens, ou adotavam variantes masculinas do seu nome de registro, havendo mesmo quem pedisse intervenções cirúrgicas para mudança de sexo. Todas elas tinham ganho visibilidade na sociedade de "novo tipo" daquele tempo, porque a revolução de Outubro lhes permitira exprimir-se de forma não convencional e elas eram aceitas sem preconceito nos meios mais avançados. De resto, o novo tipo de mulheres, participantes enérgicas e confiantes do novo regime, deu origem a comentários de reacionários ocidentais sobre a suposta “masculinidade” das "russas". Mas a verdade é que o próprio antigo conceito de feminilidade era posto em questão pelos Bolcheviques, que rejeitavam a imagem tradicional da "mulher ideal", figura delicada, infantilizada e quase mística, incapaz de enfrentar os desafios da construção de uma nova vida revolucionária. De uma maneira geral, fossem homossexuais ou não, as mulheres Comunistas rejeitaram também o modelo frágil e impotente e procuravam mostrar-se à altura das tarefas sociais que se lhes colocavam, aceitando profissões e empregos antes reservados exclusivamente aos homens que exigiam força e resistência física: tratoristas, condutoras de veículos pesados, aviadoras, etc.. Um debate travado em 1929 no departamento médico do Conselho da Saúde sobre “travestis” e o “sexo intermediário” considerara com algum fascínio  a existência de “mulheres do tipo masculinizado”. Os psiquiatras Marxistas interessavam-se por essa nova identidade de gênero , caracterizando-as segundo uma nova categoria sexológica . Um dos casos mais famosos foi o do soldado do Exército Vermelho Evgenii Federovich, antes chamado Evgeniia, que em 1922 casou com uma empregada dos correios da cidade onde estava localizado o seu regimento. Quando se descobriu que era mulher, foi acusada pelo tribunal local de cometer um “crime contra natura”, mas o Conselho da Justiça declarou o casamento “legal, porque consumado por mútuo consentimento.” O próprio Evgenii Federovich defendeu a perspectiva do “amor pelo mesmo sexo” como “uma variante particular da sexualidade humana” e  declarou-se convicto de que, se os indivíduos do “sexo intermediário deixassem de ser oprimidos e amesquinhados pelo desrespeito pequeno-burguês as suas vidas tornar-se-iam socialmente valiosas". A criminalização da homossexualidade, quinze anos depois da despenalização da homossexualidade por decreto de Lenine, com a instituição de penas que iam de três a oito anos de prisão, campanhas de propaganda na imprensa e repressão em massa em Moscou e Leninegrado, foi um reflexo direto da stalinização do regime soviético. Em sete de Março de 1934 foi promulgada uma nova lei que fixava uma pena mínima de três anos por “relações sexuais entre homens”. A justificativa stalinista era que assim o "governo soviético combateria um foco de propaganda da oposição” no seio do Exército Vermelho". Os Bolcheviques Leninistas que se mantiveram firmes na defesa das conquistas de Outubro, apesar do enorme retrocesso stalinista, defenderam até o último momento da existência do Estado Operário Soviético (destruído pela contrarrevolução capitalista em 1990) a revogação da recrimanilização da plena liberdade sexual.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

HÁ SEIS ANOS DA QUEDA DO REGIME NACIONALISTA BURGUÊS DE KADAFFI PELA INTERVENÇÃO MILITAR DA OTAN E SEUS “REBELDES”: A LÍBIA ENCONTRA-SE MERGULHADA NA BARBÁRIE CAPITALISTA


Publicamos a Apresentação do livro “TESES TROTSKISTAS ACERCA DA GUERRA IMPERIALISTA CONTRA A LÍBIA” em que analisamos desde o começo de 2011 os primeiros movimentos do imperialismo para desestabilizar o regime nacionalista burguês comandado por Kadaffi. Este acabou sendo assassinado pelas tropas da OTAN em terra travestidos de “rebeldes” auxiliados por pesados bombardeios. Uma guerra civil que se iniciou no momento de sua morte e continua arruinando a economia e retrocedendo as condições de vida da população aos níveis dos países mais miseráveis da África. O desemprego, a falta de habitação e a fome castigam severamente as massas, destituídas de todas as suas conquistas sociais históricas. O país que apresentava, até o início de 2011, o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da África, um PIB per capta superior ao brasileiro e uma taxa de crescimento de 10,64%, segundo dados do próprio FMI, encontra-se agora às voltas com uma infraestrutura liquidada. O assassinato de Kadaffi pelas mãos da OTAN e seus “rebeldes” (que em 20 de outubro completa seis anos) foi sem dúvida uma vitória do imperialismo e representou uma derrota para os trabalhadores, porque anunciou o incremento da ofensiva neocolonialista sobre o país e toda a região. Registra-se que os revisionistas do Trotskismo apoiaram a derrubada de Kadaffi pelas mãos da OTAN em nome da farsesca "Revolução Árabe", que hoje demonstra seu verdadeiro resultado: a completa barbárie capitalista que assola a Líbia.

APRESENTAÇÃO

Resolvemos publicar as "Teses trotskistas acerca da guerra imperialista contra a Líbia" quando ainda não se decidiram os rumos finais do conflito travado no norte da África entre o exército nacional líbio e os "rebeldes" a serviço da CIA, apoiados pelas forças piratas da OTAN. Ousamos fazê-lo porque compreendemos o lançamento das próprias Teses como parte do combate teórico e político travado pela LBI, desde o primeiro momento político do conflito, em defesa da vitória militar na nação oprimida atacada pelo imperialismo.

A ofensiva das grandes potências capitalistas se acentua por terra e ar na medida em que o povo líbio e as forças que apóiam o regime nacionalista de Kadaffi impõem derrotas militares aos "insurretos" nas principais cidades líbias. Essa realidade vem pondo a nu, a cada dia que passa, a escandalosa posição dos revisionistas do trotskismo que vendem a investida imperialista como parte da mal chamada "revolução árabe", mas não conseguem explicar porque estes supostos "revolucionários", sem apoio popular, sobrevivem apenas porque recebem suporte econômico e militar da Casa Branca e seus sócios da União Europeia. Em nome do combate a "ditadura sanguinária de Kadaffi" os revisionistas alinham-se integralmente às investidas políticas e militares do imperialismo, travestido de paladino da "democracia".

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PSTU CRITICA O “MAIS” POR RECEBER APOIO DO PCdoB EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS NA DISPUTA PARA O CONGRESSO DA CONLUTAS PORÉM “ESQUECE” DE ALGO AINDA MAIS GRAVE: OS MORENISTAS ALIARAM-SE AOS NEOSTALINISTAS PARA ELEGER SEU CANDIDATO A VEREADOR EM BELÉM, FORMANDO UMA MINIFRENTE POPULAR ENCABEÇADA PELO PSOL, APOIADA POR LULA, DILMA E MARINA!


Nos últimos dias vem-se travando uma “batalha” nas redes sociais entre militantes do PSTU e do MAIS envolvendo a disputa das eleições para os delegados do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ao Congresso da Conlutas. O PSTU acusou o MAIS de receber os votos de trabalhadores vinculados a CTB (PCdoB) e CUT (PT) na assembleia que escolheu os representantes da categoria. Traidores, agentes da frente popular, oportunistas, vendidos...foram alguns dos “qualificativos” imputados pelo PSTU ao MAIS por essa aliança. De fato, a chapa do MAIS recebeu os votos da CTB-CUT e alcançou uma votação bem além de seu peso real entre os metalúrgicos de São José. Uma gravação do dirigente da CTB convocando os trabalhadores a votarem na “chapa do Renatão” (MAIS) torna essa unidade escandalosa evidente. Ocorre que essa política do MAIS na esfera sindical, hoje tão criticada pelo PSTU, foi aplicada nas eleições municipais de Belém, através da coligação para garantir a vaga do candidato a vereador do PSTU (Cleber Rabelo) na Câmara Municipal. Este acabou sendo eleito pela força da chapa majoritária que tinha como candidato a prefeito Edmilson Rodrigues, sustentado pela coligação entre PSOL, PCdoB e PSTU. Para eleger o vereador em Belém o PSTU pode aliar-se ao PCdoB porém na disputa interna da Conlutas o MAIS copiar a política do PSTU é “traição e oportunismo”? Resgatemos a justificativa que na época o PSTU recorreu para explicar a aliança com os neostalinistas em Belém: “Todos os partidos diretamente burgueses com os quais o PSOL queria fazer aliança desistiram da coligação um após o outro. Só sobrava mesmo o PCdoB, que não é um partido burguês, mas é um partido da base do governo Dilma, governo este que governa para a burguesia... A partir daí, diante do fato consumado de que o PSOL fecharia com o PCdoB, deveríamos definir se permaneceríamos na frente ou se nos retiraríamos dela devido à presença do PCdoB. Definimos que era correto permanecer e assim o fizemos. Mas por que definimos assim? A coligação também aumenta as chances de eleger um operário socialista e revolucionário para a Câmara de Vereadores: Cleber Rabelo, trabalhador da construção civil e dirigente do PSTU no estado” (Nota pública do PSTU, 02/07/2012). Em resumo, trata-se de um debate de baixo nível do “sujo falando do mal lavado”, ou melhor, uma troca de insultos de agrupamentos revisionistas que adotam uma política oportunista de aliança com a Frente Popular quando lhes convém eleitoralmente. A base dessa orientação foi a defesa à época pelo PSTU da conformação da “Frente de Esquerda” com o PSOL, onde coube não só o PCdoB, mas até mesmo o PT e Rede, que apoiou Edmilson no segundo turno das eleições, candidato que o PSTU continuou a chamar voto para prefeito em nome de “derrotar a direita”. Em 2012 vimos o PSTU fazendo todo o malabarismo necessário para justificar suas alianças com o PSOL, estivesse este partido coligado ou não com legendas burguesas quando isto lhe trouxe dividendos eleitorais. Agora o mesmo PSTU deseja posar de “ortodoxo e principista”. A própria militância do MAIS, formada na escola do Morenismo e que agora deixou de lado as firulas “revolucionárias” de sua “antiga organização” acusou o PSTU de fazer o mesmo em várias disputas sindicais, como para o Congresso da Fasubra onde o PSTU apoiou a DS na tirada de delegados e recebeu o voto desses petistas para o Congresso da Conlutas. 


Não precisamos ir tão “longe”. Mais recentemente, no 2º turno das eleições municipais do Rio de Janeiro de 2016, o PSTU apoiou a candidatura de Freixo, sustentada por uma “frente de centro-esquerda” burguesa formada pelo PSOL, PT, PCdoB, PSB e Rede! A militância do PSTU não tem qualquer moral política para criticar o MAIS, que aplica uma orientação socialdemocrata parida do ventre do seu progenitor Morenista. Tanto em Belém como no Rio de Janeiro as candidaturas do PSOL não representavam as “sombras” da burguesia e sim os seus mais declarados representantes, a começar pelo próprio Edmilson, que foi financiado por empreiteiras, empresas de ônibus e de limpeza urbana ou mesmo Freixo, apoiado pela Rede Globo. Não por acaso, tiveram ao seu lado o PCdoB, em uma típica frente popular de novo tipo nos mesmos moldes da montada pelo PT. Não temos dúvidas que a “flexibilidade” do PSTU em Belém esteve voltada a eleger um vereador e ter o direito a seu “lugarzinho” no parlamento burguês. Mas a questão se colocava em termos ainda mais graves: Edmilson e a coligação que encabeçava personificava a própria frente popular na cidade, cumprindo exatamente o papel do PT, fragilizado em Belém! O PCdoB é sem dúvida um partido pequeno-burguês completamente integrado ao regime capitalista. Por isto, representa os interesses de classe da burguesia. Seu vínculo com o movimento de massas está a serviço de bloquear as tendências de luta dos trabalhadores e ele foi um fiador dos acordos com as empreiteiras, bancos, donos das empresas de transporte que financiam a campanha de Edmilson! Como pôde o PSTU participar de uma frente assim e agora criticar o MAIS por fazer o mesmo na esfera sindical? O que há de diferente? Trazendo à tona todos esses exemplos de como a política do MAIS apenas aprofundou a política que o PSTU aplicava até pouco tempo atrás antes de seu “zig-zag” (ora à direita, ora à esquerda), o certo é que os Morenistas estão completamente despreparados para travarem um debate político-programático consistente com seus ex-camaradas do MAIS, pela simples razão de que também estão corroídos pelo “cupim” da democracia burguesa e seu regime de benesses sindicais e corporativas, apesar de ainda proclamarem formalmente a vigência do partido Leninista. A pressão das eleições de 2018, quando o PSTU será extremamente tencionado pelo PSOL (e o MAIS em particular) a dar seus votos para garantir o coeficiente eleitoral dos candidatos psolistas em nome da conformação da “Frente de Esquerda”, uma fórmula socialdemocrata lançada originalmente pelo próprio PSTU, vai aprofundar ainda mais a crise da seção da LIT no Brasil, que deve sofrer novos rachas e defecções.

domingo, 17 de setembro de 2017

17 DE SETEMBRO DE 1971: CAIU LAMARCA CERCADO PELOS MILITARES GORILAS ASSASSINOS, NOSSA HOMENAGEM A ESSE HERÓI DA ESQUERDA NA LUTA CONTRA A DITADURA MILITAR!


Carlos Lamarca, dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e posteriormente militante do MR-8 foi morto com cinco tiros em uma mega-operação do Exército na Bahia. Depois de caminhar por mais de 300 quilômetros, Lamarca foi assassinado em 17 de setembro de 1971 por agentes da ditadura militar no sertão baiano. No comando da caçada reacionária estava o então major Nilton Cerqueira, que, anos mais tarde foi eleito deputado federal e trabalhou como secretário de Segurança do Rio de Janeiro. “Ousar lutar, ousar vencer”. Era assim que Lamarca terminava seus escritos. Foi um dos símbolos da resistência ao regime militar que morreu antes de completar 34 anos. Carlos Lamarca foi o terceiro entre os seis filhos de Antônio e Gertrudes Lamarca, uma família modesta da zona norte carioca. Formou-se, em 1960, pela Escola Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), obtendo a patente de Capitão em 1967. Mas foi em São Paulo, no quartel de Quitaúna, para onde pediu transferência em 1965, que Lamarca, fez sua opção revolucionária. Na época, Lamarca acompanhava com grande interesse o grupo de ex-sargentos que, inicialmente vinculado ao Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), uniu-se a um setor dissidente da Política Operária (POLOP) e deu origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Já como membro da VPR, Lamarca realizou uma ação de expropriação no quartel de Quitaúna em 24 de janeiro de 1969 em que levou 63 fuzis, metralhadoras e muita munição. Sua ideia era seguir imediatamente para uma região onde pudesse preparar a guerrilha, o que o obrigou, de imediato, a separar-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba, via Itália, no mesmo dia de sua deserção. Em abril de 1971, no processo de "diluição" da VPR, ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). No mês de junho, Lamarca foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a finalidade de estabelecer uma base da organização no interior para organizar a guerrilha camponesa. Com a prisão em Salvador, em agosto, de um militante que conhecia seu paradeiro e a localização de um aparelho onde encontrava-se sua companheira, a psicóloga paulista Iara Iavelberg, os órgãos de segurança iniciaram o cerco à região. A companheira de Lamarca, Iara, foi assassinada por agentes do governo em um apartamento no bairro da Pituba, em Salvador, no dia 20 de agosto de 1971. O regime militar sempre sustentou que ela cometeu suicídio após o cerco policial, o que foi desmentido pelas investigações posteriores. Hoje há provas suficientes de que foi mais uma mentira do governo da época. Dentre suas ações contra a ditadura, está o sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, em 1970, que resultou na libertação de 70 presos políticos dos porões da ditadura, além de vários assaltos a bancos para financiar as ações do grupo armado. Viveu quase um ano clandestino em São Paulo, participando de ações de guerrilha urbana, até se instalar no Vale do Ribeira, com um reduzido grupo de militantes, para realizar treinamentos militares. O local foi descoberto pelos órgãos de segurança em abril de 1970 e cercado por tropas do Exército e da Polícia Militar. Uma gigantesca operação de cerco se prolongou por 41 dias, mas, após dois choques armados, o pequeno grupo guerrilheiro, sob a liderança do capitão rebelde, conseguiu escapar rumo a São Paulo. Em março de 1971, seis meses antes de sua morte, desligou-se da VPR para se integrar ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que o deslocou para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a finalidade de estabelecer uma base da organização naquela região. Em 17 de setembro de 1971, Lamarca foi fuzilado por integrantes da “Operação Pajuçara”, em Ipupiara, no interior da Bahia. Essa operação, iniciada em agosto de 1971, entrou para a história como uma das mais violentas, sobretudo em Buritis, que se tornou à época um verdadeiro campo de concentração, com torturas e assassinatos em praça pública, diante da população. Lamarca tinha 34 anos quando morreu. Apesar de todas as nossas diferenças com Lamarca, a VPR e o MR-8 o incontestável heroísmo na luta contra a ditadura militar, fazem dele um herói dos trabalhadores brasileiros e de sua vanguarda comunista. A LBI, que se mantém firme no combate por desmascarar a democracia dos ricos como uma face da ditadura do capital e dedica o melhor de suas forças à construção do Partido Revolucionário, espelha-se no exemplo inquebrantável de Lamarca que, apesar dos erros programáticos, não traiu a causa que defendia, morreu em combate e pagou com a sua própria vida na luta contra os gorilas genocidas!
SOLIDARIEDADE URGENTE: ORGANIZAR A AÇÃO DIRETA DE MASSAS EM DEFESA DA OCUPAÇÃO DO MTST EM SBC/SP!

Desde a LBI defendemos que a única forma de enfrentar a ação do Estado burguês e seus bandos fascistas, sendo inclusive capazes de dobrar as ordens da justiça burguesa, é apostando na ação direta dos trabalhadores, no legítimo direito ao uso da violência revolucionária contra a repressão assassina do Estado capitalista e suas hordas paramilitares. Não deixemos ocorrer mais um massacre pelas mãos da PM assassina e não depositemos nenhuma ilusão na justiça burguesa, resistamos com nossos próprios métodos de luta! Que os sindicatos que dominam esta importante região operária parem as fábricas, colocando todos os seus recursos políticos e materiais a serviço da resistência! Deve-se organizar imediatamente uma greve de solidariedade aos moradores da Ocupação Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo. Está mais do que na hora de preparar os moradores para uma dura batalha, através dos comitês de autodefesa, vencer a PM assassina e fazer dos "sonhos impossíveis" uma realidade de carne e osso!

sábado, 16 de setembro de 2017

VICTOR JARA, PRESENTE! NA LUTA PELO COMUNISMO, SEMPRE! SOMENTE O PROLETARIADO VINGARÁ PLENAMENTE SUA MORTE COM A REVOLUÇÃO SOCIALISTA MUNDIAL!


Hoje, 16 de Setembro, completam-se 44 anos do assassinato de Victor Jara pela ditadura chilena. Dias antes de sua morte ele foi detido pelos militares, junto com outros alunos e professores e conduzido ao Estádio Chile, convertido em campo de concentração e um dos maiores centros de detenção e tortura. Lá foi mantido durante vários dias após o fatídico 11 de setembro. O regime fascista torturou o cantor e compositor revolucionário, disparou duas vezes em sua cabeça e braços. Jara tinha os dedos das mãos esmagados por seu “crime” de cantar a revolução, ele foi alvejado 44 vezes como expressão do ódio dos militares pelo homem que fez ode ao Socialismo e a luta dos explorados. Vitor chegou a fazer canções em pleno cárcere, como a música “Estadio Chile”. A imprensa burguesa vem dando grande destaque ao fato do ex-militar Pedro Pablo Barrientos ter sido considerado em meados de 2016 como culpado da morte do músico, citando uma decisão da Corte federal da cidade de Orlando que determinou que o ex-tenente pague uma indenização de 28 milhões de dólares (95 milhões de reais) à família. A “condenação” do militar chileno nos EUA não passa de puro distracionismo histórico, uma verdadeira piada de mau gosto na medida em que o imperialismo ianque, a CIA e a Casa Branca planejaram e patrocinaram o golpe militar junto com os generais fascistas tendo Pinochet a frente das operações. Esses são os verdadeiros culpados pelo assassinato de Vitor Jara e dos milhares de militantes chilenos assassinados pela ditadura sanguinária. Nossas diferenças políticas com Vitor (militante do PC) que muitas vezes compôs canções em defesa da “Paz Mundial” e da política stalinista que apregoava o “Socialismo em um só país”, como “O direito de viver em Paz” em referência ao Vietnã, não nos impedem de homenageá-lo com o mais genuíno respeito comunista, ao contrário, ele provou com sua própria morte a dedicação máxima a causa da revolução proletária, mais além da política de colaboração de classes da UP e do governo Allende. A verdadeira punição aos torturadores e seus “patronos” capitalistas não poderá ser efetivada por nenhum governo “democrático” no marco de um Estado capitalista seja no Chile ou nos EUA, pelo simples fato de que a burguesia jamais se “autopunirá” de seus monstruosos crimes históricos. Somente a revolução socialista será capaz de “vingar” nossos heróis e combatentes mortos e torturados por um regime militar posto a serviço das grandes multinacionais imperialistas, como foi o genial cantor e compositor Vitor Jara. A única forma de vingar plenamente a morte de Jara e dos milhares de militantes que tombaram na luta contra a ditadura militar no Chile e em todo a America Latina é enterrar definitivamente da história da humanidade todo e qualquer regime que venha “cultuar” a exploração da classe operária por um punhado de parasitas, protegidos pelas armas de seu Estado capitalista. O acerto de contas que o proletariado necessita realizar com os facínoras da ditadura militar, deverá inevitavelmente vir na esteira do implacável combate ao regime capitalista e sua forma mais aperfeiçoada de "estabilidade democrática", a democracia dos ricos. Para a classe operária o verdadeiro julgamento de seus covardes algozes só acontecerá quando for capaz de construir seus próprios organismos de poder, estabelecendo tribunais operários e populares de julgamento e punição, como instrumentos da histórica justiça de classe do proletariado.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HÁ QUATRO ANOS DA MORTE DE LUIZ GUSHIKEN: ASSIM COMO PALOCCI, OUTRO EX-DIRIGENTE DA OSI QUE TRANSITOU PARA O CAMPO DA CÚPULA DA "ARTICULAÇÃO DOS 113"


No dia 13 de setembro de 2013 falecia Luiz Gushiken, um dos fundadores da antiga OSI (Organização Socialista Internacionalista) atual corrente petista "O Trabalho". A história política de Luiz Gushiken em muito se assemelha aos “melhores” quadros da antiga OSI, que acabaram abandonando a organização e o próprio Trotsquismo para ingressarem em outros “projetos” que poderiam render bem mais dividendos políticos e materiais. Falecido aos 63 anos, em decorrência de um câncer generalizado, doença que vinha lhe consumindo desde 2002. A trajetória do ex-ministro da SECOM do governo Lula foi marcada pela militância política de esquerda que se iniciou já no final da década de 70. O “China”, como era conhecido no movimento estudantil, aderiu ao Trotsquismo durante sua militância na USP, sendo um dos dirigentes da tendência “Libelu” (Liberdade e Luta), corrente juvenil impulsionada pela Organização Socialista Internacionalista (OSI), ligada a Pierre Lambert (ex-OCI francesa). A “Libelu” chegou a obter uma significativa influência no final dos anos 70, já que foi a primeira tendência política no movimento de massas a defender a palavra de ordem “Abaixo a Ditadura!” de forma pública e aberta. Como bancário do extinto Banespa participou ativamente das greves contra a ditadura militar, sendo inclusive preso por defender que os trabalhadores deveriam participar dos sindicatos “oficiais” e não desprezá-los como simples “escola do peleguismo”. Por conta da defesa desta orientação, Gushiken rompeu com a OSI (atual corrente “O Trabalho”) que postulava a política sectária e antitrotsquista de “sindicatos livres”, conquistando posteriormente o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Logo após sua saída da OSI Gushiken e sua irmã mais nova tiveram um rápido flerte com a Causa Operária (atual PCO), mas rapidamente abandonaram o grupo por considerá-lo pequeno e vazio de quadros, pensamento próprio dos burocratas sindicais. Gushiken chegou a ser um dos fundadores da CUT na condição de presidente do sindicato dos bancários de SP, aproximando-se pessoalmente de Lula (junto com toda uma leva de quadros oriundos de OT), na formação da “Articulação dos 113”, que agrupava o chamado “novo sindicalismo”. Em paralelo, Gushiken se dedicou à fundação do PT e foi eleito deputado federal por três mandatos consecutivos. Na condição de exímio estrategista e brilhante quadro político, foi o coordenador das campanhas eleitorais de Lula em 1989 e 1998. Como ministro de Lula e “conselheiro” da frente popular no Planalto foi até pouco antes de morrer um “capo” formulador da política reformista da Articulação, atualmente chamada de "Campo Majoritário", escapando por pouco da acusação de ser um dos petistas que integravam o esquema do “mensalão” na farsa jurídica montada pelo STF.A ruptura de Gushiken com a OSI no final dos anos 70 foi produto do zigue-zague político da corrente Lambertista que vinha de uma posição correta nas eleições de 78, convocando a construção de um partido operário independente ao mesmo tempo em que lançava a campanha do voto nulo nas eleições parlamentares e a denúncia do Colégio Eleitoral que “elegeu” presidente o general Figueiredo. Desgraçadamente, OT dava seus primeiros grandes sinais de degeneração, primeiro caracterizando o PT como mais um partido da transição golberyana para depois capitular vergonhosamente ao lulismo, identificando este fenômeno político como sendo a “materialização possível” de sua palavra de ordem em defesa de um partido operário independente. São aproximadamente mais de 35 anos de entrismo no PT, partido que serviu de manjedoura para acolher todos os quadros oportunistas formados na OSI, como o próprio Gushiken, Palocci, Clara Ant, Arlete Sampaio, Luiz Favre... Concomitante ao apoio da OCI ao governo de Mitterrand na França, a OSI, a segunda maior seção Lambertista, realiza um giro de 360º e a “Libelu” substitui uma oposição sectária à formação do PT até então tido como uma “articulação burguesa” montada pelos militares por um adesismo sem princípios, desembocando grande parte de sua influência na corrente de Lula, a “Articulação”, que seria agora uma “direção classista de um partido operário independente”. Gushiken, a exemplo da maioria dos dirigentes da OSI, após um breve período de vacilação, integra-se a direção do PT e passa a ser um quadro formulador político-ideológico da “Articulação”, já com o viés do “novo sindicalismo” absorvido com a experiência das greves bancárias (quando teve a oportunidade de conhecer Lula), durante as quais o Sindicato dos bancários de São Paulo contribuía financeiramente para apoiar e sustentar os enfrentamentos dos metalúrgicos do ABC com os patrões e a repressão da ditadura militar. Neste período adquiriu grande prestígio nas hostes do lulismo que emergia no final da década de 70, ascendendo na hierarquia política da burocracia sindical-partidária. Quando a frente popular assumiu o governo federal, o “China” na condição de ministro de Lula na Secretaria de Comunicação (SECOM) se dedicou a negócios para parasitar o Estado burguês e as negociadas em torno dos poderosos fundos de pensão.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ELEMENTOS DE BONAPARTISMO HOJE NO BRASIL: ABSTRAIR AS LIÇÕES LEGADAS PELOS BOLCHEVIQUES NO COMBATE ÀS SAÍDAS BURGUESAS PARA IMPEDIR A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO



Como parte das comemorações dos 100 anos da Revolução de Outubro, ligando as lições teóricas e políticas do passado com as tarefas atuais reproduzimos o texto de Trotsky, KERENSKY E KORNILOV: OS ELEMENTOS DE BONAPARTISMO NA REVOLUÇÃO RUSSA, que aborda a questão do Bonarpatismo durante o processo revolucionário, mais exatamente dissecando o papel de Keresky e Kornilov. Esse artigo é de suma importância para a realidade brasileira hoje, onde a completa liquidação “moral” e política dos partidos burgueses tradicionais e da Frente Popular encabeçada por Lula e o PT orquestrada pelo imperialismo pelas mãos da “Operação Lava Jata” e orientada pela CIA busca pavimentar o caminho para a ascensão de um “Salvador da Pátria” como o Juiz fascistoide Moro ou futuramente via um regime de exceção de corte cívico-militar. Vale salientar a posição analítica que Trotsky imprime ao Bonapartismo. O dirigente Bolchevique, longe de patrocinar o conceito dessa figura política como uma liderança que “somente” arbitra os conflitos acima das classes sociais, fórmula erroneamente muito difundida na esquerda, alerta: “A ideia de um mestre do destino colocando-se acima das classes não é outra coisa senão a ideia do Bonapartismo. Mas o Bonapartismo não era um árbitro entre o proletariado e a burguesia, era na realidade o poder mais concentrado da burguesia sobre o proletariado”. Regatamos esse artigo histórico, alertando que no Brasil, enquanto a cúpula petista, particularmente o staff dilmista, apoiava a operação jurídico-policial engendrada pelo imperialismo ianque para acabar com a Petrobras e as empreiteiras nacionais, nossa corrente política em voz solitária denunciava que o Moro havia sido formado pelo Departamento de Estado ianque e a CIA para inicialmente perseguir o PT e depois desmoralizar o conjunto do tecido político burguês do país, como vem fazendo agora. Seu objetivo estratégico é edificar um novo regime político, sendo a ponta de lança de um estado de exceção no Brasil com fortes traços Bonapartistas. Neste cenário emerge a figura de um Bonaparte, que venha para livrar o país da “sujeira da corrupção”, tendo coragem suficiente para colocar na cadeia alguns burgueses nacionais e lideranças políticas tradicionais. É óbvio que todo este embuste, que nasceu com a justificativa de “limpar a Petrobras” tem como pano de fundo a quebra das principais empresas capitalistas que ainda detém maioria de controle acionário nacional, como as empreiteiras e a própria Petrobras. Como nos definiu brilhantemente o velho Marx, o Bonapartismo emerge no impasse das classes dominantes, uma espécie de empate na correlação de forças sociais, catapultando um governo “acima” da disputa entre as frações burguesas. Em nosso caso concreto o Bonapartismo “Moriano” terá a “missão” de eliminar todas as barreiras legais para a penetração do capital internacional nos negócios e obras públicas do Estado Nacional, serão eliminadas todas as reservas de mercado para a atuação das transnacionais no país. Trotsky ao analisar a realidade russa e de outros exemplos históricos nos deixa importantes lições para a intervenção atual na luta de classes.



KERENSKY E KORNILOV: OS ELEMENTOS DE BONAPARTISMO NA REVOLUÇÃO RUSSA
(Léon Trotsky -  14 de Novembro de 1930)

Escreveu-se bastante para dizer que as infelicidades que seguiram, incluindo o aparecimento dos Bolcheviques, tivessem podido ser evitados, se, no lugar de Kerensky, se encontrasse à cabeça do poder um homem dotado de um pensamento claro e de um carácter firme. É incontestável que a Kerensky faltava-lhe um e outro. Mas porquê então certas classes sociais viram-se forçadas a levar precisamente Kerensky ao poder?

Como para refrescar as nossas lembranças da história, os acontecimentos da Espanha nos mostram uma vez mais como uma revolução, enfraquecendo os limites habituais da política, obnubilando por uma névoa nos primeiros tempos todos e tudo. Mesmo os seus inimigos esforçaram-se, nesta fase, a tomar a sua cor: nesse mimetismo exprime-se a tendência meio instintiva das classes conservadoras a adoptar transmutações ameaçadoras, para sofrer o menos possível. A solidariedade da nação, baseada numa fraseologia inconsistente, transforma a actividade conciliadora numa função política indispensável. Os idealistas pequeno burgueses, que olharam por cima das classes, que pensam em frases feitas, que não sabem o que querem e dirigem a toda a gente seus melhores votos, são, nessa ocasião, os únicos líderes intendidos da maioria. Se Kerensky tivesse um pensamento claro e uma vontade firme, teria sido absolutamente inutilizável no seu papel histórico. Isto não é uma apreciação retrospectiva. É assim que julgavam os bolcheviques no calor dos acontecimentos. "Advogado de negócios políticos, social-revolucionário que se encontrava à cabeça dos trabalhistas, radical desprovido da menor doutrina socialista, Kerensky reflectia completamente a primeira época da revolução, sua apatia 'nacional', o idealismo resplandecente das suas esperanças e das suas expectativas, escrevia o autor destas linhas, na prisão de Kerensky, após as jornadas de Julho. Kerensky falava da terra e da liberdade, da ordem, da paz dos povos, da defesa da pátria, do heroísmo de Liebknecht, dizia que a revolução russa devia surpreender o mundo pela sua magnanimidade e agitava, nesta ocasião, um lenço de seda vermelho. O pequeno burguês, meio despertado escutava com entusiasmo tais discurso: parecia-lhe que era ele próprio que falava do alto da tribuna. O exército acolhia Kerensky como aquele que o libertaria de Gotchkov. Os camponeses ouviram falar dele como um trabalhistas, um deputado dos mujiques. Os liberais eram seduzidos pela extrema moderação das ideias sob o informe radicalismo das frases..."

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

LULA EM CURITIBA: MAIS UMA TENTATIVA VÃ DE CONVENCER A BURGUESIA NACIONAL DE QUE É A MELHOR ALTERNATIVA PARA A CRISE CAPITALISTA


Em um novo depoimento sem grandes "novidades", onde o justiceiro Moro tentou acuar o ex-presidente pelo fato de ter recebido "pequenos favores" de empresários "amigos", Lula repetiu a "simplória tese" de que a "República de Curitiba" e sua famigerada "Lava Jato" é refém da imprensa para condená-lo. Sem apontar os verdadeiros "chefes" da Força Tarefa e do "juizeco"( os cartéis imperilistas ianques), Lula omite para as massas que o acompanham como liderança os reais interesses econômicos e políticos que se escondem por trás da "República de Curitiba", caminhando em outro sentido acusa genericamente a "imprensa" de pretender a sua criminalização. É óbvio que Lula teve como estratégia poupar seus detratores e "aliviar" a responsabilidade dos barões da mídia, como a "Famiglia" Marinho, responsável pelo golpe parlamentar que lançou o país na atual barbárie neoliberal. Quanto a delação de Palocci, Lula evitou denunciar que seu ex-ministro da Fazenda, atua como um agente do capital financeiro no interior da Frente Popular, pelo simples fato de também ser "parceiro" de grandes banqueiros como é o caso do grupo Bradesco, beneficiado com privatizações de bancos estaduais em seu governo. O ex-presidente “operário” nem sequer mencionou as ajudas milionárias dadas a Rede Globo em seu governo, uma negociata articulada diretamente por Palocci com o clã Marinho em nome de uma “boa convivência” com a Frente Popular. Lula sabe que será condenado novamente pelo "justiceiro" Moro e evita o confronto, mas parece que confia que o próprio STF imerso em uma crise interna irá resgatar juridicamente sua candidatura presidencial para 2018. Com esta postura "respeitosa" frente a anturragem reacionária Morista, Lula tenta dialogar com a burguesia nacional para se apresentar como uma alternativa "responsável" diante das reformas neoliberais que nitidamente não terão condições de serem efetivadas pelo governo golpista da quadrilha Temer. Por sua vez Lula visa preservar suas relações com os grandes capitalistas e os empreiteiros em particular, alegando que “nunca tratou de cifras com a Odebrecht ou qualquer outro empresário do Brasil”. O petista mantém esse teatro porque não pode revelar o verdadeiro funcionamento do Estado capitalista, cuja engrenagem funciona como um comitê de negócios da burguesia, onde seus gerentes de plantão, como a Frente Popular, fazem dos recursos do Tesouro Nacional um indutor milionário das empresas privadas, que em troca pagam comissões (propinas) para todos os partidos da ordem, incluindo obviamente o PT, ainda que em valores e percentuais bem menores do que os repassados para o Tucanato e a quadrilha do PMDB. Após o julgamento, o PT, a CUT, o MST e seus satélites como o decadente PCO promoveram um ato eleitoral em apoio à candidatura Lula. Ainda que sejamos contra a perseguição e a possível futura prisão de Lula a ser definida pelo TRF e o próprio STF de acordo com as conveniências da burguesia, não avalizamos em nenhum momento a política de colaboração de classes do PT. Lutamos contra a ofensiva policialiesca e reacionária do Juiz fascistoide Moro contra o PT e o conjunto da esquerda, apresentado uma saída operária e revolucionária para a crise, o que passa pela construção de um verdadeiro Partido Revolucionário que não seja refém do circo eleitoral da democracia dos ricos.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

25 ANOS DA PRISÃO DE ABIMAEL GUZMÁN PELAS GARRAS DO ESTADO BURGUÊS PERUANO: EXIGIMOS SUA LIBERDADE IMEDIATA E O FIM DAS CONDIÇÕES SUB-HUMANAS QUE AMEAÇAM SUA VIDA NA PRISÃO!


Publicamos o artigo em defesa da liberdade de Abimael Guzmán e de polêmica com o Maoísmo elaborado pela LBI em abril de 2014. Hoje, completam-se 25 anos de sua prisão, ocorrida em 12 de setembro de 1992 pelo Estado Peruano, na época sob a gerência burguesa de Fujimori. No texto defendemos a liberdade de Guzmán, condenado a prisão perpétua, reivindicação que se encontra plenamente vigente não só porque ele continua detido em condições sub-humanas como também em março desse ano foi novamente acusado em um processo fraudulento de um ataque a bomba ocorrido em julho de 1992. Levado a mais uma audiência, o dirigente maoísta conhecido na esquerda mundial como “Presidente Gonzalo” se defendeu e exigiu acompanhamento médico para cuidar de sua saúde. No comunicado emitido pelo PCP sobre o novo processo afirma-se “Apresenta-se como tarefa para todos verdadeiros democratas e, principalmente, aos revolucionários, a nível internacional, prosseguir com a campanha em defesa da vida e saúde do Presidente Gonzalo” (Março, 2017). No texto que reproduzimos abaixo também polemizamos com a política do Maoísmo e, em particular, de seus representantes no Brasil a Liga Operária e o Jornal “A Nova Democracia”, grupos revisionistas do Leninismo hoje em franco retrocesso político e organizativo. Em tempos onde o chamado “reformismo armado” vem se rendendo a democracia burguesa, como vimos no exemplo das FARC, temos o dirigente do “Sendero Luminoso” encarcerado por lutar em armas contra o imperialismo e os governos burgueses servis ao amo do norte. Ainda que tenhamos profundas divergências políticas e de método com o grupo político de Guzmãn como Trotskistas Internacionalistas continuamos exigindo sua liberdade e apontamos que o caminho para derrotar o imperialismo e seus agentes de plantão é a organização da classe operária e dos oprimidos em um Partido Marxista Leninista para derrubar o Estado capitalista pela via da Revolução Proletária.


A CAMPANHA PELA ANISTIA DE ABIMAEL GUZMÁN E OS LIMITES TEÓRICO-PROGRAMÁTICO DO MAOÍSMO COMO VANGUARDA REVOLUCIONÁRIA DA CLASSE
(Jornal Luta Operária, nº 276, 1ª Quinzena de Abril/2014)

Vem sendo articulado através das redes sociais internacionalmente nos últimos meses, uma campanha pela anistia política do dirigente do Partido Comunista do Peru (também chamado Sendero Luminoso pela midia burguesa) Abimael Guzmán Reinoso (ou Presidente Gonzalo como é conhecido entre a militância maoista), capturado em 1992 pelo fascista presidente peruano Alberto Fujimori, com total colaboração da CIA e do governo imperialista norte americano de George H. W. Bush, depois de 12 anos de luta armada empreendida pelo PC. Além da anistia, o ativismo maoista também defende uma espécie de "paz" social entre as classes, como vemos em sua página no facebook com o nome de Guzmán, organizando a campanha: "Solução política, anistia geral e a reconciliação nacional", são as palavras de ordem da campanha, ficando claro já os limites de tal movimento, apelando para uma "reconciliação nacional" com a burguesia "nativa" que nada mais é do que a velha aliança de classes sempre defendida pelas diversas correntes do reformismo e revisionismo. De acordo com noticiários da imprensa burguesa e da própria página maoista, Abimael Guzmán estaria com seu estado de saúde precário na prisão da base naval de Callao, sem permissão para que seu advogado tenha acesso a informações sobre sua condição, além de se encontrar incomunicável estando a mais de 21 anos detido sob isolamento total, lhe sendo negado as mais elementares condições humanas de sobrevivência, se constituindo num verdadeiro crime contra os direitos humanos praticado pelo Estado semicolônial peruano gerenciado atualmente pelo ex milico fantoche Hollanta Humala, à serviço de seus patrões criminosos da Casa Branca. Desde já, a LBI defende incondicionalmente uma campanha internacional pela libertação de Guzmán, bem como a todos os combatentes do Sendero Luminoso detidos de forma absurda nas masmorras assassinas de Humala sob as ordens imperiais de Obama, apesar de nossas profundas diferenças programáticas com o maoismo. Porém, acreditamos ser de muita importância abrirmos uma discussão teórica e programática acerca dos limites do programa maoista de revolução por etapas, copiado diretamente dos laboratórios de Stalin e do menchevismo, a tempos esmagados impiedosamente pela roda da História mas que até hoje confunde parte dos lutadores e resulta em derrotas para as massas como vimos no Nepal atualmente.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

11 DE SETEMBRO: 16 ANOS APÓS O ATAQUE AS TORRES GÊMEAS E AO PENTÁGONO, A RESISTÊNCIA SEGUE ENFRENTANDO "COM TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS" O MONSTRO IMPERIALISTA, CUJA CABEÇA TEM UM REGIME QUE CADA VEZ MAIS AVANÇA RUMO AO FASCISMO AMEAÇANDO COM SEU TERRORISMO DE ESTADO A VENEZUELA E A COREIA DO NORTE!


16 anos após os ataques as Torres Gêmeas que abrigavam várias corporações financeiras e também um dos maiores escritórios da CIA em território norte-americano, assim como em outro "avião míssil" ao quartel general do Pentágono em Washington, ainda hoje se discute no interior das correntes de esquerda se tal acontecimento histórico que ficou conhecido como “11 de Setembro” foi uma resposta militar ao terrorismo imperialista realizado por organizações fundamentalistas com meios militares não convencionais como defende a LBI ou um “autoatentado” para motivar o recrudescimento da ofensiva neoliberal sobre os povos, como reivindicam diversas teorias "conspiratórias" alheias ao ódio dos nações oprimidas aos EUA, afinal a Al Qaeda não passava de uma cria dos EUA para atacar a antiga URSS. Os reformistas em geral e os revisionistas em particular, além da mídia a soldo do capital, continuam adeptos até hoje da “tese” de que tratou-se de um atentado terrorista reacionário promovido por bárbaros muçulmanos contra o povo norte-americano. Independente da “versão” aceita, o certo é que logo depois do ataque ao coração do monstro imperialista se formou uma enorme frente política mundial para combater a “ousadia” dos “fanáticos fundamentalistas orientais” da Al Qaeda, que em nossa avaliação responderam na mesma moeda com que os EUA “tratava” o povo muçulmano. Vale ressaltar que o 11 de setembro foi precedido de bombardeios ianques ao Afeganistão, cujo governo do Taliban foi considerado terrorista pela Casa Branca apesar de ter sido constitucionalmente eleito, sofrendo uma ação militar ianque como a que Trump ameaça hoje o governo Maduro na Venezuela ou mesmo a Coreia do Norte. O que se observa hoje é que o núcleo central da Al Qaeda se fracionou com a morte de Bin Laden, separando-se inclusive do Taliban no Afeganistão, restando a Casa Branca financiar e armar setores fundamentalistas bem mais “descontrolados” e com pouca ligação com as causas nacionais árabes. Este parece ser o caso do Estado Islâmico (EI), armado pelos EUA para atacar os regimes nacionalistas de Kadaffi e Assad e que agora se voltam contra o “amo” exigindo a sua própria parte no botim da destruição de nações inteiras. Com o 11 de Setembro de 2001, os antigos “guerreiros mujahideen” foram temporariamente declarados inimigos mortais do Império e considerados como “terroristas”. Presumia-se que Washington cortaria totalmente suas relações com uma organização extremista acusada pela morte de cerca de mil cidadãos norte-americanos, mas não demorou muito para a OTAN “contratar” novamente os serviços militares da Al Qaeda, desta vez na Líbia em 2011, para depor o regime nacionalista burguês do coronel Kadaffi. Contentes com os resultados na Líbia, onde os mercenários fundamentalistas destruíram o país para traficar o petróleo para os EUA, o governo Obama repetiu a dose e foi buscar um subproduto decomposto da Al Qaeda (o EI) para atacar o regime de Assad na Síria! Como Marxistas Revolucionários condenamos vigorosamente as ações terroristas do EI, suas recentes ações globais são impulsionadas para reforçar uma “posição de força” no campo militar da “revolução árabe”. O comando do EI no espectro sectário sunita pretende ser afirmado com chacinas fratricidas contra outras frações islâmicas sob pena de perderem o apoio conseguido em regiões devastadas pela guerra civil fomentada pelo imperialismo. O EI e suas ações reacionárias contra os povos, nações muçulmanas e governos antiimperialistas da região, representam hoje a ponta de lança dos interesses do gerdame sionista de Israel contra seus adversários geopolíticos. Porém a gênese histórica do EI possui o "DNA" nos interesses diretos na movimentação da CIA nos planos da derrubada do regime nacionalista de Kadaffi na Líbia, com o rótulo de "força revolucionária" outorgada pela OTAN partiram para a Síria com objetivo de derrotar o governo Assad, um dos poucos remanescentes dos conflitos guerreiristas contra Israel nos anos 60 e 70, posto que os outros países adversários do sionismo nesta época (como Egito, Jordânia, Arábia Saudita) já celebraram o reconhecimento do gerdame. Na fronteira entre Síria e Iraque, o EI encontrou a possibilidade de tentar assumir uma feição "nacional", mais além de um braço militar financiado pela Casa Branca, proclamando um califado baseado na suposta defesa dos interesses da população sunita. O mais "curioso" na tentativa do EI em criar raízes étnicas e religiosas na região em que se estabeleceu como organização paramilitar é que sua cúpula dirigente é formada majoritariamente por europeus (área central), britânicos e norte-americanos, sua facilidade em estabelecer os "contatos ocidentais" deriva desta característica. Nesta região além de apontar suas armas contra Assad em uma frente militar com outros grupos "revolucionários" da OTAN, o EI se chocou territorialmente contra o governo de Bagdá, passando a controlar campos petrolíferos que passaram a fornecer óleo cru diretamente para as refinarias de Tel Aviv. Passando dos "limites" originalmente definidos por Washington, Obama enxergou na ponte estabelecida entre o EI e Netanyahu uma ameaça a hegemonia ianque. Registre-se o fato dos atuais esforços da Casa Branca em firmar um acordo nuclear com o regime dos Aiatolás, serem atacados ferozmente por Israel. O EI ganhou o "status" de criatura rebelde da OTAN, centrando suas ações em sintonia com o Mossad para além das fronteiras da Síria e Iraque. A estrutura de poder no ventre do imperialismo ianque é bastante complexa, tendo o Partido Republicano bastante influência em organismos recalcitrantes como a CIA e o próprio Pentágono. Por isso é impossível aferir até que ponto o EI recebe suporte de setores do imperialismo ianque para ações globais de interesse do expansionismo sionista. O certo mesmo é que as ações terroristas do EI, que por muitas vezes querem aparentar um confronto com o imperialismo estão sempre direcionadas para o terreno da reação mundial, concentrando "fogo" contra a Síria, Irã e o Hezbolah e todos seus aliados táticos. No mundo árabe e palestino o surgimento do EI contou com a simpatia inicial do Hamas, que não por coincidência resolveu suspender seus ataques a Israel. No cerco militar ao Hezbolah o sionismo ganhou um aliado de "peso", o EI.  Por isso as ações do EI contra supostos alvos imperialistas (geralmente civis), não despertam nenhum sentimento de luta dos povos e nações oprimidas, em sua quase totalidade suas "operações militares" são voltadas contra regimes nacionalistas e laicos, como Líbia e Síria, que conseguiram construir a unidade nacional para além das rivalidades religiosas e sectárias. Tanto que agora o EI encontra-se em aberta defensiva. A responsabilidade histórica sobre a formação desta criatura reacionária e das covardes mortes que arrasta atrás de si, deve ser debitada na política de espoliação do imperialismo, que hoje tudo aponta responder a um subproduto seu, o estado terrorista de Israel. Este é o balanço político e histórico que fazemos após os 16 anos do "11 de setembro", reafirmando o marxismo como um guia para a ação concreta na luta de classes, quando o monstro imperialista acatar militarmente a Venezuela e a Coreia do Norte ! Para clarificar ainda mais este debate, o Blog da LBI reproduz um documento elaborado logo após o 11 de Setembro de 2001. Trata-se de um dos mais importantes textos políticos escritos pela esquerda revolucionária no limiar deste novo século, onde traça um prognóstico exato (quase “premonitório”) da nova conjuntura mundial reacionária que iria abrir-se a partir deste marco histórico de inflexão global na correlação de forças entre as classes sociais.
                                                                    
O 11 DE SETEMBRO E A OFENSIVA IMPERIALISTA
(Publicado originalmente na Revista Marxismo Revolucionário nº 4)

Os ataques de 11 de setembro, no coração do monstro imperialista  ianque, marcam a abertura de um novo período político na etapa histórica de correlação de forças entre as classes em nível mundial, aberta logo após a derrubada contra-revolucionária do Muro de Berlim e a destruição do Estado operário burocratizado soviético, com a conseqüente perda das conquistas operárias obtidas a partir da revolução de 17. Pela primeira vez na sua história, os EUA sofrem um tipo de bombardeio em seu próprio território, excluindo o bombardeio às bases navais de Pearl Harbor na 2ª Guerra Mundial, fazendo cair por terra o enorme mito da invulnerabilidade militar da grande fortaleza inexpugnável. Utilizando-se de armamento não convencional, como jatos da aviação civil, uma organização militar, provavelmente fundamentalista islâmica, infringiu pesadas baixas ao alto comando do Pentágono e à Agência Central da CIA em Nova York, sediada em uma das torres do World Trade Center. O próprio presidente Bush, revelando em seu ato toda a covardia do império assassino, fugiu como uma galinha durante dois dias, enquanto sua frota naval abandonava às pressas os portos da costa americana, temendo uma reedição dos ataques kamikases ocorridos na 2ª Guerra Mundial. Quando o alto staff do Pentágono certificou-se de que o "grande ataque" concentrava-se na captura de quatro aviões civis e que todo o poderio bélico da maior força armada do planeta não corria perigo de ser "dizimado", passaram a rugir como um leão ferido, ameaçando bombardear todos os países muçulmanos, que possivelmente poderiam ter alguma relação com os atentados do dia 11, "em uma ofensiva militar longa, ampla e implacável", segundo as palavras de Bush (The New York Times, 09/10), um anúncio prévio da intenção de atacar, além do Afeganistão, também o Iraque e o Líbano, como afirmou em carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU: "Podemos descobrir que nossa autodefesa requer ações em relação a outras organizações e países" (Idem).


ATAQUE TERRORISTA OU RESPOSTA MILITAR AO TERRORISMO IMPERIALISTA

Imediatamente após os atentados do dia 11, uma ampla frente contra-revolucionária mundial foi formada, encabeçada pelo imperialismo ianque (governo Bush e democratas), englobando toda a social-democracia européia, as burguesias títeres dos países semicoloniais (inclusive árabes e muçulmanas), a extrema direita nazi-sionista, o imperialismo japonês, a burguesia restauracionista russa, a burocracia stalinista cubana e chinesa, finalizando com o conjunto da esquerda reformista internacional, incluindo-se a totalidade do pseudotrotskismo, que se mostrou refém da opinião pública pequeno-burguesa, além de completamente impotente diante do brutal ataque às massas que se prenuncia no próximo período. Esta frente mundial tem como principal eixo político a veemente condenação aos "atentados terroristas" nos EUA e o combate ao "terrorismo".